O MEU SONETO DE HOJE

Le Berceau - Berthe Morisot (1).jpg


O MEU SONETO DE HOJE


*


 


Trazia a face f`rida, o corpo gasto


E a vista maltratada pelos anos,


Mas embora o esmagassem desenganos,


Ainda vinha firme, inteiro e casto.


*


 


Atrás de si deixava o longo rasto


De quanto lhe causara tantos danos...


Foi, porém, a nobreza dos decanos


Que hoje me quis servir como respasto.


*


 


Entrou-me em casa e já não quis partir;


Havia tanto mundo a descobrir


Neste pequeno mundo franqueado


*


 


P`la velha porta que eu lhe ousara abrir...


Agora, consolada, vou dormir.


Zela por nós, soneto hoje encontrado!


*


 


Maria João Brito de Sousa – 11.10.2019 -10.10h


 


 


IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot

Comentários

  1. Que bom que a musa voltou! Um bonito poema.
    Abraço e bom fim de semana

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    1. Obrigada, Elvira.
      A Musa voltou por uns momentos, mas bateu logo em retirada. Não se ajeita a escrever poemas palavrinha a palavrinha - quase letra a letra... -, nem se sente muito segura dentro de um coração bradicárdico.

      Abraço e bom Domingo.

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  2. E que bom regresso
    que já calculava algum problema
    de novo
    mas que pelo visto não trema
    essa saúde em demasia
    para cada dia

    Bom fim de Semana sossegado MJ
    Beijinhos

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    1. Obrigada, Anjo.
      Efectivamente tenho piorado nestes últimos dias, mas ainda por cá ando

      Beijinhos e bom Domingo

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    2. Então
      uma boa Semana sossegada

      Beijinhos

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  3. “Panteão da humanidade”

    Ei mundo por onde vais
    Entre cravo e ferradura
    Todos somos animais
    Mas alguns cavalgadura

    Dentre nós os imortais
    Onde a memória perdura
    Todos juntos e muito mais
    Cavam fundo a sepultura

    Consciências amarfanhadas
    Partem em busca da verdade
    Num evangelho sempre novo

    Memórias assim gravadas
    No panteão da humanidade
    Com letras a ferro e fogo.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. CREIO NAS GENTES DE BEM

      "Com letras a ferro e fogo"
      Bem malhadas na bigorna.
      Não se cai no velho logro,
      Que ao logro nunca retorna

      Quem conhece o demagogo
      E, ao longe, lhe topa a norma
      De sempre tentar pôr cobro
      Ao que o enfrenta e transtorna...

      Creio nos homens de bem,
      Nos de firmes convicções;
      Em tudo o que neles nos vem

      Posso achar contradições
      (todo o ser humano as tem...)
      Mas nunca encontrei traições.


      Maria João

      Olá, Poeta!

      Pelo desculpa pelo enorme atraso, mas pouco leio para tentar evitar as cefaleias que se tornaram insuportáveis e que pioram sempre que faço um esforço visual... já só uso os pensos de nitroglicerina durante oito ou nove horas por dia, não posso reduzir mais...

      Forte abraço!

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  4. Bom fim de Semana MJ -,`)

    Beijinhos de aqui

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    1. Obrigada, Anjo!

      Desculpa-me o enorme atraso, mas estou mesmo muito pitosga e o esforço visual somado ao efeito de de vários medicamentos que não posso mesmo deixar de tomar, provoca-me dores de cabeça insuportáveis.

      Beijinhos e um bom fim-de-semana para ti

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    2. Há que ter cuidados MJ

      Beijinhos e uma bela tarde

      Eliminar
    3. Obrigada e uma bela tarde também para ti, Anjo.

      Hoje confesso que fui atrevida. Mandei as cautelas às urtigas e fui às compras sozinha, rsrsrs... estou aqui a deitar os bofes pela boca, mas consegui! Tenho é o triplo das dores de cabeça... paciência! Ainda hei-de descobrir o que me está a provocar estas cefaleias, para além do esforço visual e da nitroglicerina... Ai, hei-de, hei-de, que eu não sou de desistir facilmente!

      Beijinhos

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  5. “Mundo Dior”

    Se habitas o mundo cão
    Faz-te ao mar como Diogo
    Manda erguer o teu padrão
    Numa arriba lá p'ró Togo

    Se habitas na civilização
    Podes escolher outr'epílogo
    Não esqueças a animação
    Usa sempre muito fogo

    Não necessitas justificação
    Tudo pode arder ao redor
    Pois representa a evolução

    P'ra outro mundo em fusão
    Novo mundo de esplendor
    Que nem se põe em questão.

    Prof Eta

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    1. "Que nem se põe em questão"
      Porque poucos se questionam
      E não porque haja razão
      Pra se crer no que mencionam...

      Vai pr`aí tal confusão,
      Tais loucuras se ficcionam,
      Que esta pobre geração
      Crê em tudo o que adicionam

      Ao prepotente mercado
      Do sonho comprado ao grama,
      Desde que bem embalado

      Nessa bem complexa trama
      Que a tudo deixa enredado
      Pois só fala pela rama.

      Maria João


      Desculpe-me o atraso, Poeta.
      Talvez não acredite, mas a verdade é que ler e escrever me provocam ainda mais dores de cabeça do que aquelas que já tenho... e são muitas e muitíssimo fortes, asseguro-lhe. O raio da nitroglicerina explode mesmo. Pelo menos dentro da minha cabeça...

      Abraço grande.

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