"PELO SEU PRÓPRIO PÉ"

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“PELO SEU PRÓPRIO PÉ”


 


*


Há pouco, ouvi o canto insinuante


De um pedaço de verso. Um verso alheio


Que ficou a rondar-me e, neste instante,


Ecoa cá por dentro qual gorjeio


*


 


De ave que em mim pousasse e que, hesitante,


Em seguida mostrasse algum receio...


Não reisti. Segui-lhe o rasto errante


Quando partiu cantando. Que outro meio


*


 


Teria eu de ouvi-lo novamente


Se é livre cada pássaro que a gente


Sente pousar em nós, quando acontece


*


 


Ver-se ou ouvir-se um verso irreverente


Que canta e soa tão divinamente


Que tudo o mais ofusca e empobrece?


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 09.04.20-20 – 10.30h (?)

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