VERDADE(S) II

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VERDADE(S) II


(a da singularidade)
*


 


Creio na insustentável lucidez
Do verso acabadinho de eclodir
Que noutros se replica, achando vez
Pr`acrescentar-se até se despedir.
*


 


Creio no homem que consegue rir
E no que chora ao fim de cada mês
A fome que está farto de sentir
E a raiva que lhe impõe novos porquês.
*


 


Creio na irreverência dos felinos,
Na clara transcendência de alguns hinos,
Nos amanhãs que um dia cantarão,
*


 


Nas doutas obras e nas comezinhas
Coisas do dia-a-dia. Até nas minhas
Óbvias fraquezas, que tão fortes são...


*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 28.04.2020 - 16.30h


 


Imagem retirada daqui

Comentários

  1. Maria Elvira Carvalho29 de abril de 2020 às 13:56

    Mais um excelente soneto. A fome, foi, é e infelizmente continuará a ser um vírus sem vacina.
    Abraço e saúde

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Elvira!

      A fome, amiga, continua a ser uma das grandes pragas da humanidade, infelizmente.

      Sei que, por vezes, entro no campo da abstracção e falo de outras fomes, essas muito positivas mas, aqui, falo mesmo na que ainda ceifa muitas vidas...

      Forte abraço!

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  2. Da primeira vez que leio
    Parece lamento
    Uma vez mais, lido
    Parece um hino

    Lamento ou hino
    É verdade!

    ResponderEliminar
    Respostas


    1. "Lamento ou hino, é verdade"
      Tudo o que aqui deixei escrito
      E é produto da vontade
      Seja ou não seja bonito...
      *
      Ninguém canta a liberdade
      Num triste lamento aflito,
      Mas quando ela nos invade
      Num hino ou mesmo num grito,
      *
      Então, passou a mensagem,
      Em vão não fiz a viagem
      Ao mais profundo de mim!
      *
      Darei por bem acabada
      Esta longa caminhada,
      Quando chegar o meu fim.

      Maria João

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