QUANDO VIERES POR MIM

Quando vieres por mim.jpg


QUANDO VIERES POR MIM
*



Quando vieres por mim, logo à noitinha,


Com o teu negro manto aveludado,


O teu trágico ceptro de rainha


Não me achará tremendo ajoelhado;
*


 


Estarei escrevendo a derradeira linha


Do terceto final deste meu fado


Que mais ninguém lerá. Quem adivinha


O futuro de um verso assim negado?
*


 


- Volta num outro dia... ou mês, ou ano!


Olhar-me-ás atónita, bem sei,


Pois nada disto estava no teu plano...
*



Pressuporás que também eu sou rei


E partirás pra não causar-me dano;


Se dano houve, eu próprio o provoquei.
*


 



Maria João Brito de Sousa - 05.05.2021 - 13.12h


 


 

Comentários

  1. POEMA BRILHANTE, encantador de ler.
    .
    Cumprimentos poéticos
    .

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  2. Há que afastar
    essas nuvens negras
    que embora de arte a fascinar
    o Sol brilha e é bonito a ofuscar

    Beijinhos e uma bela tarde sossegada MJ

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    Respostas
    1. Sossega, Anjo

      As nuvens não são tão negras quanto te possam parecer, porque já aprendi a não entrar dentro de mim sem um bom guarda-chuva

      Já passeei tantas vezes nos braços da "senhora da gadanha" que mal estaria se ela ainda me assustasse.

      Às vezes, tomo eu a ofensiva ...

      Falar dela com naturalidade é bem mais saudável do que o que se pensa. Vai por mim, que já a conheço muito bem.

      Beijinhos

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  3. Brancas nuvens negras5 de maio de 2021 às 18:25

    A morte é um tema sempre presente na vida dos artistas. Tomo o poema como um exercício artístico e uma forma de exorcismo.
    Um abraço
    L

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    1. Desculpe, L.

      Este seu comentário escapou-me mesmo, mas estou a trabalhar muito mais do que os olhos me vão permitindo...

      Não foi um simples exercício de escrita, não, mas embora eu não acredite em exorcismos, foi qualquer coisa parecida...

      Quem já passou pela morte várias vezes e vive por um fiozinho, tem mesmo de se habituar a conviver com ela e esta espécie de provocação é ... olhe, é como o gato que se assanha todo diante de um cão bem grande e feroz; com alguma sorte, o cão acobarda-se e bate em retirada

      Obrigada e um forte abraço

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  4. Fabuloso!
    Só vindo de si minha amiga.
    Beijinho grande 😘😘😘

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    Respostas
    1. Obrigada, querida MEA, mas eu muitas vezes pensei exactamente o mesmo ao ler os seus sonetos, rsrsrsrs

      Outro beijinho GRANDE

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  5. Maria João,
    Desafiar a morte não é para todos minha amiga, e vencê-la ainda menos
    Admiro a sua coragem e ousadia

    beijinho grande

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    Respostas
    1. Cada pessoa é um mundo e nem todos reagirão assim, mas eu estou tão habituada à "senhora da gadanha" que já a trato por tu e sinto-me bem menos vulnerável quando utilizo a poesia para a confrontar, Blue Bird

      Conforme disse a uma amiga do Horizonte da Poesia, "ela vai esgrimindo a gadanha e eu vou esgrimindo o soneto..."

      Obrigada e outro beijinho grande

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