JANGADA III

JANGADA III
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Teimosamente eleva o frágil mastro
E mais teimosamente segue em frente
A poética jangada, a transparente
Insurreição do poeta contra o astro.
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De pouco se sustenta e, por arrasto,
Transporta o verso. Os poemas, em semente,
Ora tombam no mar, ora na gente,
Mas não perde a jangada força ou lastro.
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Não busca mais um cais, que o cais que traz
É já porto e destino derradeiro
De coisa que a si própria se refaz
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Depois de ter cruzado o mundo inteiro
Sempre a sonhar um dia ser capaz
De vir a naufragar qual marinheiro.
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Maria João Brito de Sousa - 27.10.2020 - 12.08h
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Ao meu avô, António de Sousa
Gravura de capa da autoria de Alice Brito de Sousa, minha avó
A descrição de uma vida em forma de poesia. Neta de artistas perpetua essa inclinação. É com talento.
ResponderEliminarObrigado e boa tarde.
L
Sou eu quem muito lhe agradece a leitura e as palavras. L.
EliminarForte abraço
É tão bom
ResponderEliminarter tido um avô
Eu tive
E agora sou
Chegou a hora de usar...
Esse avô aí de cima sou eu...
EliminarJá vi, Rogério, já vi :)
EliminarPelo visto, herdei-lhe esta jangada na qual tão perfeitamente naufrago...
Obrigada e um forte abraço
Os teus versos singram os mares e ganham o Brasil, como o fizeram Vasco e as velas de Dom João VI. Mas a velocidade desses poemas é a mesma da luz nesta IV Revolução Industrial.
ResponderEliminarPara agradecê-la, arrisco-me nesta trova:
Atravessando os mares
vêm todos os belos versos
com muito estro a formares,
Poeta que encanta universos!
Que Deus te dê saúde paz e amor!
António Ferreira,
Belém-Pará - BRASIL
Muito obrigada, poeta amigo António Ferreira!
EliminarUm forte abraço desde este lado do Atlântico!
Bonita homenagem MJ
ResponderEliminarBeijinhos e um belo dia com alegria
Obrigada, Anjo!
EliminarUm belo dia para ti também!
Beijinhos