IREI AONDE A MINHA MENTE FOR

IREI AONDE A MINHA MENTE FOR
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Eu que nunca saí do meu país,
Só por dentro de mim me faço ao mundo;
Se acaso no que afirmo vos confundo,
Perdão, mas não lamento o que não quis,
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Nem anseio fazer o que não fiz...
Cá dentro, a Terra inteira, o mar profundo
E esta embriaguez de que me inundo
Quando o corpo me escapa, por um triz,
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Ao mais escarpado pico da montanha,
Ou ao abismo mais assustador
Que no meu horizonte se desenha...
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É só imaginar que sou condor,
Pardalito, que seja, ou mesmo aranha;
Eu vou aonde a minha mente for!
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Maria João Brito de Sousa - 28.04.2021 - 15.43h
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Muito belo este seu poema, compreendo que quando se tem um mundo dentro de nós isso nos impede da loucura... ou talvez seja essa a loucura.
ResponderEliminarUm abraço
L
Obrigada, L.
EliminarÉ tudo uma questão de perspectiva, mas eu, que já lidei com casos bem reais e profundamente dolorosos de demência, tornei-me um pouco relutante em utilizar a palavra loucura para tudo o que se afaste ligeiramente dos padrões dessa coisa aborrecidíssima a que chamam normalidade...
Forte abraço!
Poema maravilhoso. Sublime. Encantadora forma de escrever poesia. Saio daqui sempre extasiado e de mente cheia.
ResponderEliminarCumprimentos poéticos.
Muito obrigada, Rik@rdo!
EliminarNeste blog, tento publicar apenas sonetos. Poderão ser em decassílabo heróico, como este, em verso hendecassilábico, eneassilábico ou ainda em verso alexandrino (neste último utilizo sempre a rima dupla/encadeada), mas foi um espaço que criei especialmente para o soneto; clássico na forma e intemporal no conteúdo.
Fraterno abraço!
Maria João,
ResponderEliminarO mundo está dentro de si, a sua imaginação não tem barreiras, e o talento acompanha-a.
Conheço muita gente que tem um corpo são, mas falta-lhe tudo o resto. Estes, sim, lamento.
Um beijinho grato, por ter a sorte de acompanhar, o seu voar
Muito, muito obrigada, Blue Bird
EliminarOutro grande beijinho
Maria João
ResponderEliminarMais um belissímo soneto que adorei ler.
Gosto muito da sua escrita, sempre em soneto e sempre bons.
Um beijo de carinho e admiração.
:)
Piedade Sol
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
Muito obrigada, Piedade!
EliminarDurante décadas escrevi exclusivamente em verso branco e muito de quando em quando, em verso livre com rima ocasional.
Só aos 55 anos me apaixonei pelo soneto mas sei que é uma paixão para a vida.
Um grande beijinho
"...Eu vou aonde a minha mente for!" A Liberdade de Pensamento..."não há machado que corte..."
ResponderEliminarSempre com "chave de ouro"!
Saúde. Cuide da sua vista.
Muito grata pelas suas palavras, Francisco.
EliminarQuanto à minha vista, continuo a aguardar a chegada da convocatória para os exames pré-operatórios e consulta de anestesia. Até hoje, nada recebi...
Fraterno abraço
Não sei porquê, este belíssimo soneto sobre o poder da imaginação, capaz de nos levar por mares nunca dantes navegados sem sairmos do nosso quarto, fez-me lembrar o escritor italiano Emilio Salgari, que viveu na viragem do séc. XIX para o séc. XX.
ResponderEliminarEmilio Salgari foi um escritor que eu li nos meus tempos de rapaz, cujos romances contavam as mais mirabolantes aventuras passadas nas mais exóticas paragens, como a Malásia, a Amazónia, o Far-West ou a Papuásia, quase sem nunca ter saído de Itália em toda a sua vida. Parece que fez umas viagens pelo Adriático e mais nada. Talvez por ter sido um escritor de romances juvenis, que os rapazes do meu tempo devoravam (como eu), Emilio Salgari nunca foi levado a sério pelos circunspectos e chatos críticos literários. Mas devia. A sua vibrante imaginação fez-me sonhar e viajar pelo mundo combatendo as injustiças, sem sair do meu quarto. Ajudou-me a formar a minha personalidade.
Como escreveu Sebastião da Gama, «pelo sonho é que vamos».
Fernando,
EliminarEmílio Salgari, Júlio Verne, Howard Fast e Jack London foram os três mais queridos escritores da minha infância.
Obrigada e, sim, "pelo sonho é que vamos".
Fraterno abraço
Aí está o que devia reger a nossa mente, ir até onde ela quiser ir adorei demais, como nunca tinha pensado nisso? Não é só o coração que é livre, a mente também é! Muitos beijinhos, um grande abraço de amizade
ResponderEliminarObrigada, Sandra
EliminarDe facto, algumas mentes estão demasiado condicionadas para se aperceberem, sequer, de quão pouco livres estão, mas outras há que são tão livres quanto o conceito de Liberdade lhes possa permitir.
Liberdade sem limites? Não, essa nem sequer existe, é uma mera abstracção como a perfeição e a utopia...
Beijinho grande
Beijinho, e continuação de um bom dia
EliminarBelo teu soneto amiga! É sempre um prazer imenso ver brilhar a tua escrita, quem dera ter um pouco da tua perfeição poética.
ResponderEliminarUm abraço amiga, que estejas bem é o meu desejo
rosafogo
Muito obrigada, Natália!
EliminarTemos estilos poéticos diferentes. Apenas isso. E olha que durante décadas utilizei o verso branco e o verso livre, tal como tu...
Abraço-te, amiga!
Ainda e sempre a melhor forma de viajar: viagem interior...
ResponderEliminarExcelente harmonia e ritmo.
Beijo
Ana Tapadas
Muito obrigada, Ana!
EliminarBeijo
Bom fim de Semana com alegria
ResponderEliminare também a essa forma saudável
de o ver o Mundo
Beijinhos
Bom dia, Anjo meu
EliminarObrigada e um excelente fim-de-semana para ti e para todos os teus.
Beijinhos
E não há nenhum meio de transporte mais rápido nem melhor do que a imaginação de uma mente aberta.
ResponderEliminarAbraço e saúde
Muito obrigada, Elvira!
EliminarTem toda a razão, minha amiga!
Forte abraço!