ESTRANHO CÉU

ESTRANHO CÉU.jpg


ESTRANHO CÉU
*



Não verás, hoje, esse teu céu estrelado


Que as dunas do Sahara atapetaram


De nuvens de um tom cobre, acastanhado,


Que a luz dessas estrelas ensombraram
*



E desse denso manto acobreado


Emergem folhas soltas que voaram,


Só não emerge a luz do despojado


Astro rei que as areias destronaram
*



Que estranho, estranho céu nos cobre agora,


Que até o astro rei prende e devora,


Usurpando um azul que era tão nosso?
*



Como a tua, a minha alma inda vagueia,


Mas não vê estrelas, só vislumbra areia


E é de pó que eu te falo enquanto posso...
*


 


Mª João Brito de Sousa


16.03.2022 - 16.45h
*



Em resposta ao soneto CÉU de Joaquim Sustelo


(no dia em que o céu nasceu acobreado)

Comentários

  1. Lindo poema ao estranho cor do Céu que temos tido em função dos areais do deserto
    .
    Feliz fim-de-semana … saudações cordiais
    .

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  2. E é de pó que falamos, enquanto podemos e no qual nos tornaremos, quando nos findamos! Mas que esse dia venha longe! Saúde e Paz!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que esse dia venha ainda bem longe, Francisco!

      Saúde, Paz e um fraterno abraço!

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  3. Brancas nuvens negras19 de março de 2022 às 20:48

    Assim como se o deserto invadisse o resto do mundo.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi exactamente isso que senti, L., depois de ter compreendido que as minhas cataratas não podiam ter voltado :)

      Eu explico: com as cataratas, via tudo amarelado. Quando me removeram a primeira, a do olho esquerdo, andei dias numa verdadeira e festiva bebedeira de tons branco-vivo que já tinha esquecido existirem...

      Obrigada e um forte abraço!

      Eliminar

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