MADEIRO A MADEIRO

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MADEIRO A MADEIRO



*


Cerra-se a janela, abre-se o postigo


De um versejo antigo... talvez a sequela


Dessa caravela qu`enfrentou o perigo


Sofrendo o castigo no casco e na vela.
*


Que sina era a dela? Que estranho inimigo


Lhe negara abrigo durante a procela?


E perco-me nela, e levo-a comigo


Crendo que consigo em mim protegê-la.
*


Volto a reerguê-la. Madeiro a madeiro,


Moldo o casco inteiro. A vela enfunada


Contempla, encastrada, uma estátua de arqueiro
*


Que em gesto certeiro rasga a madrugada


Abrindo uma estrada. Finda o cativeiro


Em que o nevoeiro a deixara encalhada.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 28.01.2021 - 12.19h

Comentários

  1. (muito belo, isto!)

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  2. Maria Elvira Carvalho28 de janeiro de 2021 às 21:45

    Um soneto muito belo.
    Abraço e saúde

    ResponderEliminar
  3. Bom dia com alegria
    amarga
    mas valha-nos a fantasia da clausura.

    Beijinhos e bom fim de Semana com saúde da boa MJ

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Anjo!

      Valha-nos SEMPRE a criatividade!!! :)

      Beijinhos e um bom fim-de-semana, ainda que em clausura

      Eliminar

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