NAS TUAS MÃOS
Fotografia de Carlos Ricardo * NAS TUAS MÃOS * Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? * Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***
É o ciclo natural da natureza 🌻
ResponderEliminarÉ o ciclo natural, sim, Laurinda, mas se clicar na palavra PORQUÊ , que é um link, verá que é também um mote para um poema tecido em redondilha maior, que é o nome do tipo de verso que compõe as quadras populares.
EliminarUm abraço
Peço desculpa por ter-me enganado no seu nome, Isaurinda
EliminarAs flores só murcham de facto quando não tiverem sido polinizadas. As outras, as flores que receberam um beijo de uma abelha, só ficam murchas na aparência, porque na verdade se transformam em frutos. E há frutos tão bons! Uma flor murcha não é necessariamente triste.
ResponderEliminarNem isso me passou pela cabeça, Fernando. :) Limitei-me a dar continuidade a um verso/mote, à boa maneira da velha/renascente poesia popular portuguesa, na qual o mote faz, no poeta, as vezes da abelha, na flor: dei fruto, em suma :)
EliminarEstive hoje no se blog, a desunhar-me e a escrever em branco na sua caixa de comentários, bem como em várias outras. Os bloggers da Blogspot não andam lá muito cooperativos nos últimos tempos...
Um forte abraço!
As flores e o seu infindo significado, tão presente na poesia e tão bem aproveitado neste poema.
ResponderEliminarUm abraço
L
:) Obrigada, L.
EliminarComo tenho uma forte costela repentista, gosto muito de pegar num mote e levá-lo a galope de tecla em tecla, como se testasse todos os meus limites ou todos os limites da minha Musa, sei lá...
Forte abraço!
Gostei de ler, embora para lhe ser sincera não tenha entendido muito bem o significado. Murcharam pela rejeição da mulher ao seu fruto?
ResponderEliminarAbraço, saúde e bom domingo
Não minha amiga, nada disso! A frase/verso, que neste caso é "O ramo de flores murchou", é-nos dada por outro/a poeta enquanto mote. Trata-se apenas de conseguir compor um poema em quadras a partir desse mote, à boa maneira da poesia popular portuguesa.
EliminarNeste caso, o ramo de flores não tem de ser necessariamente um ramo de flores, porque a poesia não só nos permite a fuga à literalidade, como também no-la exige: faça de conta que em vez de "o ramo de flores murchou" está lá "a coisa deu para o torto" ou "o caldo entornou-se" ou "descobriu que a realidade não era o mar de rosas que lhe impingiam"...
Quando acordamos para a realidade e pomos os olhos no mundo, não descobrimos muitas, muitíssimas coisas que rejeitamos? E não tomamos posição contra aquilo que nos parece injusto e prejudicial? Ora é isso mesmo!
Não sei onde foi buscar a rejeição do (seu) fruto, porque nem sequer vem mencionado fruto nenhum neste poemeto... :)
Obrigada, boa noite de Sábado e um abraço
Estou aprendendo um pouco da poesia popular portuguesa, Maria
ResponderEliminarEssa lição que destes ao comentário anterior foi belíssima , apesar de já ter entendido
que pegastes o mote( fui lá ver), e desenvolveste o poema.
O processo de ir buscar o 'porquê' e não poder trazer (risos), deixa a desejar porque algumas vezes é bom escrever relendo, entende........mas nunca resulta .
Enfim, está ótimo, amiga e eu gostei imenso. Vocês,poetas portugueses são muito bons e leio muito , publico muito ,as vezes pensam que sou portuguesa. Quem sabe né........... rs
beijinho bom domingo e boa semana,amiga .
Olá, Lis
EliminarEste tipo de poesia tem raízes bem profundas e também pode aplicar-se ao canto: um dos poetas/cantores dá o mote e um outro compõe instantaneamente a quadra e canta-a, repetindo-se o processo até um deles desistir: são as desgarradas de que eu tanto gosto :)
Vocês, poetas brasileiros, também são muito bons e nunca vos falta imaginação
Obrigada e que tenhas um excelente Domingo!
Beijinho