NÃO TE DAREI OUVIDOS, ZARATUSTRA!

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NÃO TE DAREI OUVIDOS,


ZARATUSTRA!
*


 


Não, não irei contigo de mãos dadas


Espelhar-me no titã que mais convenha!


Não me ilude o teu estro. A minha sanha


Soma-se a muitas lutas defraudadas,
*


 


Cruza oceanos, calcorreia estradas,


Ama esse humano que em ti se despenha


E eu, sendo estranha, não serei tão estranha


Que aspire a brilhar mais que as alvoradas...
*


 


Não te darei ouvidos, Zaratustra:


A razão que me guia não me frustra,


Não é tão rebuscada, nem tão crua
*



E estou quase no fim. Que não estivesse!,


Ainda assim diria o que entendesse


Dizer de quanto do teu génio estua.
*


 


Mª João Brito de Sousa


05.08.2022 - 09.45h
***

Comentários

  1. Brancas nuvens negras5 de agosto de 2022 às 19:42

    Muito intenso e revelador de uma grande vontade própria. Um poema de grande nível literário e de conhecimento da nossa língua.
    Um abraço.

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    Respostas
    1. :) Fico-lhe muito grata por tão elogiosas palavras, L.

      Um forte abraço!

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