O MEU SONETO DE HOJE II
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O MEU SONETO DE HOJE II
*
Se os pássaros pousassem nos meus dedos,
Talvez novos segredos revelassem
E as musas acordassem sem mais medos
De que os alheios credos não gostassem
*
Dos sonhos que sonhassem quando, ledos,
Meus dedos em brinquedos transformassem
E em versos que vibrassem, mesmo quedos,
Nuns tantos arremedos que hoje ousassem...
*
Que pássaro pousou sem que eu sentisse
E sem que eu lhe pedisse aqui cantou?
Um sopro o despertou, sem que dormisse
*
Bastou que o pressentisse e conquistou
Versos que modulou com tal meiguice
Que em nada contradisse o que almejou.
*
Maria João Brito de Sousa – 28.10.2019 – 11.39h
*
Nota - Soneto em decassílabo heróico com rima encadeada interna.
Imagem retirada da net sem autoria identificável
“Talvez louco”
ResponderEliminarSe politicamente correcto
Com aspecto de brandura
Marino tédio circunspecto
Ou tempero em loucura
Debaixo dum mesmo tecto
Esta ligação não perdura
Para não ser incorrecto
Baixo o ponto de fervura
Mas por dentro já me sinto
Em loucura a fervilhar
Esse tempera p'rá vida
Por fim ninguém desminto
Não me compete julgar
Toda a loucura escondida.
"Toda a loucura escondida",
EliminarBem como a que está visível,
Vai alastrando qual f`rida
Que traz dor quase insofrível...
Sei estar quase de partida;
Junto à passagem de nível,
Presumo-me já remida
(se algo fiz de tão terrível...)
Pra quem esteja de saúde,
Deixo o meu velho alaúde;
Que del` tire bom proveito
Quem à poesia alude!
Não morrerei de virtude,
Extinguir-me-ei "por defeito".
Maria João
Ai, Poeta! Hoje abusei mesmo destes olhos tão pouco funcionais, rsrsrs... tenho a cabeça a estalar...
Outro abraço!
“Urgentemente”
ResponderEliminarÉ urgente a eternidade
Neste espaço confinado
Vencer a ambiguidade
Matar o lado cansado
Embrenhar-se na cidade
Como osso abocanhado
Ver brotar a felicidade
Dum parente revoltado
Permanecer vigilante
Muito além da Taprobana
Isto parece-me Camões
Mas por fim a cada instante
Ser eterno por uma semana
Sem recusar intromissões.
Prof Eta
QUE FAZER?
Eliminar"Sem recusar intromissões"
Irei responder-lhe à letra,
Mas não lhe darei lições
Porque nunca fui profeta,
Nem tive outras ambições
Pr` além da de ser correcta
No decorrer das acções
Deste ofício de poeta;
É urgente, sim, bem sei,
Matar o "lado cansado",
Mas bem cansada eu fiquei
De passar pr`ó outro lado*
E achei-me, assim que voltei,
Com o corpo avariado...
Maria João
Cá vai com outro abraço grande, Poeta!
* Quando a coronária foi perfurada, a minha excelente equipa de médicos teve de suar muito para me conseguir trazer para "este lado"...
Caríssima poetisa,
ResponderEliminarA poética de Maria João serve de didática inspiradora para aqueles que traduzem os sentimentos por meio de letras, palavras e versos.
Sem que o saiba Maria João é uma mestra para mim nesta arte de expressar o que há de mais belo na natureza e nos mares "De antes nunca navegados" de nossos corações.
Obrigado poetiza por essas ondas de beleza com que sempre nos brinda!
No início do ano vindouro estarei lançando por editora luso-brasileira livro de poesia e isso se deve muito ao simples apreciar de sua poética mestra.
Cordialmente,
António Ferreira,
Belém - Pará - BRASIL
Acredite, poeta amigo António Ferreira, que me dá uma enorme alegria com estas suas palavras. Nada, rigorosamente nada poderá ser mais gratificante para um poeta do que saber que "contagiou" outros dos seus irmãos poetas com o fruto do seu trabalho.
EliminarDo fundo do coração, desejo que o seu livro tenha o maior dos sucessos!
Um forte e grato abraço poético
Que soneto tão bonito Maria João!
ResponderEliminarAdorei ler. Até porque a cada novo poema, penso que a amiga está melhor.
Abraço e uma boa semana
Muito obrigada, Elvira.
EliminarGostaria muito de poder dar-lhe essa boa notícia, mas... não seria verdade, infelizmente.
Escrever, tal como ler, tornou-se um enorme sacrifício nestes últimos tempos. Tenho de andar à procura de cada letrinha e, ao fim de alguns minutos, a dor de cabeça cresce insuportavelmente. Este soneto foi um mero e penoso exercício de força de vontade e foi escrito à mão num papel velho antes de ser passado para o Office, em letras garrafais. Foi uma espécie de teste à minha resistência à dor. E, sim, minto quando falo do passáro que me veio pousar nos dedos. Não houve sopro, nem pássaro, nem melodia ou musa que o viessem adoçar. Aqui, infelizmente, tudo é teimosia e técnica e recusa em aceitar a minha evidente redução de acuidade visual.
Desculpe-me se fui demasiado sincera e a entristeci com as minhas palavras. Não era essa a minha intenção.
Um grande e solidário abraço
Bom dia
ResponderEliminare também à alegria
de quem
sempre mais além -,`)
Boa Semana MJ
Beijinhos
Bom dia e muito obrigada, Anjo!
EliminarBeijinhos
"Verdadinha"
ResponderEliminarDemocracia está matando
Ponto morto é corrupção
E o povo segue cantando
Com essa nova impressão
De que algo está mudando
Mesmo que não mude não
Não se sabe até quando
Morta que está a revolução
Melhor se cultivar letrando
Fazer nascer a realidade
Em cada verso da canção
Não pode morrer esperando
Que mude a nossa cidade
Se não muda a civilização.
Prof Eta
"Se não muda a civilização"
EliminarQuer dizer que os passos dados
Tomaram a direcção
De outros, mal direccionados...
Eu, dentro do coração,
Tenho uns vasos remendados
E a falta de visão
Deixa-me os olhos vidrados;
Falta-me a concentração
E, desfeita em mil bocados,
Só não entro em negação
Porque tenho mil cuidados
C`o que me sobra em razão
Pr`além de uns cacos quebrados.
Maria João
Mais uma vez lhe peço desculpa pelo atraso, Poeta.
Abraço grande!
Bom e feliz fim de Semana MJ
ResponderEliminarBeijinhos
Obrigada, Anjo
EliminarSei que este fim-de-semana comprido está quase a acabar, mas desejo que o pouco que dele sobra se venha a poder contar entre os momentos felizes da tua vida.
Beijinhos
Parabéns, continue a brindar-nos com a sua excelente Poesia!
ResponderEliminarPubliquei o seu soneto "Sedução", alusivo ao Mar, no blogue, no dia 10 de Setembro, no contexto da "Antologia Virtual".
No último sábado, 26/Out, li esse poema na SCALA, no âmbito de "Poesia à Solta", na sequência da exposição de "Poesia Visual", em que os poemas da "Antologia Virtual" sobre o Mar estiveram expostos na SCALA.
Anexo link do poema.
https://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/o-mar-tem-tal-poder-189575
Saudações poéticas e votos de Saúde!
Francisco
Fico-lhe muitíssimo grata, Francisco!
EliminarSão motivos de força maior, acredite-me, os que me vão mantendo afastada da caixa de correio electrónico, dos blogs, das leituras e da escrita, mas vou já mergulhar no link que teve a bondade de aqui me deixar.
Saudações poéticas