INSTANTÂNEO DE UM PEQUENO MUNDO
![]()
INSTANTÂNEO DE UM PEQUENO MUNDO
*
Telas, mero refugo, coisa pouca,
Por cima da mobília envelhecida,
Uma cama, uma mesa, pão prá boca,
A osga-moura, a gata... a minha vida.
*
Ainda um sofá velho. Eis-me na toca
De cactos e palmeiras guarnecida,
Ante os livros do pó da sede louca
Da criatividade não rendida.
*
Orgulhoso cenário de combate,
Instantâneo deste eu face ao remate
De sessenta e sete anos de impotência;
*
Lúcida gargalhada, olhar perdido
No futuro de um mundo dividido
Entre verso e paixão pela Ciência.
*
Maria João Brito de Sousa - 01.06.2020 - 11.10h
*
Soneto criado sem a utilização de quaisquer formas verbais, inspirado no soneto JARDINS do poeta José Manuel Cabrita Neves.
E de bom versar
ResponderEliminardeixo este minhas palavras
de mais um belo dia desejar
Beijinhos MJ
Obrigada, Anjo!
EliminarQue tenhas um belo dia lá pela tua linda e florida serra!
Beijinhos
Neste redondo e infinito mundo o nosso mundo parece-nos pequeno e, todavia, ele é para nós enorme onde muitas vezes nos perdemos em quezílias fúteis e zangas sem sentido, em lutas inúteis e ódios sem motivos; e tantas vezes nos perdemos em paixões arrebatadoras que nos toldam os sentidos, e por muitos amores não correspondidos.
ResponderEliminarO nosso mundo faz finalmente sentido quando, deixando "lá atrás" tudo isso, encontramos quem nos ama completando o nosso poema.
Não gosto nem um bocadinho de quezílias inúteis e pueris e vivo num estado de paixão arrebatadora pela palavra. É uma paixão estranhamente pacífica, mas é paixão e cada pedacinho deste meu pequenino mundo faz todo o sentido... para mim.
EliminarQuanto a precisarmos de quem nos ame para completarmos o nosso poema, discordo. Discordo, pelo menos no que a mim me respeita. Sei bem que preciso de amigos leais, de companheiros de trabalho e de quem leia e, eventualmente, ame o que escrevo, mas não preciso de me sentir amada/sufocada. Creio que isso só faz sentido na nossa juventude, Kok.
Outro para si.