PARA TE AMAR, POEMA....

PARA TE AMAR, POEMA
*
Nenhuma montanha
será demasiado alta
para te amar,
poema,
para te amar,
tão só…
*
E decido-me a deixar-te tombar…
Na queda confundem-se
flor e pássaro,
tempo e modo,
metáfora
e urgência real de não chegar ao fim
*
Porém,
tudo não dura mais do que a palavra
que,
num súbito recuo,
opto por não deixar cair.
*
Salvo “in extremis”
no segundo imediatamente anterior
ao impacto derradeiro,
devolvo-te às asas a que sempre pertenceste
e enfrento,
mais só do que nunca
porque consciente e lúcida,
o maior de todos os riscos
no crescente declive das banalidades
*
É tempo de dormir.
Amanhã será um novo dia
para te amar,
poema,
para te amar,
tão só…
*
Maria João Brito de Sousa – Poema manuscrito a 24.12.2012 – 02.00h
*
Tela de minha autoria, fotografada e digitalizada por Vítor Martinez
*
NOTA - Mais uma vez, por pontual ausência da Musa, trago um poema de verso branco à morada do soneto
Deixar que se confunda flor e pássaro, tempo e modo. Amar cada palavra como se fosse a primeira vez que o olhar se ilumina. Deixar que o poema ocupe o lugar que o coração lhe reserva. Lindíssimo poema, minha Amiga.
ResponderEliminarMuita saúde.
Uma boa semana.
Um beijo.
Fico-lhe muito grata pelas sábias e atentas palavras, Graça.
EliminarRetribuo os votos de muita saúde e de uma excelente semana.
Um beijo
Maria João,
ResponderEliminardesconhecia o seu talento para a pintura, gostei imenso da sua tela. Não sei qual nasceu primeiro, se a tela, se o poema, o certo é que estão, em perfeita sintonia.
Gosto imenso dos seus sonetos, mas este seu poema em verso branco, tocou-me de forma muito particular,.
Não podemos deixar cair a palavra, pois é ela que dá asas aos poemas.
Um beijinho e boa semana !
A tela nasceu antes do poema, mais exactamente em 2006 Blue Bird
EliminarÉ uma tela grande (não lhe dou as medidas exactas porque perdi o norte ao portfólio em que as tinha registadas, mas deve ter um pouco mais de um metro por uns 60 cms) em técnica mista (acrílico e pastel de óleo sobre prancha cartonada) e foi uma das últimas que pintei pois deixei de ter condições físicas para continuar o meu trabalho enquanto artista plástica..
Obrigada por gostar também da minha poesia em verso branco. Aos seis, sete anos já escrevia em verso branco e foi esse o meu verso de eleição até 2007, ano em que perdidamente me apaixonei pelo soneto clássico na forma e intemporal no conteúdo, pois já percorri todas as mais modernas e arrojadas correntes literárias "a bordo" do soneto formalmente clássico, sem lhe beliscar a melodia :)
Vou ver se lhe trago aqui um dos muitos que comprovam aquilo que acabo de dizer-
Cá está;
“STACCATO"
Silva a serpente, salta o saltarico,
Saracoteia, samba, soma e segue!
Sento-me. Sábia sou se o sacrifico?
Severa sinto sonhadora sede.
*
Sétimo selo. Sétimo salpico.
Somo silícios sobre a seca sebe,
Sinto-me suja se solidifico,
Sobrevivo ao suplício, se sucede...
*
Sintaxe sabe a sexo sem suor
Somado à sordidez de se supor
Solfejo, sopro, sola de sapato.
*
Súbito, o saldo soa sofredor;
Sublime, o socorrista sapador
Supera a situação. Stop. E Staccato!
*
Maria João Brito de Sousa -22.07.2018 – 19.22h
Um beijinho e boa semana, Blue Bird
estou maravilhada!!!
EliminarEstive a pesquisar, chama-se a este tipo de poesia, Tautograma, não é verdade Maria João ?
Nem imagina as coisas que tenho aprendido consigo, é um privilégio, acredite!
Compreendo-a bem, eu também gosto muito de pintar, mas exige esforço, e as minhas costas também
Um beijinho grato
Sim, pode considerar-se um tautograma, mas vai além disso pois quase todas as palavras começam pela letra "s" criando uma harmoniosa sonoridade sibilante. A ver se lhe encontro outro, Blue Bird
EliminarCá está um outro;
CONCEBO CARTAZES
*
Construo castelos. Cristais conspurcados,
Chaves, cadeados, cordéis e camelos.
