AMOR E DOR - Trilogia (Em reedição)

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AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE
*


Chegando ao Ararate, Amor e Dor,
Sentaram-se, cansados da jornada.
Olhando o Monte, a Dor ficou sarada
E, de contente, quis curar Amor;
*


Repara, Amor, que estava bem pior
Antes de iniciar a caminhada,
Que olhei o Monte e foi-se-me a pontada,
Que sinto despontar força e vigor!
*


Vem ver, para que o mal nunca te chegue,
Para que a praga, ao ver-te, se te negue,
E não possa haver peste que te mate!
*


Ouviu-a, Amor. Olhou. Perdeu-se olhando.
Voltou sozinha Dor, de dor chorando
Por se perder de Amor no Ararate.
*


Maria João Brito de Sousa – 10.05.2018


***


AMOR E DOR II.
*


Amor e Dor, brincando se entre-chocam
E enredam-se num fio que acaba em nó...
Até então Amor vivera só
E Dor, lá nas lonjuras que se evocam.
*


Moram juntos agora e, mal se tocam,
Sentem um pelo outro um mesmo dó;
Amor, que era imortal, desfaz-se em pó
E Dor sucumbe à dor que os nós provocam.
*


Nesta paradoxal (des)união,
Sente Amor, pela Dor, tal compaixão,
Que cega, pra não vê-la sucumbir
*


E Dor, que vendo Amor, o julga são,
Mais se enreda nos nós, mais sem perdão
Se obriga a não deixar Amor partir.
*


Maria João Brito de Sousa – 13.05.2018 – 09.27h
***


AMOR E DOR - Epílogo
*


Pra rematar a saga, Amor consente
Tomar Dor por esposa e companheira
E já que sendo ainda inexp`riente,
Não sabe o que é passar a vida inteira
*


Lado a lado com Dor, que impenitente,
Inflige a Amor insónias e canseira;
Amor está cego e Dor, sendo inocente,
Não pode pressupor ter feito asneira.
*


Deu-se este enlace em tempos tão remotos
Que nem posso evocar que estranhos votos
Uniram para sempre este casal,
*


Mas garanto que afirmam ser felizes,
Que deram fruto, tiveram petizes
E se amam. Para o bem e para o mal!
*


 


Maria João Brito de Sousa – 14.05.2018 – 11.15h
***


 


In "... Até a Neve Chorará Num Dia Quente...", Euedito, 2018


 


Imagem - "Amor e Dor", Edvard Munch

Comentários

  1. Brancas nuvens negras10 de abril de 2021 às 11:41

    Três belos poemas que cantam um sentimento antigo chamado Amor, hoje em dia a palavra ainda é conhecida mas a configuração do sentimento já não é bem a mesma. Com os seus poemas fica o registo para os vindouros.
    Um abraço
    L

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    Respostas
    1. Muito obrigada, L.

      Creio que Amor e Dor desde sempre viveram em inseparável comunhão... será que as coisas mudaram tanto assim?

      Abraço grande

      Eliminar
  2. Maria João.
    Amor e dor, a eterna união.
    Já escrevia Camões " Ah o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê."
    Adorei como sempre, a sua força inspiradora, a mensagem perfeita e a beleza de cada verso, de cada palavra.

    Um beijinho e boa noite

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, Blue Bird

      Por estranho que, à primeira vista possa parecer, são amantes inseparáveis, estes dois...

      Bom Domingo e um grande beijinho

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  3. Belos sonetos!
    Boa tarde amiga é sempre um prazer enorme ler-te, agradeço o privilégio de me dares acesso há tantos anos de de o puder fazer.

    Abraço-te
    rosafogo (às vezes passo por anónima, esqueço de colocar o nome)

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    Respostas
    1. Eu identifico-te quase sempre, mesmo que não assines, Natália

      Outro carinhoso abraço

      Eliminar

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