O ESTRANHO CASO DO DESCONHECIDO QUE VEIO MORRER NO MEU SONHO
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O ESTRANHO CASO
DO DESCONHECIDO
QUE VEIO MORRER
NO MEU SONHO
*
*
Deitou-se nos meus braços naufragados,
Esboçou um gesto e sem mais reacção
Morreu-me neles, de dentes cerrados
Feito um fardo de carne, um peso vão,
*
Os olhos inda abertos, encovados
Nas órbitas de um rosto em convulsão
E os cabelos àsperos, suados,
Roçando a minha naufragada mão.
*
Quem era? Quem não era? Não sabia
E o cadáver não mais responderia
Por muito que eu ainda perguntasse
*
Porque é que no meu sonho falecia
Sem se dignar explicar por que o fazia
E sem sequer esperar que eu acordasse.
*
Maria João Brito de Sousa - 27.06.2020 - 19.09h
Trágico mas belo.
ResponderEliminarNa qualidade de leitor, passa facilmente à de co-autor, através da sua interpretação, caro anónimo. Essa é a sua leitura e tem todo o direito a ela, mas nada havia de trágico neste soneto que é, todo ele, uma metáfora.
EliminarRepare que é um sonho e os sonhos não são nem deixam de ser trágicos, são sonhos. O morto pode na realidade não estar morto, nem ser sequer um ser humano ou um desconhecido. Eu posso, porque a poesia me concede essa liberdade, nem sequer ter tido, na realidade, um sonho assim... todos os personagens deste soneto podem ser meros símbolos.
Obrigada e desculpe-me este palavreado todo, mas... às vezes falo demais. Nem sempre, só às vezes
Trágico mas belo. E não anónimo.
ResponderEliminarAh, peço desculpa, Luís!
EliminarPrimeiro por tê-lo julgado anónimo e, depois... pelo discurso infindo, rsrsrs
Abraço
Trágico mas belo. Agora não anónimo.
ResponderEliminarPeço desculpa pela repetição da minha mensagem e por a primeira ter saído como anónimo mas sou ainda inábil nisto. Aceito e agradeço a sua explicação, li de novo com outros olhos. Obrigado.
EliminarL.
Fui eu quem o aborreceu com pormenores desinteressantes, Luís, desculpe.
EliminarCreio que serei cada vez mais inábil nestas coisas, ainda que me mova nelas há mais de doze anos; a minha acuidade visual é cada vez menor.
Abraço
Minha cara Maria João, nem pense que me aborreceu, fiquei muito honrado por me ter respondido, é bom trocar impressões. Eu é que desatei a pôr mensagens julgando que elas não estavam a passar.
EliminarDesejo-lhe que tudo corra da melhor forma para si.
Abraço
L
Muito obrigada, L.
EliminarAcredite que também eu gostaria de ter mais tempo para trocar impressões, mas o tempo voa tão mais rápido quão mais lentos vão sendo os meus olhos a tentar decifrar o que está escrito e o que escrevem os meus dedos...
Abraço
inspiração suprema
ResponderEliminarfazer de um pesadelo
um poema
sob a forma de soneto
Muito obrigada, Rogério!
EliminarAcredita que nem eu entendo muito bem onde arranjo olhos e força anímica para escrever tanto. De qualquer forma, estou muito contente por ainda conseguir fazer qualquer coisinha.
Forte abraço
Que as personagens dos sonhos morram ou vivam, é secundário; são apenas personagens. O que é importante é que o sonho não morra e, sobretudo, que não morra a capacidade de sonhar. Gostei muito. Um abraço.
ResponderEliminarFico-lhe muito agradecida e estou perfeitamente de acordo consigo, Fernando; o que importa é que o sonho não morra.
EliminarAbraço