SEM TÍTULO IV

SEM TÍTULO IV
*
Deram-lhe o Futuro dentro de um pacote
De cartão prensado em forma de esfera
No topo enfeitada por um laçarote,
Por dentro vazia pra guardar-lhe a espera
*
Deram-lhe o embrulho, negaram-lhe o dote,
Por isso o poeta não soube que o era;
A Musa agastada recusou-lhe o mote
E afastou-se à pressa, tal qual duma fera
*
Estivesse fugindo, em vez de um poeta
Prestes a queimar-se como borboleta
Que ao tocar na chama julgasse salvar-se
*
Aguarda o poeta que tão só pondera,
Mas em vão aguarda que se não supera;
Não conhece a dor, nem faz a catarse.
*
Mª João Brito de Sousa
08.02.2022 - 13.30h
***
A chama ou o chamamento(?) do Poeta! Muita saúde.
ResponderEliminarUma e outro, Francisco :)
EliminarNa poesia (na minha, pelo menos) não existe chama sem chamamento, nem chamamento sem chama.
Obrigada, saúde e um fraterno abraço!
Mas a pintura
ResponderEliminartem esperança nesta nossa bonança
Bela tarde MJ, beijinhos de aqui com alegria
que se a água acabar
temos vinho e cerveja
para alegrar
Pois sim, Anjo meu, mas as terras não podem ser regadas com vinho e cerveja, nem os animais os podem beber...
EliminarPor aqui, mais especificamente na minha casa, vislumbra-se um pequenino caos; nem eu posso contactar o MR, nem ele a mim. Os corsários dos logaritmos contra atacam
Obrigada e beijinhos
Fascinante de ler. Sublime poema
ResponderEliminar.
Saudações poéticas.
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Muito grata, Rik@rdo!
EliminarO meu abraço
Uma publicação que mostra o talento da autora na escrita e na pintura. O poema evidencia a dúvida, quando há sensatez a dúvida pode estar presente com regularidade.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada, L.
EliminarQuase, quase me atreveria a dizer que a dúvida é a mãe da nossa evolução enquanto espécie.
Um forte abraço!
Desculpa, não percebi
ResponderEliminaro poema fala de ti
ou de mim
ou de alguém que anda por aí?
Não perguntes à Musa, ela é suspeita!
Nem de ti, nem de mim, nem de ninguém em particular, Rogério; fala dos muitos homens e mulheres que desde sempre têm nascido com talento t, e a quem a vida não deu a oportunidade de o desenvolver...
EliminarTalvez até do meu eu de antigamente, durante uma "espera" que durou mais de 25 anos... Mas eu acabei por desvendar o mistério e quebrei o esférico embrulho. Tarde, mas fi-lo!
Raramente escrevo poemas direccionados a alguém em particular, não tenho esse hábito. Quando me inspiro nalgum outro poeta, refiro-o sempre em nota de rodapé.
Abraço grande
Querida Maria João,
ResponderEliminarQuando nos dão o futuro, mas pelas contingências da vida ele se altera, a musa pode se ausentar, queimar, mas nunca foge!
Quem tem esse talento tanto na pintura como na poesia, o futuro que lhe deram é um presente.
UM GRANDE ABRAÇO <3
Obrigada, Blue Bird
EliminarNo que toca à minha Musa, ela é uma gaiata traquinas e caprichosa, ainda que eu goste muito dela
No que toca à minha humilde pessoa, ainda que venha a ter um curto futuro, não sinto que a minha vinda à vida/mundo tenha sido completamente sem sentido e, sim, sendo muito pobre, sinto-me, por vezes, muito rica
Um grande beijinho
Maria João
ResponderEliminarAcho que o futuro vem sempre embrulhado e é misterioso.
Aqui nos deixou mais um excelente soneto com uma imagem em sintonia.
Tudo isto mostra o seu grande talento.
Gostei bastante.
Continuação de boa semana com muita paz e muita saúde.
Um beijo
:)
Muito obrigada, Pity!
EliminarPaz, saúde e um beijinho, amiga!