CAÍA O SOL - Coroa de Sonetos

CAÍA O SOL
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Coroa de Sonetos
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Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa
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1
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Caía o sol com brilho cintilante
Batia no amarelo da folhagem
Contemplava ao segundo essa imagem
Com prazer e sorriso abundante
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Avançava contente e radiante
Na estrada depois duma paragem
Mas aquela beleza de amostragem
Trouxe-me a poesia nesse instante
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No outono cai folha zune o vento
Mas as cores ondeiam variadas
E a beleza a crescer é um portento
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O sol a iluminar como baladas
Em canto harmonioso num evento
Com lúdicas canções ao céu lançadas
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Custódio Montes
(3.11.2020)
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"Com lúdicas canções ao céu lançadas"
Por coloridas notas singulares
Nascidas da magia dos teares
Por invisíveis mãos sendo orquestradas,
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Exprime-se o vento em sopros e rajadas
E as folhas tomam tons peculiares
Enquanto são levadas pelos ares
Porquanto pelo sol sendo beijadas.
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Caía o sol, nascia um novo verso
Do irreal esplendor desse momento
Que se cristalizou, estando disperso;
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Nesta contemplação, parou o tempo
Que tanto quanto sei não teve berço,
E, para ver também, rendeu-se o vento.
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Maria João Brito de Sousa - 03.11.2020 - 16.13h
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“E, para ver também, rendeu-se o vento”
E o sol lança seus raios no Gerês
Espelho que nos mostra cada vez
A rocha, a natureza em movimento
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Cai a luz clareia o sol cada elemento
Produz belas imagens cada vez
Orgulho-me da serra que me fez
Poeta destes tons cada momento
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Podeis no sul vós ter coisas tão belas
Olhadas com carinho e com paixão
Mas vindo ao Gerês, destas janelas
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Haveis de ver que abertas elas são
Produto dum pintor de lindas telas
Que enchem de alegria o coração !
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Custódio Montes
(3.11.2020)
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"Que enchem de alegria o coração (!)"
Apaziguando a dor das mil canseiras
E apagando dos rostos as olheiras
Da nossa humana e breve condição
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Pois de olhos postos nessa imensidão
Perdemos dimensão, somos poeiras...
A mesma imensidão vejo em Oeiras,
Onde o sol beija um Tejo em redenção.
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Será, talvez, o seu Gerês mais belo,
Mais nítido e glorioso o seu poente,
Mas o meu chão mais raso, mais singelo,
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Também, de alguma forma, é imponente
Quando um Tejo vermelho e amarelo
Abraça um sol deposto à minha frente.
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Maria João Brito de Sousa - 03.11.2020 - 18.13h
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“Abraça um sol deposto à minha frente”
Caindo sobre o monte que revejo
A água segue ao fundo não do Tejo
Mas segue para o mar rumo ao poente
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E junta-se ao seu Tejo num instante
Num forte e terno abraço de desejo
Confundem-se, misturam-se num beijo
São águas que dão vida a toda a gente
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Gerês rocha granítica bem forte
O Cávado ao fundo a seus pés
São belos e eu tenho tanta sorte
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Que os vejo cada dia lés a lés
E mandam-lhe um abraço cá do norte
A si, Tejo, a Oeiras a vós três.
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Custódio Montes
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"A si, Tejo, a Oeiras a vós três"
Envio este meu ígneo entardecer
E um pouco da alegria de o viver
Que sei que também tem no seu Gerês.
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Nada mais posso dar-vos mas talvez
Encontre alguma forma de rever
A terra que acabou de descrever
E que o Cávado inteiro tem aos pés.
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Oeiras é mulher bonita, airosa,
Que em seu manto de areia e de alva espuma
Vê o Tejo ir ao mar e já saudosa
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Corre a beijar-lhe as ondas uma a uma
Como se fora a dedicada esposa
De um Tejo que não quis ter esposa alguma.
