PEÇO DESCULPA; NEM UM VERSO OUVI...

NA PRAIA.jpg


PEÇO DESCULPA, NEM UM VERSO OUVI...
*


 


 


Houvesse, hoje, um versito distraído


Que por aqui passasse por acaso


E que algo murmurasse ao meu ouvido,


Pra poder-vos dar conta deste atraso...


*


 


Fosse de pé quebrado ou mal medido,


Quase a desvanecer-se num ocaso,


Gago que fosse ou tão mal construído


Que em tudo semelhasse ângulo raso,
*


 


Que quisesse ser recto e não se erguesse


Um grauzito sequer que graça desse


A quem o visse ou lesse, por aí...
*


 


Mas este que encontrei sem voz, nem dono,


Tudo quanto fará é dar-vos sono;


Peço desculpa. Nem um verso ouvi.
*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 24.07.2020 - 14.30h

Comentários

  1. Brancas nuvens negras24 de julho de 2020 às 17:14

    Fazer versos a propósito da falta de versos é de grande mestria.
    L

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    1. Muito obrigada, L.... sinceramente, para mim, foi um último recurso. Uma tentativa de me não aborrecer demasiado com a Musa que, ontem, apanhou um susto tão grande que desapareceu desde que a levei ao hospital

      Abraço

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    2. Brancas nuvens negras24 de julho de 2020 às 17:21

      Presumo que teve um problema de saúde. Desejo-lhe as melhoras.

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    3. Digamos que sou um problema de saúde física ambulante, rsrsrs... vou sobrevivendo, mas de quando em quando apanho uns sustos valentes.
      Obrigada, L.

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  2. Maria Elvira Carvalho24 de julho de 2020 às 19:29

    Só uma poetisa da sua classe conseguia fazer um soneto assim à falta de inspiração.
    Abraço, saúde e bom fim de semana

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    1. Muito obrigada, Elvira. Só agora reparei bem que este é mesmo um soneto à falta de inspiração, rsrsrs...

      Abraço, muita saúde e um excelente fim-de-semana

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  3. Num bom sentido de humor
    bom fim de Semana
    boas ondas
    que o calor aperta
    e a alma desperta

    Beijinhos

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    1. Bom fim-se-semana, Anjo, que a minha "maquineta central" continua a portar-se menos bem...

      Beijinhos

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  4. Ó Querida, nem em tempo de pousio pousa para 'pairar'? É que mesmo este soneto é tão rico! Tão cheio de leituras! E nem precisa de voz para se fazer ouvir!!! Acordo todos o que o lêem!
    Qual sono qual quê!!! Até me acordou a mim que estou em total pousio!!!...
    Beijinhos em plena paragem em busca de coragem!

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    Respostas
    1. Desculpe-me o erro! É o poema que acorda todos os que lêem, não eu...
      Muita LUZ e Coagem! Bj.

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    2. Obrigada, Lena B.

      Foi escrito à revelia da Musa, garanto! A minha maquineta central anda meia avariada e a Musa tem mais medo do que eu, rsrsrs...

      Vou tentar explicar-me melhor; todos ou quase todos os meus sonetos nascem a partir de um pensamento que me ocorre e que traz determinada musicalidade. Não tem nada a ver com "ouvir vozes", tem a ver com esta minha constante conversa com os meus próprios botões, sondando, divagando, analisando, etc,etc. A partir daí, os poemas começam a desenrolar-se naturalmente, como fios de meadas... Com este soneto não foi nada assim. Tive de me forçar a escrevê-lo , só para ver se a Musa acorria à chamada

      Força, Lena B.! Esta caloraça também parece não ser muito apreciada pelas Musas, nem pelos motores centrais

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