SONETO DE "CAVALO-CANSADO"

Picasso azul - Cavalo-cansado.jpg


SONETO


DE


"CAVALO-CANSADO"
*


 


Abre, homem, tuas portas e janelas


(é sempre à esquerda que o Sol vai nascer)


Prá luz entrar quando a manhã vier


E o teu portão ranger nas aduelas.
*



O cavalo descansa nas tigelas


Que o fado preservou. Há que o comer


Porque o cultivo, doa a quem doer,


Requer-te força e braços sem mazelas.
*



Vá, repousa uma hora. Talvez menos


Que se não mede o tempo dos pequenos


Por bitola que agrade ao abastado
*



E a lavra espera. Ou rói-te a incerteza


De ter ou não ter pão pra pôr na mesa


Em que o teu filho o clama esfomeado?
*


 


Maria João Brito de Sousa - 16.10.2021 - 22.00h


 


Tela de Pablo Picasso (fase azul)

Comentários

  1. Nem mais
    que quem não trabuca
    na mandiuca

    Beleza de escrita Mj, beijinhos
    e bom dia de boa Semana com alegria
    e humor

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    1. Obrigada, Anjo

      Boa e feliz semana também para ti, na tua bela Serra!

      Beijinhos

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  2. Este teu poema reflete tantas realidades e histórias! É sempre muito boa a forma como trazes a vida para os teus sonetos! Muitos beijinhos, minha querida, as melhoras🌷🍀

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    1. Olá, Sandra!

      Trago sempre a Vida colada aos meus sonetos, penso eu; falo de alegrias, de amarguras e também de insustentáveis injustiças como esta...

      Obrigada do fundo do meu remendado

      Beijinho grande

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  3. A vida de quem trabalha no campo. Sempre tão cansativa, tão mal remunerada, tão abaixo das necessidades da subsistência. Gostei muito do poema.
    Cuide-se bem.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Muito obrigada pela simpatia das suas palavras, Graça!

      Muita saúde e um beijo

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  4. Mais um soneto maravilhoso que me deliciou ler.
    .
    Uma semana feliz … Beijo e/ou abraço
    .

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    1. Muito obrigada, Rik@rdo!

      Que tenha também uma feliz semana.

      Um abraço

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  5. É a dura realidade tecida em belas palavras!

    Espero que esteja melhor da sua vista e, apesar da sua dificuldade, agradeço a amabilidade das visitas. Que o coração se acalme também e trabalhe no ritmo certo.

    Beijo

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    1. Obrigada pelo seu cuidado, Ana!

      Estou melhor dos olhos, sim. Já fui operada ao olho que estava cego - não morto, mas cego... - e recuperei a visão... à distância. Continuo com alguma - muita - dificuldade em esforçar a vista durante muito tempo seguido, o que me obriga a deixar de lado os textos muito longos. Dentro de alguns meses serei operada ao outro olho. Espero, então, ficar muito mais funcional.

      O coração... bem, esse está mesmo a piorar.

      Beijo!

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  6. Teu apelo
    há muito sigo
    portas e janelas
    e até o pequeno
    postigo
    está sempre escancarado

    Que descanse tal cavalo cansado
    mas não será nesse repouso
    que lhe estará destinado seu fado

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    1. Obrigada, Rogério!

      Este soneto não se esgota nas velhas "sopas de cavalo cansado" "que o Fado/Tempo/História preservou", mas também se refere a elas... deste por isso?

      Forte abraço!

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  7. Brancas nuvens negras19 de outubro de 2021 às 00:41

    Mais um poema com mensagem. Aprecio, a poesia também é luta.
    Um abraço
    L

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