UM SONETO POLITICAMENTE (IN)CORRECTO, OU NÃO.

barata.jpg


UMA BARATA NO CELEIRO
*



Não fora a barata rondar-me o celeiro,
E o maldito cheiro que assim a delata...
Ah, peste que mata! Ah, bicho rafeiro
Que destróis inteiro meu trigo! Que lata!
*



E a fava, a batata, o meu belo sobreiro?
Roeste-os, matreiro? Tornaste sucata
A nata da nata de um pão tão guerreiro?
Se de ti me abeiro, não falha a chibata
*



E se isto retrata aquilo que sinto,
Vais corrido a cinto, bicho virulento,
Vil verme sebento que quero ver extinto!
*



Não senhor, não minto, nem disfarçar tento
O que vai cá dentro, mostrengo faminto
A quem não consinto um só contra-argumento!
*



Maria João Brito de Sousa - 25.01.2021 - 09.10h

Comentários

  1. Maria Elvira Carvalho25 de janeiro de 2021 às 14:23

    Não gosto de baratas, mas gostei de ler o soneto.
    Amiga, fiquei preocupada com o seu comentário. Por favor tenha cuidado, não force os olhos.
    Abraço, saúde e boa semana

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    1. Muito obrigada, amiga!

      Acordei às cinco da manhã com esta barata no pensamento e já não consegui dormir mais...
      Mas vou tentar descansar um pouco da parte da tarde, esteja descansada.

      Forte abraço

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  2. Brancas nuvens negras25 de janeiro de 2021 às 16:07

    Baratas, ratos e outros bichos repugnantes por vezes entram na nossa casa.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É bem verdade, L.! E por vezes até o sono nos roubam.

      Forte abraço!

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  3. O que mais me alarma
    é que barata
    é sinal de praga
    a impor-te tarde ou cedo
    um mais horroroso soneto

    (tem cuidado contigo!)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora aí está, Rogério, acertaste na "mouche"! Onde há uma, há praga!

      Forte abraço

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  4. Isto sim que é humor
    em flor

    Beijinhos e bom dia com alegria MJ

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    Respostas
    1. Pois... humor em flor de urtiga, Anjo

      Obrigada, beijinhos e muita saúde

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