GLOSANDO CESÁRIO VERDE - Reedição

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HEROÍSMOS


*


 





Eu temo muito o mar, o mar enorme, 
Solene, enraivecido, turbulento, 
Erguido em vagalhões, rugindo ao vento; 
O mar sublime, o mar que nunca dorme. 
*



Eu temo o largo mar, rebelde, informe, 
De vítimas famélico, sedento, 
E creio ouvir em cada seu lamento 
Os ruídos dum túmulo disforme.


* 

Contudo, num barquinho transparente, 
No seu dorso feroz vou blasonar, 
Tufada a vela e n'água quase assente,


* 

E ouvindo muito ao perto o seu bramar, 
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente, 
Escarro, com desdém, no grande mar!


* 




Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde' 


***


 


DIALECTOS MARINHOS


*


 


"Eu temo muito o mar, o mar enorme"


Que afunda sob as ondas encrespadas


Meus versos feitos de ilhas encantadas


Por muito que os (re)crie e (re)transforme...


*


 


"Eu temo o largo mar, rebelde, informe",


Mas, de tanto senti-lo e já cansadas


De olhá-lo e de temê-lo, amarguradas,


Gemem-me as rimas num verso disforme ...


*


 


"Contudo, num barquinho transparente",


Vencido o medo obtuso, é navegar


Até sentir que o mar também é gente


*


 


"E ouvindo muito ao perto o seu bramar"


Imito-lhe o bramido (in)coerente;


Mais sou feita de mar que o próprio mar!


*


 


Maria joão Brito de Sousa -28.10.2016 - 16.47h

Comentários

  1. OLA DE NOVO, BLUE BIRD

    HOJE OS OLHOS AINDA ME ARDEM MAIS DO QUE ARDIAM ONTEM... LAVO-OS CONSTANTEMENTE COM CHAMPÔ PARA BEBÉS E INUNDO-OS COM AS GOTAS QUE ME RECEITARAM EM IMUNOLOGIA OCULAR, MAS... NADA!

    CONTINUO À ESPERA QUE A BLEFARITE ABRANDE E QUE ME ENVIEM A CONVOCATÓRIA PARA A TÃO ANSIADA CIRURGIA ÀS CATARATAS.

    OBRIGADA E OUTRO BJO GDE

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