SONETO SEM FLUOXETINA

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SONETO ISENTO DE ANTI-DEPRESSIVOS
*



Que bem "vendem" as "rimas chá-de-tília"...


Sou má comerciante, reconheço,


Porque os versos, pra mim, não têm preço


E não fazem "pendant" com a mobília,
*



Nem me enlaçam nas noites de vigília


E sim nos dias claros... se os mereço...


Se exprimem quanto sinto, mais não peço;


Nunca a giesta aspirou a buganvília
*



E os cactos não são menos imponentes


Do que as orquídeas frágeis, dependentes


Dos mil cuidados pagos por quem pode.
*



Admiro as plantas bravas e espontâneas


Cujas raízes longas, subterrâneas,


Vão (de)compondo o húmus numa ode.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 24.09.2021 - 14.00h


*


 


Imagem retirada daqui


 


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Musa de palavras
    que embelezam as amargas

    Boa e bela tarde com alegria
    bom fim de Semana MJ, beijinhos

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    1. Upa, upa! Tens razão, Anjo , desta vez a Musa dignou-se a dar-me um arzinho da sua graça

      Não trago boas novas, da Cardiologia. Muito pelo contrário, mas... farei por estar bem viva enquanto puder viver

      Obrigada e beijinhos

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  2. Soneto sobre a natureza das plantas/árvores que muito gostei de ler
    .
    Feliz fim-de-semana.
    .

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  3. Querida Maria João, a sua musa voltou inteira, sem medicamentos nem panaceias
    Que bom ver esse vigor nas suas raízes !

    Beijinho grato pelo carinho que deixou no meu blogue.
    Bem-haja!

    Feliz fim de semana !

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    1. Sim, Blue Bird, desta vez a foragida Musa concedeu-me um arzinho da sua graça

      Muito obrigada pelas suas entusiásticas palavras


      Um GRANDE beijinho

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  4. "Nunca a giesta aspirou a buganvília"
    Eu, que não sou poeta, não o diria
    mas aceito
    salva a imprecisão o sentido do soneto

    Abraço

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    1. Ora, ora, Rogério... tu até és poeta e, para mim, as giestas são bem mais bonitas do que as buganvílias

      E se eu dissesse que "nunca um cravo aspirou a buganvília", que me dirias?

      Forte abraço

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  5. Poesia não é negócio, má comerciante será, poesia é sentimento, necessidade de estar vivo, será portanto alguém que domina a ideia e as palavras com saber e talento.
    Um abraço.

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    1. Ora aí está, L.!

      Foi exactamente isso que tentei dizer.

      Obrigada e um forte abraço

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