UM PAPEL NO PALCO DA VIDA

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UM PAPEL NO PALCO DA VIDA
*



"E voltam os meus medos de menino"


Num barco de papel lançado ao rio


Num dia enevoado agreste e frio


P`la vontade insondável do destino...
*



Ao longe, o repicar um velho sino


Invade a rua, embala o casario


E a toada acalma o arrepio


De um eu tão vulnerável quão franzino.
*



Brinca contigo o Tempo, em certos dias;


Todo o cenário muda e, num repente,


Vês-te no palco, nu, de mão vazias
*



E tu, que eras tão lúcido e valente,


Porque impotente em nada contrarias


Um fim que é sempre igual pra toda a gente.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 22.02.2021 - 13.17h


*


Soneto inspirado no soneto DIA DO SOL (Sunday) do poeta Carlos Fragata.

Comentários

  1. Os seus poemas são peculiares. Continue assim!
    Saúde e que a vida lhe sorria

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    1. Obrigada, A.L.

      Sempre escrevi poesia e a paixão pelo soneto formalmente clássico tomou conta de mim em 2007. Não saberia pará-la, ainda que o quisesse.

      Forte abraço

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  2. Um belíssimo soneto como todos os que por aqui tenho lido. Uns mais alegres, outros mais tristes, por vezes doces, outros tão amargos que doem. Mas sempre muito bonitos.
    Abraço e saúde

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    1. Muito obrigada, Elvira.

      Sim, este é um dos mais amargos sonetos que já criei, mas assim é a vida e a poesia também é vida.

      Um abraço amigo. Proteja-se bem, por favor

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  3. A vida
    é mesmo uma aventura MJ

    Beijinhos e uma bela noite aconchegada

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  4. "Um fim que é sempre igual pra toda a gente."
    Que tenha muita saúde para continuar "sonetando"!

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    1. Muito grata pela sua visita, Francisco.

      O meu fraterno abraço poético

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