SANTO & SENHA

SANTO & SENHA
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Por que me deste a flor desfeita em pranto?
Ontem à tarde, ainda o Sol sorria,
Já eu tecia para ti um manto
De pérolas, de espanto e de ousadia.
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Esperei que a Lua revelasse o "santo"
Porquanto a "senha" já eu conhecia,
Mas a ela, bem escondida nalgum canto,
Nem viu o manto que eu lhe oferecia.
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Do que a tímida Lua me ocultou,
Nada conheço. Só sei ser quem sou,
Jamais fui ou serei inquisidor.
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Em vão esperei. A senha caducou
E tudo quanto a noite me ofertou
Foi um "bouquet" de pranto aberto em flor.
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Maria João Brito de Sousa - 06.11.2020 - 18.25h
O teu ""bouquet" de pranto aberto em flor."
ResponderEliminarÉ luz que dá um certo encantamento
Misterioso, em poder repor
O brilho no teu rosto sedutor!
Brilho divino de pleno esplendor
Trocando o pranto por contentamento
Resplandecendo no supremo amor
Que tua alma expõe ao exterior.
Imperioso fazer-se teu pranto
Em um sorriso que de canto em canto
De tua boca é só alegria
Sublime, augusta, como por entanto
A entoar, ao gargalhar, um canto
Cantado em poesia de Maria!
Abraço fraterno! Laerte.
Mais uma belíssima oferenda que muito lhe agradeço, Laerte!
EliminarVai esmaecendo o brilho sedutor
Desse rosto que sei ter tido outrora,
Mas que seja o soneto o redentor
Da morte inevitável dessa aurora
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Não há maior valor do que o valor
De em verso ir renascendo a cada hora
E a isto, meu amigo, eu chamo Amor
Florindo em canto e cor plo tempo fora.
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Que surja, da palavra intemporal,
O verso que de parto natural
Nasceu de humano ventre/humanas mãos
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Que a Arte seja sempre universal,
Que abunde e se reparta assim; plural
No encontro virtual de dois irmãos.
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Maria João Brito de Sousa - 07.11.2020 - 14.02h
Que "a Arte seja sempre universal"!
EliminarMas, para mim, o verso é português,
Pois aprendi ser Portugal que o fez
Para espantar, do dia a dia, o mal.
Nasci ouvindo versos, ritual
De meu avô materno e talvez
Seja por isso que, de quando em vez,
Sonho que os versos vêm de Portugal.
E "o verso renascendo a cada hora"
Traz, com certeza, para mim agora
O mas supremo som da poesia
Tão portuguesa, que eu ouvia outrora,
Da voz de meu avô. Minha alma chora!...
Minh'alma irmã da tu'alma, Maria!
Feliz em ter te reencontrado, querida alma irmã! Abraço cordial à dona dessa alma! Laerte.
Os meus primeiros versos fui tecendo
EliminarJunto de António, meu avô paterno
E o verso, para mim, tornou-se eterno;
Nasci do verso e em versos fui crescendo.
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Meu berço é Portugal. Daqui te estendo
O verso que me nasce em gesto terno;
Clássico é o soneto... e tão moderno
Que nem o velho Tempo o vai prendendo!
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Nem sempre o vento sopra a meu favor,
Nem sempre a doce Musa me abençoa
E, às vezes, perde o verso o seu vigor
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Numa nota falhada, que destoa
Despojando a toada de valor...
Na que me envias, quão bem tudo soa!
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Maria João Brito de Sousa - 08.11.2020
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Um fraterno e muito grato abraço, Laerte!
Este seria um bom momento
ResponderEliminarpara também escrever um soneto
Só que, vos lendo
não arrisco. Lamento
Todo o tipo de poesia é bem-vinda, Rogério!
EliminarFoi à poesia em verso branco que dediquei mais de 50 anos da minha vida, como sabes. Poderias era correr o risco de eu te responder em soneto, ou sonetilho Isso acontece-me frequentemente, quase sem que eu tenha tempo de o consciencializar...
Forte abraço!