AINDA A VIDA

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AINDA A VIDA


 


*


Fosse este ainda o tempo em que eu sentia


Que, tal como essa flor, desabrochava


Da aridez de uma pedra nua e fria


Que, em troca, não me dava quase nada...


 


*


 


Mas não. É outro o tempo e a cada dia


Me descubro mais murcha e mais frustrada;


Não sei sonhar se vivo em agonia,


Nem florescer assim, estando vendada.


 


*


 


Nada invejo, porém. Estou velha e gasta,


Mas ver-te, flor rebelde, é quanto basta


Para saber que a vida vale a pena.


 


*


 


Da nudez do granito, pura e casta,


És grito a despontar na escarpa vasta,


Na rua ou na viela mais pequena.


 


*


 


Maria João Brito de Sousa – 20.01.20- 12.00h


*


 


NOTA - Soneto escrito para um desafio poético lançado pelo "site" Horizontes da Poesia. Também a imagem foi retirada do desafio desta semana. 


 


 


 

Comentários

  1. Bela flor
    que assim inspira tanto amor
    à nossa Poeta de eleição
    sem favor

    Boa semana inspirada MJ
    Beijinhos

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    Respostas
    1. Obrigada, Anjo!

      Que tenhas, também, uma bela e inspirada semana.
      Beijinhos

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  2. Quanta beleza e sentimento nestas palavras cheias de amargura,
    porém, se uma pequena flor consegue furar a pedra dura,
    também a Poetisa renascerá em esperança e vida,
    porque a vida de quem sonha, nunca será perdida.

    Que belo este terceto, querida Maria João:

    Da nudez do granito, pura e casta,
    És grito a despontar na escarpa vasta,
    Na rua ou na viela mais pequena.</i>

    Um beijinho Grande.

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    Respostas
    1. Obrigada, Janita

      Confesso que sim, que, desta vez, há mesmo muita amargura em mim e nas palavras deste meu soneto.

      Resta-me (ainda) acreditar nos que vão conseguindo ir-se identificando com esta flor, improvável mas muitíssimo real.

      Um beijinho grande

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  3. Maria Elvira Carvalho21 de janeiro de 2020 às 22:44

    E um desafio concluído com grande mestria. Um soneto muito belo.
    Abraço

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  4. Um belíssimo soneto, a que poderíamos dar o mesmo título que o grande poeta chileno Pablo Neruda deu a um seu livro: "Confesso que vivi".

    O tempo passa por nós, inexorável, mas para a Natureza parece que não passa, pois ela se renova a cada ano. Que bom seria se pudéssemos renovar-nos com ela! Não sendo isso possível, alegremo-nos ao menos com a renovação da Natureza.

    Ainda estamos a meio do frio inverno, mas as magnólias, aqui no Porto, já estão a desabrochar em grandes e lindas flores brancas e rosadas, anunciando a aproximação da primavera. É a Natureza a renovar-se mais uma vez. Já não são só as camélias que estão em flor (elas florescem no inverno); as magnólias também já florescem e, mais dia, menos dia, outras flores se seguirão.

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  5. Bom fim de Semana
    que a Neve regressou
    e tudo arrepiou

    Beijinhos

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