NÓ-CEGO

NÓ-CEGO
*
Tudo quanto é matéria se dissolve,
Se espalha por aí desfeito em pó
E enreda-se o fio e surge o nó
Da saudade maior que nos envolve.
*
Nó decisivo que ninguém resolve,
Definitivamente agreste e só,
Nascido pra magoar, pra criar dó,
Nó-cego desta dor que nos revolve...
*
Nódoa caída no mais puro pano,
Inamovível falha a causar dano
Na manta já tecida, fio por fio,
*
Dia após dia, um ano após outro ano;
Por cada fio, um nó acorre insano
Sem ter escolhido o pano em que caiu...
*
Maria João Brito de Sousa - 20.09.2020 - 11.36h
Imagem retirada daqui
Poema da inevitabilidade. Muito bonito apesar do tema.
ResponderEliminarSaúde e bom dia.
L
Brancas Nuvens Negras
Há sim, L., claro que há inevitabilidades, embora eu não seja, de forma alguma, uma defensora dos "inevitabilismos"...
EliminarObrigada e um forte abraço
Um poema cheio de sentimento! Penso que demonstra que há coisas que não estão nas nossas mãos, não dependem do que queríamos ou não. Palavras para refletir, obrigada minha querida amiga muitos beijinhos e um feliz outono 🙏🌷
ResponderEliminarÉ isso mesmo, Sandra, há coisas que não estão nas nossas mãos embora acredite que as devamos manter ocupadas tentando tornar possíveis os impossíveis...
EliminarManter-me viva durante este Outono/Inverno será a minha grande meta, a curto prazo
Beijinhos
De facto, por muito inacreditável que possa parecer, nada é o que parece! Nem o nó (cego) é sólido! Aliás, nada é sólido! E quando descobrimos que temos a capacidade para transformar o sólido em líquido, o líquido em gasoso e o gasoso em etérico, descobrimos que a transformação é real! Nada mais é o que parecia ser!
ResponderEliminarBeijinho em transparência!
Tens razão, Lena B.
EliminarQuando acedemos ao universo "nano", descobrimos que nada é sólido... mas a verdade é que a minha L2 foi literalmente esmagada pelo peso de um corpito de não mais de 60 kgs... e eu só vôo através dos poemas, não me passaria pela cabeça tentar provar, ao vivo, que Newton estava enganado.
Perdoa-me se te parecer que estou a ser demasiado materialista. Queria apenas dizer que tudo é relativo e que a nossa humana estrutura molecular não se compadece de quem tente contrariá-la...
Eu sei que a realidade não é exactamente aquilo que os meus olhos vêem, que vai muitíssimo além disso... mas é a realidade que nos foi fisicamente proporcionada pela evolução, a mesma que nos concedeu a capacidade de raciocinar, experimentar e aprender até à morte...
Beijinho em sincera transparência
Minha Querida Maria João, os nossos 'nano'passos de aprendizagem de Vida são 'isso mesmo' e recorrem à fragilidade forte da ARTE para transformarem esta realidade newtoniana na transparência da LUZ! Difícil e bem sofrida passagem!
EliminarBeijo leve e luminoso!
Bem sofrida, sem dúvida, Lena B...
EliminarSabes, penso que a arte é sempre forte, embora esteja quase invariavelmente em posição de fragilidade perante outros "produtos" mais aliciantes e mais mediáticos... frágil, mesmo frágil e vulnerável, é quase sempre aquele que a cria. Porque aparentemente não é útil, não paga contas, não rende um "chavo", não aquece, nem serve para comer(na opinião de muitos, claro...)
Tendemos a esquecer que a arte tem sido um dos grandes motores da nossa evolução enquanto seres pensantes. Tendemos a menosprezá-la e ela sempre foi um dos nossos grandes pilares...
Desculpa se te pareci brusca na minha anterior resposta. Não era isso que pretendia.
Beijinho em transparência
De facto, por muito inacreditável que possa parecer, nada é o que parece! Nem o nó (cego) é sólido! Aliás, nada é sólido! E quando descobrimos que temos a capacidade para transformar o sólido em líquido, o líquido em gasoso e o gasoso em etérico, descobrimos que a transformação é real! Nada mais é o que parecia ser!
ResponderEliminarBeijinho em transparência!
Maria João
ResponderEliminarUm soneto cheio de dor e mágoa e sabemos porque.
Muito belo na sua tristeza.
Muita força na sua dor.
A foto está muito bem escolhida!
beijinhos
:)
Piedade Sol
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
e ainda outro grato beijinho, Piedade!
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