CAMINHO(S)

CAMINHO(S)
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"Sonho de olhos abertos, caminhando"
Bem mais do que contava caminhar
E só de olhos abertos sei trilhar
Estes caminhos que encontrei sonhando
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Como luz que se acende e vai brilhando,
Assim se me ilumina o caminhar
Em quantos passos der, sempre a sonhar,
Acordado, contudo, e avançando...
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Não posso conceber um melhor guia
Do que este, passo a passo conseguido,
Que a cada passo dado me alumia,
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Mas sei que se sonhasse adormecido
Talvez me alumiasse ao fim do dia
"Outra luz, outro fim só pressentido..."
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Maria João Brito de Sousa - 29.03.2021 - 20.11h
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Entre aspas, versos de Antero de Quental.
Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia
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Na fotografia, o meu pai no seu escritório do nº 91-A da Rua Luís de Camões, Algés
Lindíssimo!
ResponderEliminarVotos de um dia feliz
Obrigada, A.L.
EliminarUm feliz dia, também para si
Belo poema!
ResponderEliminarTantos (por vezes difíceis) os caminhos...
Antero de Quental é um dos meus poetas queridos.
Beijo
Ana Tapadas
EliminarObrigada, Ana.
EliminarAntero também é um dos meus sonetistas de eleição.
Beijo
Neste caso a coragem é caminhar de olhos abertos.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Sim, L., neste e noutros casos é preciso coragem para caminhar de olhos bem abertos; a ignorância (olhos fechados) pode ser tentadoramente protectora, mas nunca o é durante muito tempo.
EliminarForte abraço
Sonhamos, caminhando, ou caminhamos, sonhando?! Feliz Páscoa, com muita Saúde.
ResponderEliminarFazemo-lo de ambas as formas, caro Francisco, de ambas; para podermos sonhar caminhando, teremos de caminhar sonhando.
EliminarAgradeço e retribuo os votos de saúde e de Páscoa feliz
Beleza de versos MJ
ResponderEliminarBom dia
bom e feliz dia
com alegria
Beijinhos
Obrigada, Anjo!
EliminarUm feliz dia para ti!
Beijinhos
Tão lindo !!!
ResponderEliminarPenso que a Maria João, sempre sonhou com os olhos abertos, talvez por isso, o seu olhar sonhador.
Com Antero de Quental como guia, não lhe posso desejar melhor companhia.
Um beijinho
Também eu me sinto muitíssimo bem na companhia de Antero de Quental, Blue Bird e, sim, também creio que sempre sonhei acordada.
EliminarMuito obrigada e outro beijinho
Lindíssimo, este poema, e não é só por ter sido inspirado em Antero de Quental. Gostei muito.
ResponderEliminarNos anos 90, cheguei a conhecer pessoalmente o poeta e artista surrealista Mário Cesariny de Vasconcelos, que então já era um velhinho hipocondríaco, mas que conservava uma incrível vivacidade no olhar. Nesses dias, o Cesariny resolveu fazer uma viagem aos Açores pela primeira vez na sua vida, nomeadamente à ilha de S. Miguel. Os amigos fartaram-se de lhe recomendar as atrações turísticas habituais da ilha. Que visitasse a Lagoa das Sete Cidades, a Lagoa do Fogo, as Furnas, etc. etc. O Cesariny foi a S. Miguel, voltou, e então os amigos perguntaram-lhe o que foi que ele visitou lá. O Cesariny respondeu que a única coisa que fez foi dirigir-se diretamente ao cemitério onde Antero de Quental está sepultado, para depositar uma coroa de flores, e sentar-se no banco de jardim onde Antero se suicidou, onde meditou sobre a vida e sobre a morte. Feito isto, regressou a Lisboa, sem ter visto atração turística absolutamente nenhuma! Os poetas são de uma raça diferente.
Este comentário anónimo é efetivamente meu. Esqueci-me de preencher os meus dados quando o publiquei. Peço desculpa.
EliminarFernando Ribeiro
Não se preocupe, Fernando; está tudo bem.
EliminarNão conhecia essa curiosa visita do MCV à campa de Antero; muito obrigada por me a ter relatado.
Creio que os poetas são homens e mulheres como quaisquer outros, mas reconheço que temos paixões, tomamos atitudes e seguimos sonhos que dificilmente podem ser compreendidas pelos que o não são...
Agora sou eu que peço desculpa. O rato encravou e acabei por não lhe enviar o meu abraço de sempre
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