2022 - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

2022 - Coroa de Sonetos
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Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
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1.
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Dois mil e vinte dois acorda cedo
Não deixes que a preguiça te persiga
Combate essa doença inimiga
Avança, pega em armas, vá, sem medo
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Tu sabes, não escondas o segredo
Não entres no engodo, na intriga
Não descanses, combate, entra na briga
Não te deixes meter num vil enredo
*
De ti, da tua luta e combate
Dos sinos que tocares a rebate
Depende a humanidade e o viver
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Lutamos em conjunto assim contigo
Para eliminar o inimigo
Que todos juntos nós vamos vencer
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Custódio Montes
1.1.2022
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2.
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"Que todos juntos nós vamos vencer"
O secular poder do capital
Erguendo o nosso punho vertical
A quem julgue poder ver-nos tremer
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Diante de quem tem, sem merecer,
A força sedutora, mas brutal...
Sereis vencidos, a bem ou a mal,
Porque impotentes face a tanto qu`rer!
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Hoje germina o fruto que amanhã
Brotará do vermelho da maçã
Pra saciar, de vez, o que é explorado
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E o futuro, por fim, será Futuro;
Assim que fruto esteja bem maduro
Pode este mundo, enfim, ser transformado.
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Mª João Brito de Sousa
01.01.2022 - 16.30h
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3.
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“Pode este mundo, enfim, ser transformado”
Com força, muito jeito, em união
Mas ainda afastados, atenção,
Até que o mal se afaste, dominado
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Depois todo o corrupto afastado
E os bens de todos nós em salvação
Da fúria indomável do ladrão
Bem preso, descoberto e condenado
*
Libertos do corrupto e pandemia
Bem juntos todos nós em companhia
Um mundo novo se há-de conquistar
*
Sem peias, sem miséria e sem dor
Cheio de paz, aqui e em redor
De várias formas feito o verbo amar
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Custódio Montes
1.1.2022
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4.
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"De várias formas feito o verbo amar"
Virá, então, a ser bem conjugado;
Presente em cada passo que for dado,
Futuro em cada passo inda por dar
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E quando a classe obreira conjugar
O verbo redimido e conquistado,
Não mais homem algum será explorado
Que a exploração não mais terá lugar!
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Falta, tão só, que o verbo amadureça
E que todo o explorado reconheça
Que o mundo é seu e não de quem o explora
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Que aprenda! Aprenda sempre, nunca esqueça
Que assim não haverá quem o impeça
De amar mais e melhor do que ama agora.
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Mª João Brito de Sousa
02.01.2122 - 14.20h
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5.
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“De amar mais e melhor do que ama agora”
Depois de descobrir a sensação
Que chega dum profundo coração
Que sente amor, que ama a toda a hora
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Mas para amar a gente sempre explora
Aquilo que se alcança e tem à mão
Que só a imaginar há ilusão
Que passa e se vai logo embora
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Claro que o amor físico engana
E depois de passar vai-se e promana
A angústia de o ter e não o ter
*
Amar é mais profundo está em nós
Na alma gémea que é como cipós
Que nos envolve à volta o nosso ser
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Custódio Montes
2.1.2022
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6.
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" Que nos envolve à volta o nosso ser"
E transborda e abraça a Humanidade;
É esse amor maior que a mim me invade,
Me transcende e me incita a não morrer
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Por esse, que não cessa de crescer,
Tudo daria de boa vontade;
Se rica, escolheria a humildade
De muito pouco ou quase nada ter
*
Pois para haver um mundo equilibrado
Tem este de poder ser transformado
Num mundo quase oposto ao que hoje temos
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E sei que hão-de ruir os tais impérios
Dos grandes donos dos "novos minérios";
Se pr` alguns há demais, prós mais, de menos!
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Mª João Brito de Sousa
02.01.2022 - 16.45h
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7.
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“Se pr’ alguns há demais, prós mais, de menos”
Havendo diferença, há diferença
E quem menos tem nele muito pensa
E para quem o tem ele é somenos
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É grande a diferença: os mais pequenos
Parece que ao amar pedem licença
E aquele que tem muito nunca pensa
Que o outro tem amores também plenos
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E igualdade penso não haver
Para que a gente assim possa dizer:
O campo dum amor é convergente
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O homem, a mulher é cada qual
Um mundo divergente e não igual
E também nesse amor é diferente
*
Custódio Montes
2.1.2022
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8.
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"E também nesse amor é diferente"
Como é distinto em sua anatomia
Esse que a vida gera e que a alegria
Mistura com tristeza em chama ardente
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Pra muitos, nasce e morre inconsequente
Como mera partilha de energia
Que depressa termina em sintonia,
Ainda que fingida ou aparente...
