AFÁVEL-MENTE

AFÁVEL-MENTE
*
Ó minha amada mente, afavelmente
Empenhada em sondar e desvendar;
Sente e deduz, que existes pra criar
Toda a beleza que a voz te consente.
*
Se é certo que outra mente te desmente,
Menos certo não é não te importar
Que exista quem te queira desviar
Da musicalidade em ti presente.
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Amavelmente, ó mente, irás cantar
Enquanto fores fiel e coerente
Com essa forma de ser e de estar;
*
Imprevisível és, provavelmente,
Mas tão certeira quanto o despontar
Do fruto que antes foi mera semente.
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Maria João Brito de Sousa - 20.11.2020 - 13.41h
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Imagem retirada daqui
"O fruto que antes foi mera semente",
ResponderEliminarNasceu do arbusto que frutos produz
A produzir semente e a fazer jus
A tal germinação que o arbusto sente
Ser o ciclo vital e eternamente
Na fotossíntese entre o ar e a luz
Se perpetuará e nos induz
A ver o humano ser, ser diferente.
O humano ser normal se perpetua
Como semente pela prole sua
A dar sementes através de um filho.
‘Maria se mente és’ na alma que atua,
Perpetuar-te-ás pela obra tua
Na imortalidade, pelo brilho!...
Grande abraço! Laerte.
"Na imortalidade, pelo brilho",
EliminarHá-de impor-se o soneto que me encanta,
Com sua graça infinda; tanta, tanta,
Que brilha mesmo enquanto sonetilho.
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Da fraca verve com que hoje o polvilho,
Nasce o fio do soneto e cresce a manta
Em que a palavra canta e se acalanta
Já livre do que dizem ser espartilho.
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Nesta amplitude imensa me deponho;
Lucidamente bebo o mel de um sonho
Que bem sei, nunca irei concretizar.
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A vós, ó sonetistas, eu proponho
Que brindeis com a taça do medronho
Que fui plantando neste meu pomar.
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Maria João Brito de Sousa - 21.11.2020 - 11.50h
Com o meu fraterno abraço, Laerte!
“Que fui plantando neste meu pomar.”
EliminarPlantaste poesia, sonho, amor!
Toda semente, seja do que for
Germinará em espécie similar.
Assim, Maria, vejo em teu plantar
A semente de luz, o esplendor
Renascerá do teu grande valor
De sonetista hors concours sem-par!
A tua obra será imortal
Pela perenidade como tal!
E, assim, como queríamos demonstrar
Maria, há de brilhar em Portugal
Por sua obra tão monumental,
Plantada em Pantheon de seu pomar!
Abraço grande! Laerte.
"Plantada em Pantheon de seu pomar"
EliminarEstará a sua obra, companheiro,
Que agora estou cativa a tempo inteiro
Disto que escrevo e do que ousei plantar.
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Sem tamanho ou estatuto pra brilhar,
Só quero brilho sobre este canteiro
Que cresce de Janeiro até Janeiro
Enquanto eu cá estiver para o cuidar.
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Depois... depois a vida continua,
Passa-se o testemunho, o verso estua,
Talvez ecoe ainda, no futuro.
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Talvez outro poeta, à luz da lua,
Se lembre desta casa, nesta rua,
E nela veja a ponte em vez do muro.
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Maria João Brito de Sousa - 21.11.2020 - 16.33h
:) Outro abraço grande, Laerte!
Eliminar“E nela veja a ponte em vez do muro.”
Em ti está a ponte onde transita
A tua obra rumando ao futuro
E seguirá nessa rota infinita
Para galgar o tempo como puro
Encantamento! Se além de bonita
Tem consistência, eu te asseguro
Não ser em tua casa onde ela habita.
A tua obra pertence ao universo
Por ser universal e qualquer verso
Saído de tua doce alma criadora,
Pertence ao mundo, de ti, tão diverso,
Embrutecido e o teu cantar inverso
Dá à luz o belo que o universo doura!
Meu carinho! Laerte.
O SONETO
Eliminar"Dá à luz o belo que o universo doura"
Quem ao soneto queira como eu quero
Se desse amor espontâneo, são, sincero,
Nascer a flor que o fruto comemora.
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Que a cada dia cresça, a toda a hora,
Com a alegria que aqui recupero
E a melodia com que hoje o tempero,
Fruto que irmane este que colho agora.
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Que soe musical, harmonizado,
Que espelhe o pasmo de nascer espantado
Do breve instante em que se improvisou.
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Que volte a ser presente e não passado,
Que no futuro venha a ser cantado
Porque é muito maior que isto que eu sou!
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Maria João Brito de Sousa - 22.11.2020 - 13.06h
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Com o meu carinhoso abraço, Laerte!
Bom fim de Semana com alegria
ResponderEliminartambém pró Sol deste bom da '.~)
Beijinhos
UPSSSSSSSSS
ResponderEliminarBom fim de Semana com alegria
também pró Sol deste bom dia '.~)
Beijinhos
Bom dia, Anjo, que por aqui também o vai brilhando para todos, pelo menos por enquanto...
EliminarBeijinhos!
O que somos seremos mesmo que por debaixo do que aparentamos.
ResponderEliminarGostei muito do poema.
É verdade, L. :)
EliminarAinda que despidos de capas fictícias e de outros ornamentos, os olhos dos outros ver-nos-ão bem diferentes daquilo que os nossos próprios olhos de nós vêem.
Forte abraço
Entro pobre, saio mas rica, graças à riqueza de poesia que por aqui se esbanja. Adorei o poema afável-mente e os sonetos que se lhe seguem.
ResponderEliminarSó queria ter uma partezinha pequena, do vosso talento . Abraço-vos.
nnuno
Ah, Natália, tu tens um enorme talento, não te apouques, nem o desmereças
EliminarObrigada, pela parte que me cabe, amiga!
Abraço-te!