UMA "DEIXA" IMPROVISADA

A PEÇA DE TEATRO.jpg


UMA "DEIXA" IMPROVISADA
*
(pormenor de bastidores)
*



Claríssima, a manhã espreita a nudez


De uma protagonista enluarada


Que acorda enrubescida e estremunhada


De um sono que durava há mais de um mês.
*



No palco, a sua deixa, a sua vez,


Vai a meio de ser representada


Por uma musa atenta e acordada


Que do seu sono a tempo se refez.
*



Sendo esta peça feita de improvisos,


Entra a protagonista noutra altura,


Esbanjando vénias, gestos e sorrisos
*



Prossegue, então, a Peça, que a cultura


Nasce também de gestos imprecisos


E de erros que alguns julgam ser sem cura.
*


 



Maria João Brito de Sousa - 27.03.2021 - 13.11h

Comentários

  1. Maria João,
    "a cultura
    Nasce também de gestos imprecisos
    E de erros que alguns julgam ser sem cura."

    deixas improvisadas, que mostram que a protagonista tem a peça bem estudada.



    Um beijinho , espero que esteja melhor.

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    Respostas
    1. Muito obrigada pelo seu cuidado, Blue Bird, mas ainda estou com a cabeça a estourar...

      Aqui, estava mesmo "desmusada" de todo; tive de me esforçar para conseguir escrever esta micro-homenagem ao Teatro e aos seus esforçados obreiros. Não é um panegírico, que eu sou péssima a tecê-los, mas é uma homenagem a algo que eu muito admiro nos actores e que é o seu poder de improviso.

      Outro grande beijinho

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  2. Erros sem cura
    Sim
    por exemplo
    esta Ministra da Cultura
    Ela
    anda num permanente improviso
    e o teatro, a cultura, as artes
    ressentem-se disso

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, mas isso é outra coisa, Rogério! Os inteligentes improvisos que nascem dos pequeninos erros dos actores podem valorizar muito uma peça de Teatro, mas não são admissíveis nos ministérios, sobretudo quando se repetem e tornam a repetir há tantos anos.

      Claro está que toda a arte e toda a cultura se ressentem disso. A nobre Arte de Talma não é excepção.

      Forte abraço!

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  3. Brancas nuvens negras28 de março de 2021 às 00:05

    Um belo poema, como de costume, essa Musa não a abandona
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Abandona, abandona, L.
      Desde que as dores de cabeça e o mal-estar aumentaram, a Musa desapareceu e deixou-me a braços com a tarefa de construir um soneto que "falasse" sobre a Nobre Arte de Talma...

      Obrigada e um forte abraço

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