*
Pra outros, esse amor dura uma vida
E até a Arte pode ser traída
Quando de Amor se fica prisoneiro...
*
Há tão distintas formas de se amar
Que ninguém soube, a Amor, quantificar,
Nem prová-lo e jurar que é verdadeiro.
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Mª João Brito de Sousa
02.01.2022 - 19.20h
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9.
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“Nem prová-lo e jurar que é verdadeiro.”
Que é o amor ? Não sei, como saber ?
Há muitos que imaginam mas sem ver
O seu significado por inteiro
*
Será a sensação o que primeiro
Definirá o amor ou há-de ser
Algo bem diferente de prazer
Que se esvai no segundo derradeiro ?
*
Amar, amar, amar será um dom ?
Não sei mas todos sabem que é bom
E é um sentimento de afeição
*
Só quem o sente o pode demonstrar
Havendo muitas formas de o mostrar
E uma delas é o coração
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Custódio Montes
2.1.2022
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10.
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"E uma delas é o coração"
Que trago remendado e por um fio,
Embora lembre o tempo em que era um rio
De lava ardente como a de um vulcão
*
Porém, acesa, mantenho a paixão
Pelo poema a cujo desafio
Não sei furtar o coração vadio,
Que abusa enquanto nega a contenção...
*
Seja este um ano de grandes batalhas
Contra o Corona e contra os tais canalhas
Dos imperialismos virtuais;
*
Pode este coração chegar ao fim
Que muitos mais virão depois de mim
E enquanto unidos poderão bem mais!
*
Mª João Brito de Sousa
02.01.2022 - 21.15h
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11.
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“E enquanto unidos poderão bem mais”
Embora muitas vezes união
Não tenha aquela força e o condão
De ser dos condimentos principais
*
Unidos um ao outro enquanto tais
Dois seres só por si nunca serão
Aquilo que traduz essa noção
De serem ambos um em tudo iguais
*
Confesso que não sei os pormenores
Serem apenas um os dois amores
Mesmo que sejam ambos bem unidos
*
Não sei, não sei, não sei mais que dizer
Embora quando olho possa ver
A força entre dois entes queridos
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Custódio Montes
2.1.2022
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12.
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"A força entre dois entes queridos"
É cruel se vier de um lado só
E o que, de longe, nos parece um nó
Não passar de um engano dos sentidos...
*
Mas há, decerto, afectos desmedidos
Que crescem lado a lado e, qual cipó,
São fortes mas não esmagam como mó
Nenhum dos dois amantes, quando unidos.
*
Um desmedido, Amor pode assustar;
Quem ama loucamente, enlaça o par
Sem sequer suspeitar dessa dif´rença
*
Que, tarde ou cedo, se torna gritante
Para o "suave" e para o grande amante
Que é quem mais sofre a pena da sentença.
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Mª João Brito de Sousa
02.01.2022 - 23.00h
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13.
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“Que é quem mais sofre a pena da sentença”
Não sou um carcereiro e esse réu
Não cumpriria a pena que sofreu
Tão forte tão injusta como pensa
*
Se fui juiz eu sei a diferença
Entre pena injusta ou labéu
Ou pena que o réu bem mereceu
E a quem de a cumprir não se dispensa
*
Dois mil e vinte e dois não é injusto
E a nenhum de nós trará um custo
E penso até que nos vai ajudar
*
Vai trazer-nos amor por cortesia
O que nos vai trazer muita alegria
Para o amor de novo alcançar
*
Custódio Montes
23.1.2022-1h45
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14.
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"Para o amor de novo alcançar",
No caso do casal que mencionei,
Teria de inventar-se uma outra lei
E alguém teria de ressuscitar...
*
Mas falemos do Ano que, ao estrear,
Lhe inspirou o soneto que glosei
E que devo fechar. Como? Não sei,
Deixo o verso fluir quase a cantar
*
E quando cabeceio, enxoto o sono
Pois não deixo esta c`roa ao abandono,
Nem farei dela um simples arremedo...
*
Vai-se fazendo tarde... é madrugada
E eu peço ao Ano com voz ensonada:
"Dois mil e vinte e dois, acorda cedo"!
*
Mª João Brito de Sousa
03.01.2022 - 02.30h
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Mais uma excelente coroa a iniciar o ano.
ResponderEliminarQue seja pra si, minha amiga, e para todos um bom ano.
Beijinho grande 💖💖
Pela parte que me cabe, muito obrigada, querida MEA!
