MATÉRIA-PRIMA - Reedição
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MATÉRIA-PRIMA
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Não são de prata fina, ouro-de-lei,
De jade, madre-pérola ou diamante,
Mas da lava insurrecta, inquietante,
Do verbo em que te deste, em que me dei,
*
Os versos, tantos quantos semeei
No torrão duma urgência, a cada instante
Da premência tão mais desconcertante,
Quão mais distante o tempo em que os plantei
*
Não colho o verbo frágil, rendilhado,
Trágico, maneirista ou delicado:
Quero o verbo que assuma o travo puro
*
Do fruto firme e doce ao ser trincado,
Da terra ao ser rasgada por arado
Ou do trigo dourado e já maduro.
*
Maria João Brito de Sousa
21.04.3017 -16.35h
***
(Reformulado)
A imagem é a continuação da mostra da sua produção artística que se percebe ser uma área que domina.
ResponderEliminarO poema, como de costume, um exercício de saber com um final de sabor popular português.
Um abraço.
Obrigada, L. :)
EliminarNem tinha dado por esse final com um travozinho popular português, mas tem toda a razão, esse "trigo dourado e já maduro" foi muito nosso até há bem poucos anos. Agora, tanto quanto vou sabendo, é muito mais o trigo que importamos do que o que ainda produzimos...
Forte abraço!