"E" de EPHEMERA

Ephemera-vulgata.jpg


“E” de EPHEMERA
*


Estranho este escuso embrionário estado
Entre eras estendendo-se enlaçadas:
Esculpo-me em estanho, estranho-me estanhado
E endosso. Ensaio. Efeitos. Embrulhadas...
*


Encómios evoquei. É-me (n)egado
Expor-me entre eros e ébrios. Ensonadas,
Esperam-me esporos do etéreo, estipulado
E encontro exaltações exacerbadas...
*


Escondo o ego esculpido. Enrodilho-me,
Excluo “esses” e “erres”: estribilho-me
E expurgo eternos erros (d)e escansão
*



Especializada em estrelas, ecos, entes,
Executo estratégias (d)e eloquentes
E emancipo-me em “E” (d)e Evolução.
*



Maria João Brito de Sousa – 05.08.2018 – 16.30h


***

Comentários

  1. <Poema sublime. Maravilhoso de ler
    Cumprimentos

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  2. Brancas nuvens negras21 de maio de 2021 às 19:02

    Mas que hábil construção do poema, cheio de particularidades de domínio do vocabulário e... inspiração.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
  3. Boa noite, Maria João, está melhor ?

    Li palavra por palavra .
    Como é possível fazer um poema tão intenso e belo, limitada por uma letra.
    Só muita sabedoria, inspiração e domínio da língua.

    Desejo-lhe uma noite descansada minha amiga.
    Um beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Blue Bird

      É possível, sim, mas eu não o teria concebido antes de ter trabalhado e amadurecido muito enquanto sonetista.

      Continuo cada vez mais "pitosga" e a rouquidão - quase afonia, em certos dias - levou a que o meu médico me enviasse de urgência para uma consulta hospitalar de ORL. Não queria nada que assim fosse, preferiria continuar a ignorar a rouquidão...

      Obrigada e um grande beijinho

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  4. olá, Maria

    reparei no seu poema (sempre belo) que há uns dias usei a técnica, de colocar parentisis em algumas palavras que poderão dar-nos dois sentidos no verso. Fi-lo de forma espontânea e não foi certamente - e isto lhe juro - intenção minha copiá-la.

    Grande abraço
    António

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, António, pode crer que isso nem me passaria pela cabeça! É uma técnica comum a muitos sonetistas, não tenho, de maneira nenhuma, a patente da utilização dos parêntesis, rsrsrsrs...

      Têm sido muito escassas as minhas visitas aos blogs dos amigos; a minha acuidade visual diminuiu bastante nos últimos tempos e outros problemas de saúde se foram agravando , mas vou tentar visitá-lo ainda hoje.

      Abraço grande

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