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Maria João Brito de Sousa - 04.11.2020 -11.02h
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"De um Tejo que não quis ter esposa alguma"
Mas o Cávado é um bom rapaz
E tem várias mulheres. Que bem faz
Em não se acorrentar ele a nenhuma
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Lá segue vale abaixa, bem se arruma
Pelo fundo da serra indo em paz
Sorri pelo caminho e é bem capaz
De conquistar as moças uma a uma
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No mar encontra o Tejo e em conversa
Com certeza é capaz de lhe ensinar
A tomar outra pose bem adversa
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Para uma mulher ele encontrar
Ensinar-lhe a fazer uma promessa
E pôr por fim o Tejo a namorar
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Custódio Montes
(4.11.2020)
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"E pôr por fim o Tejo a namorar"
Com Oeiras que sempre o namorou
E a cada sol poente ajoelhou
Assim que viu o Tejo entrar no mar.
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Nunca deixou Oeiras de o amar
E o rio também por ela se encantou,
Passou porém por ela e não ficou,
Nunca a ela se quis acorrentar...
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Contenta-se ela com os beijos breves
Das ondas do seu Tejo marinheiro;
Toda coberta de rendadas neves
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Julga ser noiva e esposa a tempo inteiro
De quem a cobre assim de espumas leves
Prá manter, iludida, em cativeiro.
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Maria João Brito de Sousa - 04.11.2020 - 14.19h
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“Prá manter, iludida, em cativeiro”
E para o Gerês não pode vir
Mas se viesse havia de sentir
Bastante liberdade a tempo inteiro
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Que o Cávado a punha em primeiro
E fazia-a dançar, cantar e rir
E a cada hora a ia divertir
E deixaria então de ser solteiro
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No norte quando existe uma paixão,
Mesmo um rio, é sempre apaixonado
E não cria no outro a ilusão
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De que traz o amor bem enganado
Entrega sua alma e coração
Não prende em cativeiro o bem amado
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Custódio Montes
(4.11.2020)
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"Não prende em cativeiro o bem amado"
Um rio que não foi cais de despedida,
Mas teve o Tejo a sina indesmentida
De ver partir pioneiro e até soldado.
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Por ser cais de partida, viu chorado
O sal de todo o mar. Cada saída
Representava menos uma vida
E por isso se diz que o Tejo é fado...
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Tanta jovem mulher em desespero
Viu, o Tejo, engrossando as suas águas,
Tanto sal recebeu como tempero,
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Que hoje não o comovem pranto ou mágoas;
Mal chega a esta Oeiras que eu venero,
Lança-se ao mar como se ardesse em fráguas.
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Maria João Brito de Sousa - 04.11.2020 - 18.00h
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“Lança-se ao mar como se ardesse em fráguas”
O tempo cura tudo ao decorrer
E o Tejo ao passar podia ter
Pena de Oeiras, dar-lhe com as águas
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Afago carinhoso às suas mágoas
Cantar-lhe uma canção a enaltecer
Nas margens que lhe inunda com prazer
E afagá-la até com umas loas
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Já vi que o rio a sul é rancoroso
Alheio todo ele ao sentimento
Um rio poluído, não charmoso
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Vivendo imbuído em tormento
Sem réstias de paixão porque amoroso
Pedia Oeiras logo em casamento
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Custódio Montes
(4.11.2020)
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"Pedia Oeiras logo em casamento"
Enquanto o sol poente o adornava
Da cor vermelha e viva que há na lava
Na qual se exprime em força o sentimento.
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Daria Oeiras seu consentimento
Que há tanto, tanto tempo ela esperava
O tal pedido que não mais chegava
Porque o Tejo temia o sofrimento,
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Fingindo não ouvir, quando passava,
Os seus suspiros, num triste lamento
Que até o Cávado ao longe escutava...
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Caía o sol num Tejo agora lento,
Sorria Oeiras porque noiva estava
De um rio que dantes fora o seu tormento.
