25 DE ABRIL - Relembro

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RELEMBRO


*


Relembro um rio que em gesto resoluto


Cresce em caudal e soma em quantidade


A mesma urgência com que agora eu luto


E me dá força enquanto houver vontade;


*


 


Porque um poder perverso e dissoluto


Se nos impõe, esmagando a dignidade,


Sejamos fio de outro qualquer soluto


Que, em nos enchendo, engendre outra vontade!


 *


Relembro o sangue em veias indomadas


E esta emergência em nós, sempre crescente,


Que nos transforma as mãos mais desarmadas


 *


Em espada erguida sobre o prepotente


Que ensombra as águas vivas, libertadas,


Duma outra força antiga e sempre urgente!


 *


 


Maria João Brito de Sousa – 15.04.2014 – 10.39h


*


 


Ao povo português que, desobedecendo a uma ordem directa, invadiu as ruas em 25 de Abril de 1974 e transformou um golpe militar numa verdadeira revolução.


 

Comentários

  1. "Relembro um rio que ... /
    Cresce em caudal..."
    Viva o 25 de Abril!

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    1. Que tenha um festivo 25 de Abril, Francisco.

      Dada alguma maior instabilidade no meu estado de saúde e na ausência da Musa, recorri a uma reedição para a celebração deste dia que, após 47 anos, continua a brilhar como uma chama impossível de apagar.

      Forte abraço!

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  2. Maria Elvira Carvalho25 de abril de 2021 às 12:57

    ~Estive ontem até às duas e meia da manhã a ver um filme dos acontecimentos, pois na altura estava em Angola e só voltei a meio de 1975.
    Escrevi um texto sobre o 25 de Abril esta manhã. Está lá no Sexta. É o meu retrato. E o meu sentir.
    Abraço, saúde e feliz 25 de Abril

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  3. Maria Elvira Carvalho25 de abril de 2021 às 13:01

    Estive ontem a ver um filme sobre o que se passou, pois na altura estava em Angola, donde só regressei a meio de 1975. Por isso não vi nada do que relembra, as minhas recordações da data são muito diferentes.
    Escrevi esta manhã um texto sobre esta data. É o meu retrato e o meu sentir. Está lá no Sexta.
    Abraço, saúde e feliz 25 de Abril

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    1. Já estive no Sexta-Feira e gostei imenso de reler o poema de José Fanha, mas não vi o texto de que me fala, Elvira...

      Vou voltar ao seu blog. Já não confio nem um bocadinho nestes meus imprestáveis olhos.

      Entretanto, também lhe digo que recebi a notícia de manhã bem cedinho, através do meu pai que sempre ligava a telefonia antes do nascer do sol.

      Era muito jovem, mas já tinha passado por muitos sustos e toda a minha família sabia bem o que era ter a casa frequentemente "visitada" pela PIDE. Tudo isto desde que me lembro de ser eu.

      Quando o soube, lembro-me de ter pulado (literalmente), pensado e sentido que tinha valido a pena nascer , quanto mais não fosse para poder testemunhar aquele dia.

      Forte abraço

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  4. Maria Elvira Carvalho25 de abril de 2021 às 13:02

    desculpe a duplicata mas pareceu--me que o comentário não tinha entrado.
    Abraço

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  5. Maria Elvira Carvalho25 de abril de 2021 às 14:06

    Quando leu o poema, ainda não tinha escrito o texto. Gostei de saber, como foi o seu 25 de Abril. No meu As cores do Amor, que já leu descrevi como foi o meu através da personagem da Maria Paula.
    Abraço e tudo de bom para si.

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    1. Sim, recordo-me muitíssimo bem da Maria Paula, personagem claramente auto-biográfica, Elvira

      O que eu ainda não lhe disse, foi que acabei por ficar "confinada" em casa, a tomar conta da minha irmã (precocemente falecida em Setembro passado) que na altura tinha 11 anos e da minha filha mais velha que estava com uma otite e tinha apenas oito meses. A minha mãe era exímia a convencer-me de tudo quanto a ela lhe convinha, rsrsrs; se alguém teria de ficar com as crianças, o melhor era ser eu a sacrificar-me. E eu fui na cantiga dela.

      Só no dia seguinte consegui inverter os papéis e fui eu quem partiu à conquista da Liberdade nas ruas de Lisboa

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  6. Brancas nuvens negras25 de abril de 2021 às 16:16

    Uma força antiga e sempre urgente. Acredito que estamos do lado certo da vida, estamos com os nossos os mais fracos da pirâmide.
    Um abraço revolucionário
    L

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    1. Sem dúvida, L., estamos mesmo do lado mais correcto, mais humano e mais justo da vida do homem-social.

      Outro abraço revolucionário

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  7. Maria João,
    25 de Abril, sempre !
    Admiro quem tem fortes ideais e luta por eles.

    "Em espada erguida sobre o prepotente
    Que ensombra as águas vivas, libertadas,
    Duma outra força antiga e sempre urgente! "

    No 25 de Abril de 1974, era uma jovem ingénua, morava em Belém na época, vibrei e fui para a rua gritar .
    Com o tempo e o desgaste de algumas situações que vivi e ainda vivo, perdi um pouco o entusiasmo, mas não por culpa do 25 de Abril, mas pelas políticas seguidas desde então.

    Um beijinho grande


    Continuo ainda um pouco em baixo, e percebo que também não está bem, vamos dar a volta isto, combinado ?

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    1. Vamos, então, "dar a volta a isto", Blue Bird

      Também era uma miúda de 21 anos, mas quando gritei e exultei, estava bem consciente das razões que me levaram a gritar de alegria...

      No entanto, também eu era uma palerminha à minha maneira; a igualdade de direitos e deveres, tão discutida e aparentemente consensual entre mim e o meu ex-marido , rebentou como uma bolinha de sabão quando a realidade se fez sentir e eu acabei por desistir de mim em nome de tudo e mais alguma coisa

      Nem sequer o susto que apanhei no 25 de Novembro ou mesmo algumas das mais recentes e desastrosas políticas fizeram esfriar o meu entusiasmo, mas eu creio que vivi a vida inteira num relativo "confinamento"... habituei-me a voar por dentro de mim mesma.


      Beijinho grande

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  8. "Ao povo português que, desobedecendo a uma ordem directa, invadiu as ruas em 25 de Abril de 1974 e transformou um golpe militar numa verdadeira revolução."

    Beijinhos

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