CRONOLOGIA

chronology (1).jpg


CRONOLOGIA
*


 


"Sem lugar seguro ou presença de abraço"


Morre enfim o laço que enlaça o futuro


Ao bater num muro que se ergue no espaço,


No final de um traço tão curto quão duro
*


 



Sempre assim foi, juro!, e se me embaraço


No caminho lasso de um percurso obscuro,


É porque procuro saber por que o faço,


Por que, passo a passo, mais me ergo e me curo
*


 



Quando tanto aturo para andar por cá...


Mas se ao deus-dará espalho os meus "tesouros"


Por cristãos ou mouros servidores de Alá,
*


 



Quer vá, quer não vá ouvir desaforos,


Só lhes deixo esporos. São tudo o que dá


Este meu chão já despojado de toros...
*


 


 


Mª João Brito de Sousa


29.05.2022 - 13.40h
***


 


Soneto criado a partir do último verso do soneto FOLHA DE TEMPO de MEA

Comentários

  1. Soneto
    bem ajustado
    ao tempo
    que estamos vivendo

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Rogério!

      Vou já passar pelo teu Conversa Avinagrada, estou só a aguardar as indicações do meu médico de família porque estou, de novo, com a cara feita num bolo...

      Forte abraço!

      Eliminar
  2. Deslumbrante. De leitura obrigatória.
    .
    Saudações cordiais… semana feliz
    .

    ResponderEliminar
  3. "Passo a passo mais me ergo e curo". É assim que a vida tem que ser vista. A força que nos derruba é a mesma que nos ergue. É a coragem necessária e legítima.
    Tudo de bom para si, minha Amiga Maria João.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fico-lhe muito grata, Graça!

      Tudo de bom também para si, minha amiga.

      Um beijo

      Eliminar
  4. Teresa Palmira Hoffbauer30 de maio de 2022 às 16:29

    O soneto embora seja muitíssimo belo, arrepia pela sua actualidade.
    Abraço forte e solidário 💙

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Escrevo sobre o que "mexe comigo" e quase sempre o que "mexe comigo" é o que "mexe" com a humanidade, Teresa...

      Obrigada e um forte abraço

      Eliminar
  5. Mas em harmonia
    andemos com a cabeça entre as orelhas
    a cada dia

    Bela tarde MJ, beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Entre as orelhas, de momento, só sinto um enorme e doloroso abcesso , Anjo

      Mas deves ter razão, ainda por cá há mais qualquer coisa: os abcessos (ainda) não escrevem poemas

      Um harmonioso dia para ti

      Beijinhos

      Eliminar
  6. Brancas nuvens negras30 de maio de 2022 às 17:47

    Estamos no mesmo pedaço de terra, reina a desesperança, os vindouros darão, decerto, mais um passo neste caminho que nos ensinaram os que tiveram de ficar para trás.
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Disso nem por um momento duvido, L., embora me não pareça nada improvável que se aproximem grandes tempestades...

      Um forte abraço

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas