RAZÃO
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RAZÃO
*
Chegaste escondida nas asas do tempo:
És ré sem sentença nem culpa formada
E germe da força que (in)gere o talento
Duma humanidade confusa e cansada
*
Encontro-te sempre. Não te oiço um lamento
Que a raiva - até ela! - se quer registada
Num ficheiro próprio e num só documento
Conquanto te nasça por tudo e por nada...
*
Chegaste e provaste de todos os frutos:
Exultaste os partos, choraste os teus lutos,
Sonhaste os teus sonhos, lavraste o teu chão...
*
Hoje destronada, Razão que aqui canto,
Quem ousa remir-te envergando o teu manto
Que sempre foi pródigo e fértil, Razão?
*
Mª João Brito de Sousa
16.07.2022 - 12.40h
***
Gravura de Francisco de Goya
Mais um SONETO brilhante, fascinante de ler
ResponderEliminar.
Feliz fim de semana.
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:) Muito obrigada, Ryk@rdo!
EliminarBom fim-de-semana e um abraço!
Que lindo!!! As saudades que tinha da sua poesia. beijinhos
ResponderEliminarOlá, Fashion!
EliminarObrigada e beijinhos para ti também!
A Razão.
ResponderEliminarEssa força humana tantas vezes destronada pela voz do coração.
Um Soneto que chegou na hora certa.
Como se escrito para mim...
Muita Saúde. A Musa, essa, nunca se ausentará por muito tempo.
Boa tarde, Maria Papoila
EliminarEssa visão que, tradicionalmente, mostra a Razão em constante conflito com o Coração, não é a minha visão de Razão... A minha razão e o meu coração andam quase sempre felizes, em paz e de mãos dadas Tudo o que escrevo é fruto dessa quase perfeita simbiose e um ou outro pequeno conflito que possa ocorrer entre ambos, depressa se transforma num poema no qual a harmonia é rapidamente reposta.
Na realidade, têm sido as grandes contra-revoluções burguesas que, no campo teórico e filosófico, andaram há décadas a destronar a Razão, cujo prolífero manto envergo com muita honra e orgulho.
Quanto à Musa, essa é um bocadinho instável, precisa dos seus tempos de pousio, tal como a terra de cultivo
Beijinhos
"Uma humanidade confusa e cansada" este verso ilustra com sabedoria os tempos que vivemos, também nós estamos envolvidos nesse turbilhão destrutivo da razão. Talvez a poesia salve alguns de nós, dessa obscuridade.
ResponderEliminarSaúde, um abraço.
L
A poesia tem uma enorme responsabilidade sobre os ombros: resgatar a Razão sem perder de vista o Sonho...
EliminarNeste momento, as ideologias burguesas estão a conseguir dominar-nos. A Razão que pode ser, e é, uma arma poderosa nas mãos do povo trabalhador, foi condenada ao esquecimento. Nada disto é inocente, nem os génios da burguesia podem ser acusados de falta de engenho e criatividade, porque são, realmente, génios brilhantes, verdadeiros monstros do engenho. Há que lê-los, conhecê-los a fundo, desmontá-los e - ousadia das ousadias!- há que ser melhor e ainda mais criativo do que eles.
Por isso me bato, dentro do pouco que posso, mas sempre que posso.
Obrigada e um forte abraço, L.!
Exultaste os partos, choraste os teus lutos,
ResponderEliminarSonhaste os teus sonhos, lavraste o teu chão...
Boa noite de sábado, querida amiga Maria João!
Com toda razão, a poetisa verseja com qualidade poética.
Tenha um final de semana abençoado!
Beijinhos
Muito obrigada pela gentileza das suas palavras, Rosélia!
EliminarQue tenha, também, um abençoado e sereno fim-de-semana!
Beijinho
Acho que a razão e o coração são sócios, ambos tomando decisões, às vezes em reuniões demoradas em que parece difícil haver acordo entre ambos, mas sempre empenhados no que lhes parece melhor para o humano que ambos regem! Adorei este soneto, vir aqui é sempre como descobrir algo novo mas bom!
ResponderEliminarBeijinhos mil, e bons sonetos sempre!🌷
Olá, Sandra
EliminarSócios e irmãos siameses :) Excepto em casos raros e extremos como os psicopatas, por exemplo, nenhum deles faz nada que não implique o outro :)
Não há raciocínio que não implique emoção, nem há emoção a que a racionalidade fique completamente alheia...
Obrigada :)
Um beijo