CHAMAR A MUSA

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CHAMAR A MUSA
*


 


Onde estás tu, ó Musa por quem nutro


Tanto respeito e tal cumplicidade?


Não te procuro mais porque, em verdade,


Sei que ressurgirás num verso abrupto,
*


 


Pois num só verso guardas o produto


Do verbo (in)conjugado que me invade;


Passeias-te nas ruas da cidade


Que em tempos idos foi o meu reduto?
*


 


Por ti nunca desci da luta ao luto,


Contigo fui poeta sem idade,


Em ti depositei a flor, o fruto,
*


 


E a semente gestada em castidade;


És aquela que sou, em estado bruto,


Feita de mar e sonho e realidade!
*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 06.10.2020 - 13.31

Comentários

  1. Brancas nuvens negras6 de outubro de 2020 às 14:39

    Um poema que nos diz que a Musa, não estando, afinal está.
    O seu saber dá a volta ao assunto.
    Abraço
    L

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    1. Obrigada, L.

      Por vezes, ainda que ande ausente, ela volta quando começo a escrever :) No geral, aguardo que um verso se me imponha, como se um novelo que me caísse no colo. Depois é só ir desenrolando o fio...

      Abraço!

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  2. A Musa aparece no momento mais inesperado mas mesmo sem musa, da amiga querida só leio palavras encantadas e cheias de sentimento! Beijinhos mil, tarde muito feliz minha querida amiga 🍀🌻🌷💙

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    1. Se aparece, Sandra! Ainda me lembro bem das vezes sem conta em que ela se lembrava de me brindar com um verso quando estava a meio do duche diário e me fazia (ainda podia...) saltar da banheira e vir a correr para teclar o poema inteiro.

      Obrigada e um grande beijinho

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    2. Muito bom, chegar ao ponto de sair do banho para tomar notas! Só a minha amiga linda! Isso só prova que tem uma alma gigantesca e linda, cheia de poesia🌷🍀🌷💙

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    3. Não sou só eu, Sandra, rsrsrs... é bem provável que haja muitos poetas a fazerem-no e eu sei de um que o fazia mesmo
      ; o meu avô, António de Sousa. Porém, nenhum de nós tomava notas, ambos partíamos - eu ainda parto... - para o poema inteiro a partir de um verso inicial. O bom esboço deve poder ser parido em muito poucos minutos. Depois se fará uma revisão... ou duas, ou três, pouco se mexendo no que à primeira foi parido. Quando a pressa nos não cega e nos faz publicar o poema tão nu e cru quanto nasceu, claro.

      Mas quem fala em saltar da banheira, também fala em queimar um tacho de arroz, esquecer-se de vestir uma ou mais peças de roupa, deixar o leite ir por fora, deixar um parceiro de xadrez pendurado do lado de lá do ecrã, etc, etc...

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  3. Com alegria
    um bom e belo dia
    também às palavras de sintonia
    que a todos nos identificam

    Beijinhos e um belo dia de Sol MJ

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    1. Obrigada, Anjo!

      Nesta altura do ano, o Sol faz uma boa parte do seu percurso ascendente por detrás de uma das torres do Palmeiras Shopping, bem em frente da minha marquise. Estou mergulhada numa espécie de lusco-fusco...

      Beijinhos

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  4. Brilhante, Maria João! O mar, o sonho e a realidade transmitem, de facto, a fluidez da água nas ondas do mar, o ar etérico do pensamento sonhado e a realidade fosca que tenta moldar-se à forma que quer emergir da semente!
    Extraordinária introdução àquele ditado mexicano que diz: Tentarem enterrar-me! Não sabiam que eu era semente!
    Beijo do interior da semente!!!

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    1. TENTARAM...
      Foi gralha que não consegui emendar...

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    2. Obrigada, Lena B.

      Sim, somos sementes. Como tal nos temos comportado ao longo de milénios e milénios.

      Sabes, sei que estas metáforas estão mais do que exploradas, mas a verdade é que sempre que são, digamos... "recicladas", há sempre qualquer coisa de novo em cada uma dessas "reciclagens".

      Este soneto está a crescer, no HP Em 48 horas já deu catorze frutos

      Beijo do interior da semente!

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    3. Brilhante minha Amiga! Parabéns!
      Não tenho ido ao HP... mas, uma coisa é certa: as metáforas nunca se gastam porque há "sempre algo mais" que fica "sempre por dizer" depois de já se ter dito tudo...
      Talvez esta noite coloque no HP o meu 'textinho' sobre a semente "metamorfose"... Espero que gostes.
      Beijo de dentro da semente!


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    4. Lê-lo-ei amanhã, Lena B., que à noite, não vejo quase nada... aliás, a esta hora já pouco vejo e estou com a cabeça a estalar do excesso de esforço de leitura e escrita. Ontem ainda consegui escrever um soneto por volta das 22horas, mas o esforço foi tremendo e fiquei derreada de todo.

      OBRIGADA e um beijo de dentro da semente

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