O DESVENDADOR DE ALMAS

O DESVENDADOR DE ALMAS.jpg


O DESVENDADOR DE ALMAS


 


*





Decifro-te anseios, silêncios e medos...


Desvendo segredos. Cá tenho os meus meios


Nem belos nem feios, nem tristes nem ledos,


Nem sequer azedos como os teus receios...





*





Aos anéis, comprei-os, mas... postos nos dedos,


Ficaram tão quedos que cansei-me e dei-os


Apesar de cheios de mistério e credos,


Visões de degredos, vislumbres de enleios.





*





Contudo desvendo sonhos, ambições


E até frustrações que mal compreendo,


Mas logo apreendo sem mais confusões.





*


 


 


Se há contradições no que vou tecendo,


Nada mais pretendo, face às condições,


Do que alguns tostões pelo que hoje vendo.





*








Maria João Brito de Sousa – 14.06.2019 -21.53h



*


 


Imagem retirada daqui

Comentários

  1. Pressinto, neste 'Desvendador de Almas', sentimentos ocultos, mas também poderá ter sido escrito num rasgo de inspiração sem mais nenhuma outra intenção.
    Mas aquilo que sei de certeza, é que gostei e muito de ler.

    Beijinho , Maria João.

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    1. Sim, Janita, foi mesmo escrito a desoras e num mais do que inesperado rasgo de inspiração

      Embora não seja eu este Desvendador de Almas, acredito que todos temos um pouco de desvendadores e que nos é intrínseca, essa necessidade de "decifrar" o outro. Confesso, no entanto, que não morro de amores por quem o faz premeditadamente com o intuito de ganhar uns "tostões"... ou "milhões"...

      Aos dos tostões, posso relevar-lhes os truques, atendendo às dificuldades financeiras que todos enfrentamos nos tempos que correm, mas não relevo, nem perdôo, as "cenouras douradas" dos dos milhões.


      Beijinho e muito obrigada pelas palavras amigas

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  2. Tenho sempre dificuldade em comentar poemas. Antigamente costumava dizer que a poesia sente-se não se comenta. E se não o digo hoje, por entender que quem a publica, gosta de receber o feedback de quem a lê, não quer dizer que não continue a pensar do mesmo jeito.
    Dai que eu escreva tantas vezes, apenas "gostei de ler".
    Gostei de ler quer dizer que eu senti aquele poema, que ele me disse alguma coisa.
    E sim gostei de ler este Desvendador de almas.
    Abraço e bom fim-de-semana

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    1. Muito obrigada pela leitura e pelas palavras amigas, Elvira.

      Acredite que compreendo perfeitamente a sua dificuldade em comentar poemas; também me é difícil fazê-lo, apesar de ser poeta desde que me lembro de ser eu. Considero-me mesmo uma péssima comentadora, sobretudo desde que a falta de acuidade visual e a lentidão de movimentos se me vieram sobrepor ao fluxo natural das palavras e frases.

      Fico feliz por saber que gostou de ler este meu poema nascido a desoras, já em braço-de-ferro com Morfeu, que começava a chamar por mim.

      Forte abraço e votos de um excelente fim-de-semana.

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  3. Imparável inspiração
    Imparável bom gosto
    o da nossa Poeta Maria João

    Bom fim de Semana
    bom dia e beijinhos de aqui dos Calhaus.

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    1. Ai, Anjo... já estava com os olhos numa lástima quando a Musa me veio lançar este desafio.
      Raramente escrevo e leio à noite, quando as dificuldades estão já multiplicadas pelos primeiros assédios de Morfeu, mas... mais uma vez a musa foi mais forte do que o cansaço, o sono e as malvadas das cataratas...

      Obrigada e um beijinho daqui, do meu estuário já abraçado ao mar

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  4. “Pedaço de nós”

    Pedaço de nós arrancado
    Numa atroz mutilação
    Todo um sonho sonhado
    Perdido na escuridão

    Coração estilhaçado
    Faz pequena a razão
    Dum futuro inacabado
    Que amplifica a solidão

    Na fraqueza haverá força
    Nascerão outras razões
    Ainda que impere a dôr

    Mesmo que já não se ouça
    A união dos corações
    Não deixa morrer o amor.

    Prof Eta

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    1. O Tal Amanhã que Canta
      *

      "Não deixa morrer o amor",
      Esse nobre sentimento
      Que sempre foi gerador
      De um melhor entendimento

      Entre alguém que vive em dor
      E outro que lhe diz, "Lamento
      Que um irmão viva pior
      Do que eu, que vivo a contento".

      Deste pensá-lo, senti-lo
      E fazer por que se esbata
      O fosso que se agiganta,

      Irá nascer tudo aquilo
      Que em amor nos arrebata;
      O tal amanhã que canta!


      Maria João


      Boa noite, Poeta!

      Cá vai o que me ocorreu de imediato, após a leitura do seu sonetilho. Abraço grande.

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