SONETO DO TODO-PODEROSO MERCADO

SONETO DO GRANDE MERCADO.jpg


SONETO


DO


TODO-PODEROSO MERCADO
*



Venho roubar-te, ó Arte, a eternidade!


Tudo o que ousaste ser te cobro agora,


Excepto, talvez, o que de ti se evade


E depressa se evola e se evapora...
*



Deixo-te uma ilusão de liberdade,


Que só essa ilusão por cá vigora;


Levo-te o leito, a casa e a cidade


E até o tempo roubo, hora por hora.
*



Vesti a tua pele inacabada,


Qual terrorista, não te deixo nada


Senão o que do nada fores criando
*



Na condição de te fazer saber


Que tudo o que concebas vai morrer


Às mãos do Tempo que o vai devorando.
*


 


Maria João Brito de Sousa - 30.10.2021 - 11.00h
***
Sonetos da Matrix

Comentários

  1. Bom dia:- Tudo na vida é um perfeito movimento. Amei o poema
    .
    Tenha um domingo de Halloween muito feliz.
    .

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    1. Agradeço e retribuo os votos de um bom Domingo de Halloween, Rik@rdo

      Abraço!

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  2. Brancas nuvens negras31 de outubro de 2021 às 14:58

    O mercado tudo adultera. O seu poema, mais uma vez, transmite uma mensagem. Talvez no futuro renasça o que foi concebido e que o tempo "estes tempos" estão a devorar.
    Um abraço
    L

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    1. Muito grata pelas suas palavras, L.

      Mais do que nunca a arte está em ebulição, mas cada vez mais rapidamente é devorada pelo todo-poderoso mercado. É um braço-de-ferro que dura há muito...

      Forte abraço

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  3. Renego teu soneto
    não porque nele não me identifique
    mas por reconhecer
    o que eu não quero reconhecido
    esse mercado, esse bandido
    esse ladrão da eternidade
    devida à arte

    Abraço ENORME

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    Respostas
    1. Não renegues o meu pobre mas determinado soneto, Rogério...ele apenas cumpre o seu papel de delator de uma realidade incómoda, mas tão certinha como dois e dois serem quatro.

      Um ENORME abraço

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  4. Maria Elvira Carvalho31 de outubro de 2021 às 23:41

    O mercado devora tudo.
    Abraço, saúde e feliz Novembro

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    1. É bem verdade, minha amiga! E, infelizmente, cada vez mais e mais rapidamente o Todo-Poderoso-Mercado engole e digere o trabalho do artista.

      Feliz Novembro, muita saúde e um forte abraço

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  5. Raio do tempo
    que nos deixa sem alento

    Bom dia de boas recordações MJ, beijinhos

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    Respostas
    1. Nem tenho tido tempo para respirar fundo, Anjo meu

      A minha Musa tomou o freio nos dentes e não me dá um segundo de descanso... mas, sim, já tinha reparado que chove. E muito!

      Obrigada e beijinhos

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  6. Maria João

    Este soneto é deveras realsta e esta escrito de maneira talentosa e dura.
    Achei a imagem. muito bem escolhida para suporte do mesmo.
    Tenha uma boa semana cheia de saúde e paz.
    Beijinhos
    :)
    Piedade Sol

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    1. Muito obrigada pelas suas palavras, Piedade!

      O Grande Mercado também tem sido duríssimo para nós, ainda que se disfarce e santo ou benemérito; amor com amor se paga, nestes casos de "entidades sem rosto", claro.

      Retribuo os votos de uma excelente semana, neste Novembro acabadinho de nascer.

      Beijinhos

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