MATÉRIA-PRIMA - Reedição

Gestação Floral - 1999 (fotografado por Vítor Martinez) (1).jpg


MATÉRIA-PRIMA
*


 


Não são de prata fina, ouro-de-lei,


De jade, madre-pérola ou diamante,


Mas da lava insurrecta, inquietante,


Do verbo em que te deste, em que me dei,
*


 


Os versos, tantos quantos semeei


No torrão duma urgência, a cada instante


Da premência tão mais desconcertante,


Quão mais distante o tempo em que os plantei
*


 


Não colho o verbo frágil, rendilhado,


Trágico, maneirista ou delicado:


Quero o verbo que assuma o travo puro
*


 


Do fruto firme e doce ao ser trincado,


Da terra ao ser rasgada por arado


Ou do trigo dourado e já maduro.
*


 


 



Maria João Brito de Sousa


21.04.3017 -16.35h
***


 


(Reformulado)

Comentários

  1. Brancas nuvens negras4 de agosto de 2022 às 20:08

    A imagem é a continuação da mostra da sua produção artística que se percebe ser uma área que domina.
    O poema, como de costume, um exercício de saber com um final de sabor popular português.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, L. :)

      Nem tinha dado por esse final com um travozinho popular português, mas tem toda a razão, esse "trigo dourado e já maduro" foi muito nosso até há bem poucos anos. Agora, tanto quanto vou sabendo, é muito mais o trigo que importamos do que o que ainda produzimos...

      Forte abraço!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

UM POENTE DIFERENTE, À BEIRA-TEJO - Cavalo desenhado a ferro e fogo

A PEDIDO DE VÁRIAS FAMÍLIAS...

ESPANTO