O MUNDO NUMA MÃO

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O MUNDO NUMA MÃO
*


 


Debalde me levanto e me preparo


Para abarcar o mundo num abraço


E sem sequer saber porque é que o faço


Ao tentar abraçá-lo é que reparo
*



Que sendo humana ainda me deparo


Com as limitações do gesto escasso


E embora acolha vida no regaço,


Sou apenas mulher e não me é raro
*



Sentir-me aprisionada e pequenina


Num corpo velho, frágil, perecível,


Cujas asas não passam de ilusão
*



Ou mera fantasia de menina...


Ah, só em sonhos me será possível


Guardar inferno e céu numa só mão!
*


 



Maria João Brito de Sousa


18.01.2008 - 19.23h
***


In Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2009
*


Nota - Este soneto foi ligeiramente "retocado" aqui e ali, com excepção do verso final que foi integralmente reformulado.

Comentários

  1. Brancas nuvens negras30 de agosto de 2022 às 18:09

    Somos de um tamanho cada vez maior do que já fomos.
    Foto muito nostálgica, muito da minha época também.
    Um abraço.
    L

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    1. É verdade, L., está muito marcada no tempo, esta fotografia que o meu pai me tirou na varanda da frente da casa do Dafundo, que bem conhece, pelo menos por fora.

      Aqui deveria eu ter os meus sete ou oito anos. A fotografia não está datada, não posso saber ao certo, mas embora fosse uma criança muito risonha, sempre tive longos momentos de introspecção, aqui revelados pelo meu olhar perdido no Tejo.

      Outro abraço!

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  2. Fascinante soneto. Maravilha poética.
    .
    Cumprimentos poéticos
    .

    .

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  3. Ao Poeta, à Criança... é sempre possível abarcar o mundo numa das mãos! Saúde. E o projeto de Livro? Siga em frente!

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    1. Talvez, Francisco, talvez...

      Creio que se refere ao livro que estou a tentar escrever para concorrer a um Prémio Literário... Se é esse, não vai nada bem, que isto de produzir poesia sob pressão e em particularmente difíceis condições físicas, só funciona bem nas coroas de sonetos. Sozinha, consegui 34 sonetos, dos quais só cinco ou seis são realmente bons. Se a Musa me não socorrer rapidamente, em breve desistirei.

      Entretanto sou co-autora , ao lado de Fernando Augusto Cunha de Sá, do livro RECLUSÃO, de Laurinda Rodrigues, cujo lançamento terá lugar no próximo dia 24 de Setembro às 18.45h na Fábrica de Braço de Prata. Considere-se desde já convidado, Francisco.

      Um abraço

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  4. Maria Elvira Carvalho30 de agosto de 2022 às 20:46

    Um soneto muito bonito. E uma foto linda.
    Abraço e saúde

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    1. Muito obrigada, Elvira!

      A fotografia foi tirada pelo meu pai e também eu gosto muito dela, não fosse eu uma filha muito orgulhosa das habilidades de seu pai :)

      Um abraço, minha amiga!

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  5. Ai como gostei!
    Enfim, o tempo passa. Mas nunca deixamos de ser humanas, nunca deixamos de ser mulheres...
    Vá havendo saúde e paz, que não falte na mesa o pão, nem a Musa no coração e a coisa vai indo!
    Beijinhos mil querida, uma boa semana!🌷

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    1. Obrigada, Sandra!

      Estou a reeditar sonetos antigos enquanto baldadamente tento criar inéditos com qualidade suficiente para irem a um concurso literário. A Musa evaporou-se-me. Literalmente.

      Dos 34 sonetos que consegui escrever - e preciso de uns 70 ou 80 inéditos - só uns cinco ou seis são razoáveis ou minimamente bons. O resto é palha literária.

      Começo a considerar que o mais sensato seria desistir já, mas vou tentar ainda mais uns dias...

      Que tenhas, também, uma excelente semana

      Mil beijinhos

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  6. Nossas fantasias de menina , que doçura de poema !
    revi um pedaço da minha vida_ a gente ainda se depara com tantos 'gestos escassos'
    Gostei demais ! sua musa apenas cochilou e acordou maravilhosa!
    beijo, Flor

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    1. Oh, Lis... Este soneto é um dos bem velhinhos frutos da minha Musa de 2009, com algumas reformulações feitas em cima da hora da reedição.

      A minha Musa de 2022 emigrou para uma galáxia distante assim que comecei a "puxar" por ela para concorrer a um prémio literário que exige trabalhos inéditos. Bem quereria que ela voltasse, mas sei que só voltará quando eu menos a esperar. É sempre assim...

      Obrigada e um beijo também para ti!

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  7. Pois
    assim andam as voltas da vida
    trocadas ou espezinhadas
    pelo tempo
    Parabéns como sempre ao que li, beijinhos

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    1. Obrigada meu!

      Obrigada por teres gostado desta reedição melhorada aqui e ali...

      Beijinhos

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  8. Teresa Palmira Hoffbauer1 de setembro de 2022 às 13:52

    O olhar profundo da menina da fotografia leva-me a crer, que ela não esta segura, se quer guardar inferno e céu numa só mão. Na mão guarda a pena, onde escreve sonetos de primeira água. Talento, beleza, perfeição.

    Abraço forte da admiradora nas margens do rio Reno 🌊

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    1. :) Viva, Teresa!

      No tempo em que essa menina era ainda uma criança e até há cerca de seis anos, a pena ainda não era mais importante do que o lápis de carvão e o pincel :)

      Abraço forte e agradecido daqui, do meu Tejo quase mar

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