25 DE ABRIL, SEMPRE!
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25 DE ABRIL, SEMPRE!
*
Chegou enchendo as ruas da cidade,
Pintando cada casa de vermelho,
Deixando que um do outro fosse o espelho
Que em cada um espelhava a liberdade.
*
Semeou as sementes de igualdade
Nas já cansadas mãos de cada velho
E do jovem também, sem um conselho,
Que tempo nunca teve, ou mesmo idade.
*
A todos pertencia e, por igual,
De todos foi repasto e comensal
Na grande mesa da libertação.
*
Fomos nós, povo, quem o conquistou
E a nós cabe lembrar que, se murchou,
Reavivá-lo está na nossa mão!
*
Maria João Brito de Sousa -24.04.2020 - 10.30h
Imagem carinhosamente roubada do blog Relógio de Pêndulo
ResponderEliminarAmanhã cantarei, à janela, a Grândola
Com o coração inundado de Tanto Mar
Nas minhas veias corre sempre um pouco de um Tejo que corre a abraçar esse Tanto Mar...
EliminarHoje, também eu cantarei Grândola
Também eu acordei com a Vila Morena na ideia e já a trauteei, mas a canção que hoje canto, lá no meu Canto, é outra. Há que mudar o paradigma das Cantigas de Liberdade.
ResponderEliminarMaria João, venho comunicar um furto que cometi, mas depois devolverei, ou não, sem sua permissão levei o belo Soneto que tem aqui à nossa mão. Sorry!..
Beijinho.
Não se preocupe, Janita; também eu descobri que tinha uma veiazita cleptomaníaca e "furtei" , "gamei" ou "surripiei" a imagem que o ilustra ao nosso companheiro do Relógio de Pêndulo
EliminarOutro beijinho com sabor a Abril!!!
Boa tarde Maria João.
ResponderEliminarQue belo soneto este sobre o 25 de Abril de 74 que eu não vivi com a vossa alegria, pois que dele só tive conhecimento no dia 26 e o povo por razões diferentes não festejou. Os independentistas, não sabiam ainda se o golpe no "Puto"( assim chamavam a Portugal por causa da sua pequenês territorial em relação a Angola) lhes daria a tão sonhada independência. Os outros temiam que o novo governo lhes desse a independência e fossem corridos das suas terras, ou perdessem os seus haveres em caso de independência. E pouco depois estalou a guerra. Só vim a festejar o 25 de Abril em 1976 já em Lisboa.
Abraço e bom fim de semana
Muito obrigada, Elvira!
EliminarEu soube no próprio dia, mas... tinha então vinte e um anos e uma filha com oito meses que estava com uma otite, ou uma amigdalite, já não me recordo bem. Era casada havia pouco mais de ano e meio e o meu marido estava de serviço no quartel, junto à Torre de Belém, tentando, com outros camaradas, pôr a funcionar os antiquíssimos canhões do forte ,segundo me contou depois. Temia-se que algumas potências estrangeiras pudessem acorrer em socorro da ditadura recém tombada. Sei que isto, hoje, parece uma tontaria, mas naquela altura os portugueses estavam todos em "ebulição", sobretudo os jovens militares e os que, como eu, já iam tendo alguma - muito incipiente, no meu caso - actividade política Da esfuziante alegria da libertação , passava-se, num abrir e fechar de olhos, ao receio de uma retaliação por parte de forças imperialistas. Nesse dia, ninguém sabia ainda como iria o mundo reagir a um golpe do teor da Revolução de Abril, que ainda nem sequer era a dos cravos. Estava-se muito em cima do acontecimento.
Não o soube através dele, pois estava incontactável. A boa nova foi-me dada pelo meu pai que me veio bater à porta de manhã muito cedo. Senti-me explodir de alegria e bem tentei ir para Lisboa mas não tive sorte nenhuma; os meus progenitores, ainda jovens, na altura, resolveram meter pés ao caminho e eu acabei por ter de ficar em casa com a minha febril filhota.
Só no dia seguinte consegui convencer a minha mãe a ficar com a menina e lá fui eu festejar o nosso primeiro Abril.
Ambas chegámos atrasadas, amiga...
Obrigada pelo pedacinho de História que partilhou comigo. Desculpe se este pedacinho que vivi e lhe deixo estiver confuso ou cheio de gralhas, mas estou particularmente "pitosga", hoje.
Forte abraço e um bom fim-de-semana
Por ser a minha primeira visita a esta sua sala atrevo-me a entrar (descalcei-me para não manchar o soalho), sem ser convidado. Mas a culpa é sua porque o seu poema me chamou e, sem que isso seja uma verdade absoluta, os poemas atraem-me (uns mais que outros, evidentemente), e sem rebuços dou por mim a lê-los de fio a pavio. Agora que já entrei e abracei o seu 25 de Abril poema não saio sem lhe agradecer e prometendo voltar a visitá-la para o prazer que terei em lê-la. Muito Obrigado
ResponderEliminarBem-vindo ao meu infindo livro virtual, Kok.
EliminarEste livro está sempre à disposição de quem o queira ler e fico muito contente por saber que os poemas o atraem (a mim também...) e que este soneto o "chamou".
Esteja à sua vontade; não estou segura do número, mas calculo que encontre aqui bastante mais de mil sonetos. Há-os em decassílabo heróico, em verso hendecassilábico com rima cruzada/interna, em verso eneassilábico, em verso alexandrino e até sob a forma de sonetilho, tendo por base o verso em redondilha maior.
Sou eu quem lhe fica muito grata pela visita e pela gentileza das palavras que aqui deixou;
Muito obrigada, Kok!
Querida amiga (permita-me esta intimidade -nunca real- porém nascida no virtual), o meu muito obrigado pela "aula" que aqui me ofereceu. Não sendo (nem de longe) um entendido nas ondas poéticas sou, no entanto, um apreciador que tanto me apraz navegar pelos dez canto dos Lusíadas como me interesso pelo simples verso que coroa um manjerico ou saboreio com o mesmo prazer as quadras populares de A. Aleixo.
EliminarAqui lhe deixo um cesto de coloridos obrigados, enfeitados e perfumados com sorrisos/Kok
Obrigada pela sua gentileza, Kok.
EliminarEstava muito, muito longe de imaginar estar a dar-lhe uma aula... estava, se bem me lembro, a abrir-lhe uma janelazinha sobre o tipo de poesia que por aqui iria encontrar
Quanto à abrangência do seu leque de eleições, não está mesmo nada distante da elasticidade dos meus próprios gostos poéticos; também eu salto de Camões para Aleixo, O`Neil ou Torga com a maior das naturalidades e tenho mesmo um blog dedicado à poesia em redondilha maior - asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt e outro dedicado ao verso livre e/ou branco liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt
Deixo-lhe um grato abraço poético.