SONETO CONTRA-NATURA

SONETO CONTRA-NATURA
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Burile-se o soneto qual escultura
Mas só depois de impresso. Quando brota
Deve ser jorro em natural ruptura
Com a extrema prudência que denota.
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Curto tamanho, pequena estatura
Tem o soneto e escolhe a própria rota
Ainda que ela o leve à sepultura
Rindo de si pra não fazer batota.
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Mas se em tão curto espaço cabe inteiro
Nem sempre o que contém é tão ligeiro
Quanto o do que hoje trago e que desmente
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Quanto quero dizer e só desdigo
Na pequenez do pouco que consigo
Grafar letra por letra, lentamente.
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Maria João Brito de Sousa - 16.11.2020 - 13.59h
Mesmo do soneto se faz um soneto. É brilhante de criatividade.
ResponderEliminarUm abraço
L
Muito obrigada, L.
EliminarEste tem o estranho nome que tem porque foi criado, não em jorro, como todo o bom soneto deve nascer, mas palavrinha a palavrinha, à velocidade de uma lesma.
Forte abraço
Grafando letra a letra e lentamente,
ResponderEliminarCompões o teu soneto extraordinário,
Ditato por tu'alma, o santuário
Onde germina a imortal semente.
E nesse curto espaço inconsistente,
Tu dás a dimensão de um grã-sacrário
Com a pedra angular num campanário
Tangente em vibrações que a alma sente
Com a grandiosidade do que dizes,
Tendo a semente com suas raizes
Na alma e os sobranceiros, grandes ramos
Nossas almas sombreiam, com matizes
Tão multi-coloridos quão felizes
Nós nos tornamos quando o escutamos!
Abraço fraterno! Laerte.
Falham-me os olhos, vão falhando os braços
EliminarE até o coração me vai falhando
Inda que sobre as teclas vá teimando
Em ser mais forte do que os meus cansaços.
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Se galopa o soneto em seus compassos,
Este, coitado, nem sequer trotando
Se soube construir. Foi-se apoucando
Na lentidão dos débeis ou madraços...
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Mas lá se construiu, pese este peso
Que o prende a tudo aquilo que eu desprezo,
Rastejando, talvez, mas não vergado
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Ao que assim o tornou fraco, indefeso;
Arriscou tudo e, enfim, chegou ileso
À praia onde julgou ter naufragado.
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Maria João Brito de Sousa - 17.11.2020 - 13.10h
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Muito OBRIGADA!
Envio-lhe o meu sempre grato abraço, Laerte!
“À praia onde julgou ter naufragado.”
EliminarMeu Deus, ah, que beleza sacrossanta!
A luz desse teu verso é tanta, tanta,
Que eu não consigo olhar a outro lado!
Só enxergo o belo à frente; único dado
Que a lucidez tamanha que suplanta
Sol, diz a mente mandar à garganta
O grito de vitória: Eureca, é achado!
Eis que o divino, enfim, fez-se à praia!
É o belo! É ele agora que se ensaia
A dominar a alma do universo!
O nauta errante e náufrago, na raia
Da tenebrosa morte, despe a alfaia
Para vestir-se do mais belo verso!
Meu abraço e minha admiração estupefata - jamais vi algo tão belo - salvou-se à praia pensando estar morrendo... É demais para este aprendiz de feiticeiro! Desculpe responder aqui, mas não suportei a beleza do verso, tão instigante, Maria! Tu é divina! Não divinal, apenas... Laerte Tavares.
Exagero seu, Laerte, mas fico-lhe muito grata pela gentileza.
EliminarJá que não tenho estado mesmo nada bem nestes últimos tempos, creio que me não levará a mal se publicar hoje, quarta-feira, uma parte desta nossa conversa em soneto num post, neste mesmo blog.
Fraterno abraço
Muito belo o poema, com um jeitinho neoclássico.
ResponderEliminarBeijo de boa noite.
Ana Tapadas
EliminarMuito obrigada, Ana!
EliminarO soneto é assim; clássico na forma, intemporal na musicalidade e uma janela aberta sobre todos os tempos, no conteúdo.
Beijo
E com alegria
ResponderEliminarbom dia
que o Sol brilha
em toda a sintonia Beijinhos
Que tenhas um belo dia de , Anjo!
EliminarBeijinhos!