POESIA - Brevíssimo ensaio sobre o conceito de poema

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POESIA
*
(Brevíssimo ensaio sobre o conceito de poema)
*


Brota da carne, acesa, este ilusório
Fruto do que se sabe, não sabendo
Se chega, ou não, a ter contraditório
Acerca do que pensa e vai dizendo.
*


Decerto, algo terá de meritório,
Apesar de, ao descrer do que vai crendo,
Não mais ser do que um esboço introdutório
De algo que cura ainda que doendo...
*


Poeta é mesmo assim; sente e consente
A cada poema a estranha primazia
De se afirmar poema quando é gente
*


Que entende entrar em estreita sintonia
Com o que ousar explanar e, de repente,
Renasce transmutada em poesia.
*



Maria João Brito de Sousa - 15.04.2016 - 16.08h


(Reformulado)


 


"Noite Estrelada" , Vincente Van Gogh

Comentários

  1. Brancas nuvens negras14 de maio de 2021 às 13:25

    Boa definição. Saúde, um abraço.
    L

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    1. É apenas uma das muitas que não destoarão de todo daquilo que a poesia efectivamente é, L.

      Eu não sei por onde andarão, mas sei que criei várias e, muito embora convergentes no essencial, divergem noutros pontos...

      Forte abraço!

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  2. Ainda que dizendo-se contraditório
    Há tanta verdade, tanta sintonia
    Neste Soneto belo e meritório
    Onde, afinal, se espelha a alma da Poesia.

    Sou grande admiradora dos seus Sonetos, que me merecem o maior respeito.
    Peço-lhe desculpa pelo abuso em a comentar, usando uma quadra sem graça, mas sentida.

    Desejo-lhe muita saúde , sempre acompanhada pela sua Musa inspiradora.
    Um abraço.

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Maria Antonieta, tanto pela quadra que não considero de forma alguma abusiva, quanto pela gentileza das suas palavras.

      Nem sempre tenho a Musa a meu lado, mas vou fazendo o que posso, nem que tenha de recorrer à reformulação e publicação de velhos sonetos que creio nunca ter trazido ao blog, que é o que tenho feito nestes últimos dias.

      Muita saúde e inspiração também para si.

      Beijinho

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  3. Maria João.
    Agradeço a oportunidade que me dá de apreciar a fusão entre a tela e a palavra. Fico sem saber se foi a pintura que "escolheu" a pintura ou se vice-versa. É um conjunto que desperta emoções fortes.
    Zé Onofre
    PS - A partir deste momento entro em abuso de espaço alheio. Gosto de partilhar as minhas emoções com quem mas provocou. Cabe a si deixar ficar ou cortar, como todo o comentário é claro.

    Olhamos.
    Paramos.
    Vemos.
    Uma cortina de cores,
    Em que o criador nelas se enreda?
    Um criador angustiado?
    Um criador com saudades do Infinito?
    Um ser único rolando pelos confins da existência?
    Tanta coisa para além da tela
    Que pensamos que existe por si própria.
    Até poder ver mais além do que o criador criou.
    Felizes os que olhando o mundo
    O fazem o “seu mundo”.
    Felizes os que com mãos talentosas
    Fazem das cores o barro da sua criação.
    Felizes os que manipulam as cores
    Para se mostrarem escondendo os seus sentimentos.



    Felizes os que pegam nas cores
    Extraem delas a sua essência.
    É então que um qualquer escrevinhador,
    Com muito, pouco ou nenhum talento,
    Sente a necessidade e ousadia de expor
    Num inocente papel o seu sentimento.

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    Respostas
    1. Muito agradeço a sua apreciação, bem como o texto poético que aqui deixou e com o qual me honra, Zé Onofre.

      Posso satisfazer a sua curiosidade; muito raramente produzo um texto poético - um soneto, neste caso - inspirada numa imagem, excepto quando isso me é solicitado num trabalho de grupo, por isso o poema nasceu e eu imaginei logo uma imagem que com ele dialogasse na perfeição. Imediatamente me ocorreu a "Noite Estrelada" de Vincent Van Gogh e... pronto, foi exactamente assim que tudo ocorreu..

      Não me revejo minimamente nas tremendas angústias existenciais de Vincent, mas revejo-me na sua imensa sede de criar.

      Um abraço

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  4. Mais um poema fascinante que me deliciou ler e reler. Inspiração e criatividade poética, sublimes.
    .
    Feliz fim de semana …Abraço de amizade.
    .

    .

    ResponderEliminar
  5. Natalia Canais Nuno14 de maio de 2021 às 17:31

    Tanta e tão bela inspiração! Saúde amiga para que possas continuar a criar Poesia, como só tu! Fico grata por me deixares ler, cada leitura é um prazer, grata por me deixares desfrutar.

    Abraço-te

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  6. Maria João, como está ?

    Nasce poesia, em cada palavra, em cada verso. Todo o seu ser, é um poema minha amiga.
    Uma noite estrelada, sem dúvida alguma

    Grande beijinho !

    ResponderEliminar
  7. Lendo assim
    até dá vontade de ser Poeta
    como a MJ sem fim

    Bom e feliz fim de Semana com alegria
    e Poesia, beijinhos

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    1. Obrigada, Anjo meu

      Que tenhas um Sábado muito, muito feliz!

      Beijinhos

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