CAMINHO(S)

Pai, na casa da rua Luís de Camões, Algés.jpeg


CAMINHO(S)
*



"Sonho de olhos abertos, caminhando"


Bem mais do que contava caminhar


E só de olhos abertos sei trilhar


Estes caminhos que encontrei sonhando
*



Como luz que se acende e vai brilhando,


Assim se me ilumina o caminhar


Em quantos passos der, sempre a sonhar,


Acordado, contudo, e avançando...
*



Não posso conceber um melhor guia


Do que este, passo a passo conseguido,


Que a cada passo dado me alumia,
*



Mas sei que se sonhasse adormecido


Talvez me alumiasse ao fim do dia


"Outra luz, outro fim só pressentido..."
*


 


Maria João Brito de Sousa - 29.03.2021 - 20.11h


*


 


Entre aspas, versos de Antero de Quental. 


Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia


*


 


Na fotografia, o meu pai no seu escritório do nº 91-A da Rua Luís de Camões, Algés

Comentários

  1. Belo poema!
    Tantos (por vezes difíceis) os caminhos...
    Antero de Quental é um dos meus poetas queridos.

    Beijo

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  2. Brancas nuvens negras30 de março de 2021 às 15:19

    Neste caso a coragem é caminhar de olhos abertos.
    Um abraço.
    L

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    1. Sim, L., neste e noutros casos é preciso coragem para caminhar de olhos bem abertos; a ignorância (olhos fechados) pode ser tentadoramente protectora, mas nunca o é durante muito tempo.

      Forte abraço

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  3. Sonhamos, caminhando, ou caminhamos, sonhando?! Feliz Páscoa, com muita Saúde.

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    1. Fazemo-lo de ambas as formas, caro Francisco, de ambas; para podermos sonhar caminhando, teremos de caminhar sonhando.

      Agradeço e retribuo os votos de saúde e de Páscoa feliz

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  4. Beleza de versos MJ

    Bom dia
    bom e feliz dia
    com alegria

    Beijinhos

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  5. Tão lindo !!!
    Penso que a Maria João, sempre sonhou com os olhos abertos, talvez por isso, o seu olhar sonhador.
    Com Antero de Quental como guia, não lhe posso desejar melhor companhia.

    Um beijinho

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    Respostas
    1. Também eu me sinto muitíssimo bem na companhia de Antero de Quental, Blue Bird e, sim, também creio que sempre sonhei acordada.

      Muito obrigada e outro beijinho

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  6. Lindíssimo, este poema, e não é só por ter sido inspirado em Antero de Quental. Gostei muito.

    Nos anos 90, cheguei a conhecer pessoalmente o poeta e artista surrealista Mário Cesariny de Vasconcelos, que então já era um velhinho hipocondríaco, mas que conservava uma incrível vivacidade no olhar. Nesses dias, o Cesariny resolveu fazer uma viagem aos Açores pela primeira vez na sua vida, nomeadamente à ilha de S. Miguel. Os amigos fartaram-se de lhe recomendar as atrações turísticas habituais da ilha. Que visitasse a Lagoa das Sete Cidades, a Lagoa do Fogo, as Furnas, etc. etc. O Cesariny foi a S. Miguel, voltou, e então os amigos perguntaram-lhe o que foi que ele visitou lá. O Cesariny respondeu que a única coisa que fez foi dirigir-se diretamente ao cemitério onde Antero de Quental está sepultado, para depositar uma coroa de flores, e sentar-se no banco de jardim onde Antero se suicidou, onde meditou sobre a vida e sobre a morte. Feito isto, regressou a Lisboa, sem ter visto atração turística absolutamente nenhuma! Os poetas são de uma raça diferente.

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    1. Este comentário anónimo é efetivamente meu. Esqueci-me de preencher os meus dados quando o publiquei. Peço desculpa.

      Fernando Ribeiro

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    2. Não se preocupe, Fernando; está tudo bem.
      Não conhecia essa curiosa visita do MCV à campa de Antero; muito obrigada por me a ter relatado.

      Creio que os poetas são homens e mulheres como quaisquer outros, mas reconheço que temos paixões, tomamos atitudes e seguimos sonhos que dificilmente podem ser compreendidas pelos que o não são...

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    3. Agora sou eu que peço desculpa. O rato encravou e acabei por não lhe enviar o meu abraço de sempre

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