SONHAR, SEM ASAS?

SONHAR, SEM ASAS?
*
Sentar-me a vosso lado e estar calada,
Vendo o desabrochar das vossas rosas
Enquanto as mãos protestam, já nervosas
Por não criarem nada... mesmo nada?
*
Sonhar, senhor, debaixo da sacada,
Enquanto há estrofes livres, generosas,
Que definham até formarem prosas?
Sonhar pra quê, se a tal for condenada,
*
Se a minha solidão for posta em causa
E tudo o que me reste seja a pausa
Que, para mim, define um pesadelo
*
Tão denso, tão concreto como um muro?
Pra quê esboçar um sonho se, vos juro,
Que este vôo que enceto é tão mais belo?
*
Maria João Brito de Sousa - 07.08.2016 - 10.29h
Boa noite, Maria João, como tem passado ?
ResponderEliminarSonhar, sem asas?
Acredito que a minha amiga, sonha em qualquer lado, não pode é estar, sem sonhar nada. Acertei ?
Grande beijinho !
Bom dia, Blue Bird
EliminarGostaria muito de me recordar exactamente do que me levou a escrever este soneto, mas já lá vão cinco anos e... não me recordo de todo. Lembro-me, porém, que 2016 foi um ano em que estive internada com uma traqueobronquite grave e que os internamentos hospitalares são sempre muito difíceis para mim, mas não sei a que tipo de apelo interior estaria a responder...
Não vou poder estar por aqui mais do que uns minutos. Estou a preparar-me para ser transportada até ao hospital e confesso estar um tanto ou quanto apavorada. Receio bem que me aguarde um exame invasivo nada meigo, em ORL. Hoje, apenas consigo sonhar com o momento de voltar para casa, rsrsrs...
Um grande beijinho
Boa noite, Maria João, como tem passado ?
ResponderEliminarSonhar, sem asas?
Acredito que a minha amiga, sonha em qualquer lado, não pode é estar, sem sonhar nada. Acertei ?
Grande beijinho !
Só para acrescentar que tenho um jovem médico de ORL que é muitíssimo competente, para além de ser um amor de pessoa :)
EliminarDepois de, por três vezes, tentar a laringoscopia por via oral, sem êxito, fez-me o exame por via nasal, o que é muitíssimo menos desconfortável porque não provoca o vómito que inviabilizou as primeiras tentativas.
Estou-lhe grata do fundo do coração
Tens asas maiores que o tempo, e sempre voarás entre sonetos e a tua enorme força, que nos inspira a todos! Beijinhos, querida Maria João, e obrigada pela partilha da tua foto, que só apetece abraçar com amizade e admiração 🌷🌻
ResponderEliminarObrigada, Sandra.
EliminarHoje, se tivesse asas reais, voaria para bem longe e ficaria por lá, bem escondidinha, rsrsrsrs...
Estou de saída para um exame hospitalar.
Beijinho grande
O sonho pode ser a força para se ser real. Como dizia o poeta S. da G.
ResponderEliminar"pelo sonho é que vamos".
Um abraço.
L
Obrigada, L.
EliminarÉ pelo sonho que vou, sim, mas... hoje vou ter de enfrentar um pesadelozinho pessoal muito, muito assustador.
Não terei tempo para visitar ninguém, tenho mesmo de ir arranjar-me para sair.
Forte abraço
Mas a genialidade está sempre presente MJ
ResponderEliminarBom dia
bom resto de Semana com alegria
e saúde
que as minhas pernicas ainda estão aflitas, ui ai
e pomada em cima, pra aliviar
Beijinhos e um belo dia
Obrigada, Anjo meu
EliminarAmanhã verei a razão que te levou a ficar com as "pernicas" aflitas. Hoje sou eu, inteirinha, que estou aflita. Vou para o hospital fazer um exame que me assusta... e muito!
Beijinhos
Olá, Maria.
ResponderEliminarDeixe o cigarro por favor.
Hoje só isto lhe direi.
Enorme abraço
António
Bom dia, António.
EliminarIsso é algo que lhe não vou conseguir prometer; cresci feliz entre intelectuais e escritores que fumavam como chaminés, o cigarro passou a fazer parte de mim, tal como a poesia...
Depois... depois toda a minha vida passou a ser uma vertiginosa queda; fui perdendo tudo o que tinha, passei de um ambiente privilegiado, em todos os sentidos, até chegar à pobreza extrema, nos últimos anos... não posso dar-me ao luxo de me auto-violentar com mais nenhuma mudança drástica.
Se o que assusta é a rouquidão extrema que me levou a ter de fazer a laringoscopia, vou já descansá-lo; não há nenhum sinal de neoplasia, nem quaisquer estragos provocados pelos poucos cigarritos que fumo. O problema está num fortíssimo e constante refluxo gastro-exofágico que me está literalmente a queimar a laringe. Já iniciei a medicação paliativa.
Forte abraço!
A Maria sabe que a mim não tem que prometer nada
EliminarNão sou capaz de dizer que sim e, depois, fazer o contrário, António...
EliminarOdeio mentir mesmo nas pequeninas coisas. Calo-me frequentemente, mas minto pouquíssimo... ou nada.
Estou triste por ter perdido a voz, sabe? Mesmo não tendo já a belíssima voz que tinha na juventude, passava a vida a cantarolar, sozinha, cá em casa, desde que não estivesse a ler nem a escrever, claro.
Agora nem uma notazinha musical consigo emitir... já nem tento, porque o som que me sai é quase indescritível de tão rouco e desafinado. Até a mim mesma me assusto.
Forte abraço
Então temos algo em comum. nos meus tempo de juventude tinha uma voz muito fininha. com 10 anos, entrei no coro da minha escola. Lá para 18 anos comecei a ter bandas de música. Adorava cantar. Ainda gosto de cantar. Mas já não sou o mesmo. Agora canto mais no papel. não tenho mais bandas. Saúde, Maria
Eliminarabraço enorme
Ahhh , não fazia ideia, António...
EliminarNunca cantei em coros, em bandas, nem para público nenhum; era mais uma "cantora de duche" que não se ficava pelo duche e andava a cantarolar pela casa toda... ainda há meses isso acontecia...
Posso muito pouco e não tenho quase nada, por isso sou muito agarrada às pequeninas manifestações/expressões de alegria/vida que ainda me restam... ou restavam, porque a voz já se foi...
Outro enorme abraço
Sonhar! A Maria João quando sonha, concretiza o sonho num espectacular soneto. Sempre!
ResponderEliminarUm grande beijinho❤️❤️❤️
Obrigada, querida MEA
EliminarNestes últimos tempos, com o agravamento do mal-estar físico e com a progressiva perda de acuidade visual à qual se soma a tremenda incomodidade da blefarite... e não sei que mais, que me não deixa sequer abrir os olhos porque qualquer luminosidadezinha mos fere, tenho estado em pousio, nem sequer consigo pensar em concretizar um sonhozinho...
Um grande beijinho
Como eu queria ter as suas asas poéticas, Maria João.
ResponderEliminarMuito grata, caro/a anónimo/a.
EliminarUm abraço