ANTIGOS MEDOS

valquiria-medo.jpg


Imagem retirada daqui


 


 ANTIGOS MEDOS
*


(Soneto em verso alexandrino)
*



Trágico era esse medo, esse terror imenso


De nevoeiro denso abrindo manhã cedo


As portas ao segredo, à ausência de bom-senso,


Pairando tenso, tenso ali, como arvoredo,
*


 


Silente como um credo e em tudo o mais pretenso...


Terá, segundo penso, arestas de rochedo


E avança qual degredo ousado, amargo, intenso,


Até ficar suspenso e apontando o dedo
*


 


Àquele que ficou quedo, aprisionado em si.


Tudo isto, em tempos, vi, tudo isto presenciei,


Tudo isto analisei até que percebi
*


 


Não ser o que escolhi. Só desta forma sei


Quão bem me preparei para o que afirmo aqui;


Se então sobrevivi, mais sobreviverei.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 26.08.2020 - 14.20h


 


 

Comentários

  1. Sem dúvida, L., sobretudo quando conseguimos racionalizá-los e sobreviver-lhes.

    Obrigada e um abraço

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  2. Obrigada, Elvira!

    Para mim, os grandes medos existiram, sobretudo, durante a infância, como é natural... depois, aos poucos, fui-me deixando conquistar pela análise do medo e pelas melhores formas de o combater, ou de aprender a conviver com ele, caso fosse um medo real, inevitável...

    Forte abraço e muita saúde

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  3. "Que mistério é o da vida"
    Que assim me prende e fascina?
    E prossigo, decidida,
    Na trilha da minha sina
    *
    Ainda que dividida
    Entre aquilo que se ensina
    E a coisa percebida
    Pela luz que me ilumina...
    *
    Toda a vida é movimento,
    Nunca pára o pensamento
    Ainda que reconheça
    *
    Que a certeza é coisa incerta;
    Cada nova descoberta
    Junta ao Puzzle uma outra peça!

    *
    Mª João

    Bom dia, bom dia, Poeta!
    Cá vai, apesar das muitas dores na perna infectada (erisipela ou celulita infecciosa)

    Abraço grande

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  4. Muito obrigada, Piedade!

    Acredito que, com o tempo, vamos aprendendo a distinguir os medos reais e inevitáveis dos medos absurdos que são inúteis e perfeitamente evitáveis.

    Admito que não seja uma "escalada" muito fácil, mas é possível e dá sempre magníficos resultados.

    Beijinhos

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  5. Ó se faz, Lena B.!

    Um grande beijinho e um forte abraço; "vinguemo-nos" aqui , neste espaço asséptico, das cotoveladas do dia a dia

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