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Maria João Brito de Sousa - 04.11.2020 - 20.56h
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“De um rio que dantes fora o seu tormento”
Ou ela então podia não ligar
Que andasse lá o Tejo a falar
E não lhe dava o seu consentimento
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Veria a água ir, soprar o vento
Depois ouvia o Cávado a passar
Deixava o Tejo e ia namorar
Em água cristalina a seu contento
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Seguia rio acima uma vez
A ver as suas margens e olhava
O monte, um paraíso lés a lés
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E com todo esse encanto lá ficava
No vale ali por baixo do Gerês
E com o rio Cávado casava
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Custódio Montes
(4.11.2020)
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"E com o rio Cávado casava"
Se não fosse mulher de um só amor;
Ama o seu Tejo e sabe-lhe de cor
A cor de cada onda, mansa ou brava
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Pois nunca arreda pé. Seu corpo crava
No chão que o Tejo escava em seu redor
E nem a ilusão mina o valor
Dos beijos breves que o seu rio lhe dava.
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Contra o seu próprio fado, nunca iria,
Não quer sequer pensar num novo amante
E ainda que hesitante repudia
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Unir-se a rio tão belo quão distante;
Enquanto assim pensava e lho dizia,
"Caía o sol com brilho cintilante".
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Maria João Brito de Sousa - 05.11.2020 - 13.40h
Imagem retirada daqui
Não me limito
ResponderEliminara dizer "lindo"
e acabo de ter uma ideia
Porque não eleger esta coroa
para uma representação
ao vivo e a cores?
Porque não?
E por que não, se o co-autor estiver de acordo, claro?
EliminarRogério, só posso falar por Oeiras e pelo Tejo. Pelo Gerês e pelo Cávado, falará o poeta amigo Custódio Montes, mas parece-me uma excelente ideia!
Dado que o diálogo é longo e o meu "motor central" me deixa a arfar ao fim de meia dúzia de palavras, não posso oferecer-me para dar voz a esta tua ideia mas tu, decerto, encontrarás quem possa dar-lhe voz sem correr o risco de ter uma paragem cardíaca, rsrsrs...
Vamos a isto??? Se quiseres avançar e não tiveres forma de contactar o co-autor, avisa-me que eu trato de lho comunicar.
Forte abraço
Que desgarrada
ResponderEliminarque com uns sons de guitarra
e com vocês dois na cantoria
nada desafinava
Brinco no desejo de um bom fim de Semana
que a Pandemia
não nos pode tirar a alegria, Beijinhos
A pandemia não nos matará antes de estarmos mortos, Anjo, tens razão
EliminarObrigada e beijinhos
Hoje te encontrei na liça!
ResponderEliminarÉs exímia combatente!
E no mar - tua alma iça
Velas, em forte corrente.
Na arena, sem ter cobiça
Vences o que a alma sente.
No mar, sobre a corrediça
Deixas a escota assente.
Seja na arena ou no mar
És a figura exemplar
Que admiro e respeito.
Dominas três universos:
A arena, mar e versos
De extraordinário jeito!
Abraço cordial! Laerte.
Muito, muito obrigada pelo belíssimo sonetilho que me dedica, Laerte!
EliminarNão estou sozinha na arena,
Outros há que igual se batem;
Trocando a lança por pena,
Não há nó que não desatem!
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Trazemos, na tez morena,
Sonhos dos que não se abatem;
Nossa fé não é pequena,
Não há monstros que nos matem!
*
Pelo soneto, avançamos
E em troca nada esperamos
Senão este encantamento
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De irmos, sem donos nem amos,
Ouvindo os sons que tocamos
Espalhados plo firmamento!
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Maria João Brito de Sousa - 07.11.20
Pela minha parte, muito obrigada, Laerte.
Fraterno abraço!
Belos sonetos dos dois amigos, não encontro igual, é um recanto mágico este teu poetaporquedeusquer.
ResponderEliminarAbraço
Obrigada, Natália!
EliminarQue bom ver-te de novo por aqui!
Abraço grande