"D" de DESVENDAR
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“D” de DESVENDAR
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(Em decassílabo heróico)
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Dedo-duro, disseste... digo, dizes
Dos desumanos dardos desta dor.
Direi dormir, dourar e decompor
Dogmas e dados em dez directrizes.
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Dei-te demais. Desenlacei deslizes
Dos deslocados dados do dador.
Demências dissequei. Do ditador
Derrubei dois demónios. Dois? Desdizes!
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Dócil Diana, deve-me ditados,
Dezenas de dedais, dúzias de dados...
Deve dar-tos depois. Descansa, dorme,
*
Divide em dúcteis dobras delicadas
Duas diagonais desencontradas;
Disseca-me e desfruta-me, ó disforme!
*
Maria João Brito de Sousa – 23.05.2020 – 15.40h
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Imagem - Tela de Jackson Pollock
Deve ser bem difícil conseguir este feito, de criar poemas em que todas as palavras começam pela mesma letra. Eu seria completamente incapaz de o fazer e admiro quem tenha talento para tal. É um talento extraordinário.
ResponderEliminarObrigada pela leitura e pelas palavras, Fernando.
EliminarNão, não lhe vou dizer que estes sonetos que se atrevem a pisar o território do Futurismo, do Surrealismo e do Pós modernismo, sejam de fácil construção. Podem é vir a ser muitíssimo importantes para a sobrevivência do soneto formalmente clássico, no meu entender.
Quando bem conseguidos, valem a peso de ouro cada minuto das horas que passarmos a dar-lhes sentido por detrás do caos de palavras que aparentam ser.
Abraço