JUGO(S)

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JUGO(S) 


*


  


Estão claros, os dias. Que amarga aridez


Os cobre de grês abafando utopias?


Nas obras mais pias que julgas que vês,


Escondem-se os porquês das razões mais sombrias.


 *


 Crês que as avalias se as lês e relês,


Mas falhas se o crês, porque fazem razias


Causando avarias que advogam mercês...


Talvez, sim, talvez te ofereçam maquias


*


Que nem sonharias. Ah, que estupidez


Crer que alguma vez as não quererias


E as recusarias se, às duas por três,


*


Não vês, no que vês, senão regalias...


Restos, não fatias, virão, mês a mês,


Do jugo do arnês com o qual te atavias.


*


 


Maria João Brito de Sousa – 23.02.2020 – 14.48h

Comentários

  1. Belo, cru, verdadeiro Soneto.
    Realidade de tantos quotidianos, gente que vive amarrada ao jugo impiedoso daqueles que dando migalhas, julgam dar muito...Eu sei, minha amiga, eu sei.

    Um grande beijinho.

    (hoje os emojis não querem nada comigo. Nem me aparecem.)

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    Respostas
    1. Obrigada, Janita.

      Ele há tantos, tantos jugos... os piores, na minha opinião, são os dos cegos que não querem ver, não os de quem, como eu e tantas centenas de cidadãos portugueses, caminha para uma cegueira física que lhe é imposta por incapacidade financeira de recorrer a serviços de cuidados de saúde privados.

      Mas falemos um pouco de coisas alegres; sei que hoje é dia de festa e aproveito para renovar os meus votos de um muito feliz aniversário

      Um grande beijinho!

      (os emojis portaram-se bem comigo )

      Eliminar
  2. Em tons de humor
    e jocoso choupal em flor hé hé hé

    Beijinhos de aqui
    uma bela noite sossegada e aconchegada

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Anjo.

      Desculpa-me a demora mas tenho estado bastante pior de saúde.

      Beijinhos e uma boa semana para ti

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