MEMÓRIA SEMÂNTICA
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MEMÓRIA SEMÂNTICA
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(Soneto em verso alexandrino)
*
O dia entra a sorrir e vai-se num bocejo...
Ainda mal o vejo e sem me desmentir
Quase me faz sentir que sou eu que o protejo
Quando me abraço ao Tejo antes do Tejo ir
*
Ao mar que o engolir num abraço que invejo
Porquanto o que desejo é também conseguir
Como esse mar fundir num mesmo abraço ou beijo
Um derradeiro harpejo, e eu, quando a dormir
*
Nesse harpejo fluir para não mais voltar
Que a hora há-de chegar como pra todos chega
Em que a vida delega o que hoje a faz pulsar
*
E se existe no mar um cais que nada nega
Todo o que em si navega há-de nele aportar;
A Memória é o lar depois de uma refrega!
*
Maria João Brito de Sousa - 11.97.2020 - 14.08
*
Imagem - Biblioteca Municipal de S. Lázaro, Lisboa
retirada daqui
E gostei.
ResponderEliminarL
Obrigada, L.
EliminarAbraço
ResponderEliminarEntre o proteger o dia e o verso que flui, a Vida interliga o ponto de partida e o ponto de chegada... E a refrega parece exigir ainda mais espaço para caber inteira na Memória...
Obrigada por me fazer reflectir através da sua excelente mestria, Maria João!
Beijo amigo!
Obrigada, Lena B.!
EliminarAndo por aí feita Flash Gordon a saltitar de Coroa em Coroa...
Beijo amigo
Maravilhoso! Espero que esteja bem. Beijinhos
ResponderEliminarAh, Fashion, obrigada!!!
EliminarPerdoa-me. Há milénio que te não visito e não creio que o consiga fazer hoje. Ando numa maratona de sonetos no HP, mal consegui um bocadinho para preparar o almoço e almoçar...
Beijinhos
Ah, a intenção não era que me visitasse. Era apenas parabenizá-la pelo poema e saber se estava bem. Muitos beijinhos
EliminarObrigada pela simpatia! Estou a tentar recuperar de outra infecção estomatológica e tenho os pés feitos nuns trambolhos, mas ... rsrsrs, isso para mim já é o pão nosso de cada dia. O pior são mesmo os olhos. Já não vejo do esquerdo e o direito vai pelo mesmo caminho... e as cirurgias às cataratas parecem cada vez mais improváveis...
Eliminarbjs
"Impressos"
ResponderEliminarHá um mas que bate à porta
Porque a alma não vendes
Vendes a quem? Não importa
Não importas se não entendes
Mas estando a alma morta
Não existe o que pretendes
Caminhamos por rua torta
Morta a alma que mais tendes?
Muito importa a evolução
Muito menos a dignidade
Mas sobretudo há a canção
Onde se canta a saudade
Dos novos tempos que trarão
Almas impressas em felicidade.
Prof Eta
"Almas impressas em felicidade"
EliminarQue mais felicidade hão-de imprimir
E também uns momentos de saudade
Que tudo isso são coisas do sentir...
*
A alma ouve a proposta. Novidade
Mas disparate certo! Faz sorrir
Saber que compram almas que em verdade
Não têm preço e não querem partir...
*
Não há nenhum senão; Senão nenhum
Poder comprar a alma a qualquer um
Porque nenhuma alma à venda está
*
E às almas que voarem por aí
Com asas de albatroz ou colibri,
Ninguém por preço algum as comprará.
*
Maria João
Boa tarde, Poeta! Aqui vai com o abraço de sempre!
Desta vez é soneto, não sonetilho. O seu último verso tinha - tem - dez sílabas métricas...
Cara Poeta
ResponderEliminarQuerida amiga
Há um evento
Um concurso
Ou lá o que seja
Onde se esgrime poesia
Vamos a isso?
Ai, "balhamedeus", Rogério... eu só sei abraçar com poemas, não sei se me sairia bem a esgrimi-los...
EliminarBem, confesso-te que ando a treinar para isso, mas só tencionava pô-lo em prática quando a IA começasse a debitar sonetos. Aí sim, não me importaria nada de a bater, se não em quantidade, pelo menos em qualidade
Estou tramada! Por muito que te possa parecer que isto já é azar a mais e que estou a exagerar, hoje acordei mesmo cheia de dores e com um "joelho ao peito".
Mas telefona-me ou envia-me um mail, por favor. Eu sei lá se a Inteligência Artificial já aprendeu a sonetar. Se assim for, estou pronta a usar a minha espada de poeta com uma perna às costas... ou melhor, com um joelho ao peito
Abraço
A vida é um rio que corre inexoravelmente para um mar, onde todas as memórias trazidas por todos os rios do mundo se misturam e se (con)fundem.
ResponderEliminarQuanto à imagem que ilustra este soneto, confesso que fiquei cheio de vontade de conhecer por dentro uma biblioteca que só conheço por fora. Se eu soubesse o que existe lá dentro, já teria entrado. A biblioteca não é grande nem dá nas vistas e, por isso, confesso que nunca senti vontade de a visitar.
É curioso o facto de existir em Lisboa uma Biblioteca Municipal de S. Lázaro (a poucos metros da Rua de S. Lázaro) e existir no Porto... também uma Biblioteca Municipal de S. Lázaro (em frente a um jardim chamado de S. Lázaro)! A do Porto é oficialmente chamada Biblioteca Pública Municipal do Porto, mas é como Biblioteca Municipal de S. Lázaro que ela é mais conhecida. O grande Eugénio de Andrade dedicou-lhe um poema:
FIM DE TARDE EM S. LÁZARO
Estou sozinho. Nas estantes, restos
da minha vida. É quase
noite sobre os telhados.
No livro abandonado nas mãos
corre um rio: à deriva
duas ou três coisas que foram
minhas: um punhado de amoras,
a porosa delícia do barro,
essas nuvens, essas
aves num céu branco de trigo,
um sorriso
que também era um copo de água
A biblioteca de S. Lázaro do Porto é esta: https://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioteca_P%C3%BAblica_Municipal_do_Porto
Obrigada, Fernando.
EliminarA Biblioteca Pública Municipal do Porto é ainda mais antiga do que a de São Lázaro em Lisboa que conta já 135 anos de existência.
Lembro-me muito vagamente de ter visitado a de Lisboa, ainda em menina, pela mão do meu pai. Ambos gostávamos quase tanto de bibliotecas quanto de florestas e matas. Poderíamos ter sido dois personagens secundários do poema de Eugénio de Andrade...
Abraço
E que bom cunho
ResponderEliminarpra uma bela refrega
assim descrita
Bom e belo dia MJ
Beijinhos
Bom e belo dia também para ti, Anjo
EliminarO meu dia amanheceu ainda mais dorido do que o habitual. Mal consigo por-me de pé, acordei com um" joelho ao peito"
Beijinhos