Compro caramelos contrabandeados,
Compostos cruzados de cobra e capelos.
*
Compridos cabelos convergem, cansados;
Crescentes cuidados comportam cutelos.
Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados,
Cuidámos, coitados, de compreendê-los.
*
Colava cartazes com cola cuspida.
Comprava comida. Compunha cabazes.
Caminhos capazes? Contente? Cumprida?
*
Cresceste. Crescida, certeira comprazes
Chavões contumazes de comprometida.
Concedo, caída. Concebo cartazes.
*
Maria João Brito de Sousa – 21.07.2018 – 15.21h
Este é um soneto hendecassilábico que tem a particularidade de ter rima interna (encadeada). Cada sexta sílaba tónica rima com a décima primeira sílaba tónica do verso anterior.
Acredite, ou não, nada disto é conseguido "á martelada", tudo flui , tudo vai nascendo naturalmente. Quando a musa está bem disposta, claro
Beiinho
Maria João,
EliminarCada vez que aqui venho, fico deslumbrada, e penso como deve ser bom, ter como companhia, uma musa como a sua. Ainda gostei mais deste poema do que o anterior.
Um dom que nasce com a pessoa, mas que depois tem que ser trabalhado, estudado e aperfeiçoada, presumo.
Essa sua companhia, está sempre presente, às vezes deve-se esconder porque a Maria João , puxa muito por ela (risos)
Um beijinho e obrigada
Sim, Blue Bird, acredito que todos nós temos tendências inatas e adquiridas e muito embora aquilo em que se acredita não corresponda necessariamente à realidade, conheço muitos casos de poetas, músicos, pintores, etc, que desde os primeiros anos de vida se mostraram especialmente bem dotados para uma ou mais especificas áreas da criatividade. No entanto, sem muito, mesmo muito trabalho, ninguém pode criar uma obra de vulto.
EliminarQuanto à minha pobre Musa, tem toda a razão; puxo muito por ela e não lhe ofereço grandes condições de trabalho pois estou cada vez mais pitosga, mais cardíaca e mais "empenada". Compreendo perfeitamente que a infeliz, volta e meia, precise de férias
Quanto aos sonetos que fui buscar e lhe deixei aqui, com excepção do último que é em verso hendecassilábico, por muito loucos que sejam, foram escritos em decassílabo heróico.
Outro grande beijinho
Agora percebo
ResponderEliminarporque a Laurinda gosta tanto
do verso branco
e este teu, é belo e tanto!
Abraço
Reconheço que o soneto, sendo a mais bem conseguida fórmula literária de sempre, é um formato ideal para ser lido em profundo silêncio e não um "animal de palco" como o poema em verso branco, Rogério.
EliminarObrigada por gostares, também, da minha poesia em verso branco que, excepcionalmente, trouxe ao espaço do soneto.
Abraço grande
Apreciei a pintura que publicou, suspeito que teve obra de vulto na pintura. Quanto ao poema, foi a Musa, certamente, que lhe segredou para ir buscar esse poema maravilhoso.
ResponderEliminarDesenhava muito e espantosamente bem, quando era catraia, L., mas tudo acabou por ficar para trás quando me decidi por tornar-me autónoma e ganhar o meu próprio sustento. Aí, começou-me a faltar o tempo.. Depois (logo depois) casei-me, começaram a vir as crianças, perdi a autonomia financeira e o tempo para dedicar à pintura desapareceu de vez.
EliminarSó recomecei em 1999 e, em 2007, deixei de ter condições físicas para trabalhar como a paixão me exigia. Desisti. Não podia continuar a trabalhar depois de verificar que o trabalho começava a ser de qualidade medíocre e os grandes formatos (a minha paixão) me estavam vedados. Foi então que me apaixonei pelo soneto :)
Obrigada e um forte abraço
E fez muito bem. É um belíssimo poema.
ResponderEliminarAbraço, saúde e boa semana
Muito obrigada, Elvira!
EliminarMuita saúde, uma excelente semana e um grande abraço
Bom dia com alegria
ResponderEliminare saúde de sorriso bonito em dia
Beijinhos de aqui MJ
Bom dia, bom dia, Anjo
Eliminar(façamos de conta que o dia não acordou enevoado...)
Beijinhos de aqui