EliminarVamos torcendo - e agindo, dentro do possível - para que 2022 seja um ano melhor do que o seu antecessor
Beijinho grande
Que maravilha! Oxalá fosse este o Ano de ver os vossos desejos concretizados, que são também os meus e os de tantos, mas as aves de rapina andam por aí de garras fortes e olhos de grande alcance a quererem comer o resto que não conseguiram da última vez... foi um prazer a leitura, manifesto a minha admiração aos dois grandes Poetas, desejo-vos saúde e um Bom Ano. Um fraterno abraço
ResponderEliminarTens toda a razão, Natália; os abutres não desistem , continuam a sobrevoar-nos muito atentos aos nossos mais pequenos tropeções, prontos a cair-nos em cima assim que nos sentirem vacilar...
EliminarQuanto à Coroa de Sonetos, agradeço-te pela parte que me cabe :)
Para ti, amiga de há tantos anos e "companheira de versos", um grande, GRANDE abraço!
Coroa de poemas. Tantos sonetos tão inspirados, tão inspiradores, a deixar-me a pensar como as palavras podem ser a luta, a arma, a cumplicidade, o grito de alerta.
ResponderEliminarQue o ano de 2022 lhe traga tudo o que deseja, principalmente saúde, paz e muito amor.
Uma boa semana.
Um beijo.
Muito lhe agradeço pela parte que me cabe nesta interminável conversa entre dois sonetistas, Graça. :)
EliminarQue 2022 lhe traga muita saúde, muita paz e muita inspiração!
Um beijo
Parabéns a ambos os poetas, por nos brindarem com mais uma excelente coroa de sonetos, para iniciarmos em Força 2022!
ResponderEliminarJunto os meus desejos aos vossos tão sentidos.
Mas temo, pois os vampiros, "... comem tudo e não deixam nada."
Grande beijinho querida Maria João!
Bem-haja, pela parte que me cabe, Blue Bird
EliminarEmbora estando a piorar ao nível da acuidade visual e da insuficiência cardíaca, não soubesse se conseguiria chegar ao fim desta coroa, meti mãos à obra e glosei o primeiro soneto do poeta Custódio Montes.... A partir daí, tudo fluiu rapidamente e com a maior das naturalidades.
Hoje, claro está que estou cheia de sono, mas como vê, ainda por cá estou
Uma das grandes maravilhas destas Coroas é, no meu caso e no dos poetas com quem as tenho trabalhado, serem todas compostas por improvisos poéticos, como se de uma conversa se tratasse. Nada aqui é feito por combinação prévia, tudo nasce a partir do estímulo criado pelo soneto anterior...
Quanto aos famigerados vampiros, saberemos não permitir que nos confundam e dominem ideologicamente. Esse é um passo absolutamente essencial nos conturbados tempos que correm.
Que cada um se organize junto dos seus e contribua com a sua palhinha, grãozinho ou gotinha; o Conhecimento, esse, é uma arma comum a todos os que tenham optado por defender a (sua) humanidade.
Um grande beijinho
Uma coroa
ResponderEliminaré coisa longa
e para a urgência
sentida à minha
beira
logo pego a melhor quadra
que possa levar
como bandeira
Levo esta
E quando a classe obreira conjugar
O verbo redimido e conquistado,
Não mais homem algum será explorado
Que a exploração não mais terá lugar!
É o que se pode dizer
ResponderEliminarêlááááááá
num começo de Ano Novo a amanhecer
Bom dia com alegria
bom 2022
com sabedoria e saúde
e boa Semana pra vocês MJ, beijinhos
Já tinha saudades destas coroas de poemas grata por continuares a brindar-nos com algo assim! Um abraço gigante, e um bom 2022, cheio de boas surpresas!🙏🌷
ResponderEliminarNo desejo de tudo vá bem
ResponderEliminarbom e belo dia com alegria, mas agasalhado
Beijinhos
Que coisa linda Maria João
ResponderEliminarA sintonia dos dois foi um presente para os leitores, perfeita harmonia
e fiquei encantada como brota as palavras assim tão brilhantemente.
Parabéns- adorei não lembro de ter lido nada igual. Percebi que não existe uma regra fixa - usaram 3 dias para compor . Muito bom!
Abraços , bom final de semana e estou devagarinho voltando por aqui ,pelos blog's_
( só para não perder o jeito)rs
beijinhos MJ
Truz truz
ResponderEliminartruz truz e nada, estará doente, magoada ?
Beijinhos no desejo de que tudo vá bem MJ
Querida Maria João, noto a sua ausência.
ResponderEliminarDesejo de coração que esteja o melhor possível.
Grande beijinho, as melhoras!