UM PÃO QUE NÃO TEM PREÇO

UM PÃO QUE NÃO TEM PREÇO
*
A grandeza do poeta não se mede;
Em metros não se conta. Em peso, pesa
Exactamente quanto a natureza
De mãos dadas c`oa sorte lhe concede.
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Se a verso usado um novo se sucede,
De espantos se lhe mede essa grandeza
Pois se o não satisfaz certa certeza,
Procura a que lhe dê mais que o que pede.
*
Cavalga-me o poema os dias mornos
Sem esporas e sem sela, nem adornos,
Perdendo-se em lonjuras que não meço...
*
Logo um segundo acode. Os seus contornos
Começo a vislumbrar. Acendo os fornos
Em que cozinho um pão que não tem preço.
*
Maria João Brito de Sousa - 26.09.2020 - 12.11h
Imagem - Os Comedores de Batatas - Vincent Van Gogh, 1885
Muito interessante este seu poema que fala desta ocupação espiritual que nos preenche e nos ajuda a continuar no nosso caminho.
ResponderEliminarAgradeço o seu endereço electrónico do qual tomei nota, pode por isso anular a referência no meu blogue. Obrigado.
Até logo.
Muito obrigada pelas suas palavras, L.
EliminarCada vez estou mais lenta e algo lerda, rsrsrs... ah, lerda apenas no sentido de estar muito dividida entre a vontade de escrever e a indicação médica de algumas semanas de repouso absoluto com as pernas elevadas. Pode-se lá imaginar pior castigo para quem anda há anos a ver decrescer a sua autonomia e, de corpo e alma, vai muito além da prudência para tentar contrariar essa inevitabilidade? Detesto estar de barriga para o ar sem fazer nada; habituei-me a pensar enquanto leio ou escrevo e até mesmo enquanto faço as pequeninas tarefas caseiras que ainda estão ao meu alcance...
Mas vou já apagar o que deixei no seu blog, obrigada.
Abraço
Mais um belo poema amiga.
ResponderEliminarLamento que as melhoras não venham e que tenha de continuar nessa posição.
Abraço, as melhoras e bom fim de semana
À margem:
Já tenho o computador em casa, mas em 6 horas já se encerrou 8 vezes o que quer dizer que se não está melhor está pouco melhor apesar de desta vez eles me dizerem que substituíram uma peça. Noto diferenças, está mais rápido e o ecrã de encerrar voltou a ser azul. Passara a ser verde quando o problema começou. Vamos ver como se porta amanhã, mas se continuar assim, volta para lá na segunda-feira.
Muito obrigada, Elvira!
EliminarConfesso que não tenho cumprido, nem seguido à risca esta prescripção/pena de tortura; para mim, passar os dias deitada sem nada fazer QUASE equivale à famigerada "tortura da estátua" que, em tempos, a Pide impunha aos que lhes caíam nas garras... bem sei que falta o "quase", mas... já me vai bastando não ter dentes com que mastigar os alimentos, nem olhos funcionais que me permitam ler e escrever tudo quanto necessito. Já me basta ter perdido 90% da minha autonomia e ter de me aguentar com um motor () todo avariado...
Quanto ao seu computador, nem sei que lhe diga! Estas maquinetas são, por vezes, muito caprichosas, mas continuo a achar estranhíssimo que o seu se desligue em sua casa e se comporte exemplarmente na oficina do técnico
Bem, para lhe dizer a verdade, o meu também se desliga facilmente. Basta eu deixar de teclar durante uns cinco minutos e... vai-se a imagem, a ligação... tudo!
Acabei por considerar que era uma característica dos novos computadores e, quando quero que ele se mantenha "vivo" enquanto eu lavo a louça, ou estendo a roupa, ponho um filme a rodar ou deixo-o ligado numa estação de rádio. Se estiver a receber um estímulo ou a exercer uma função, o bicharoco não se me desliga. Não sei se este truque resultará com o seu...
Forte abraço
Saboreio teu pão, amiga
ResponderEliminare continua a dar-me
o pão nosso de cada dia
como se fosse reza
pão da alma
...não sei o que aconteceu
Eliminarmas esse anónimo sou eu
Obrigada por o sentires dessa forma, Rogério!
EliminarEscrevo porque se não escrevesse a minha vida não faria qualquer sentido...
Forte abraço
Não te preocupes! O que te aconteceu não foi nada que a mim me não tivesse também acontecido.
EliminarUm soneto sensivel e cheio de dor.
ResponderEliminarCusta a passar, aliás não passa.
Apenas atenua.
Piedade Sol
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
Obrigada, Piedade.
EliminarÉ exactamente como diz; apenas atenua.
Beijinho grande