A "SOIRÉE"

SOIRÉE.gif


Imagem retirada daqui


 


A "SOIRÉE"
*



Não tenho tempo para não ter tempo


Que enquanto crio o tempo cristaliza


E o ponteiro das horas mal desliza


No eterno mostrador do pensamento.
*


 


Desse não-tempo retiro o sustento


E dessa ausência estática, concisa,


Ressurge a musa etérea, essa indecisa


Que viaja em rajadas, como o vento.
*


 


Outro cenário emerge. O novo palco,


Que afinal é o mesmo... ou já não é?,


Faz-se expressão de um mundo que decalco
*


 


De um sargaço ao sabor de uma maré;


Talvez seja outra onda o que recalco


Enquanto o mar encena esta "soirée".


*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 09.10.2020 - 18.24h


*


Soneto inspirado numa crónica/poética de MEA (Maria da Encarnação Alexandre)

Comentários

  1. quanta beleza nestas descrições, nestes cenários! Gosto muito da relação com o tempo e o mar muito inspirador! Beijinhos, dia muito risonho minha amiga querida 🌷🍀🌼😘

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Sandra!

      Ontem li muito e escrevi muito, fiquei com os olhos feitos num oito de tanto teimar em ver através das cataratas...
      Hoje vou tentar descansar um pouco, usando esta maquineta como rádio ou fazendo dela o televisor que não tenho...

      Beijinhos e um dia muito feliz!

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  2. Brancas nuvens negras10 de outubro de 2020 às 16:09

    Muito bonito este poema. Acho que a Musa, que a Maria João tanto procura, afinal vive aí consigo.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, L.

      Em parte tem razão, mas a minha musa é tão lábil quanto eu sou estável e teima em fugir sempre que me sente mais fragilizada...

      Creio que fiz dela o meu alter-ego

      Um abraço

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