TRIÂNGULO AMOROSO

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TRIÂNGULO AMOROSO
*


(Soneto em verso alexandrino)
*


 


Sinto-me sonhadora, assumo-me seareira!


Vou dar-me em sementeira e antes de ir-me embora


Serei a plantadora-aspirante-a-ceifeira


Que acende na lareira o verbo em que se explora.


*


 


Estatueta que decora/enfeita a prateleira


Coberta da poeira e dos livros de outrora,


Escravizada senhora a vida (quase) inteira,


Sobrevivo hoje à beira e ao espanto da escritora.
*


 



Serei talvez pintora... ainda que assim seja,


Que o verso nunca o veja! Escondo-lho sempre em vão,


Que julga haver traição, explode em ciúme e inveja...
*


 


Por muito que eu proteja a dupla relação,


Reclama sem razão e exige-me que esteja


Tão só no que corteja ardente de paixão!


*


 



Maria João Brito de Sousa - 04.07.2020 - 16.00h

Comentários

  1. Isto de triângulos amorosos nunca deu bom resultado, porém, aqui, resultou em cheio!
    Belo e algo insólito este poema que gostei bastante de ler e reler.

    Beijinho, Maria João.
    Bom domingo.

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    Respostas
    1. Obrigada, Janita!
      Sim, este triângulo é algo insólito, mas é bem real para mim... e já aprendi a conviver com ele

      Beijinho e bom Domingo!

      Eliminar

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